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Crise na saúde suplementar

Crise na Unimed Cuiabá: MPF cria força-tarefa para vigiar agência reguladora

O Ministério Público Federal (MPF) criou uma força-tarefa para fiscalizar a ANS na crise da Unimed Cuiabá. A medida visa proteger consumidores após a descoberta de um rombo de R$ 400 milhões e a instauração de direção fiscal na operadora de saúde.

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Ação do Ministério Público Federal busca garantir atendimento a mais de 220 mil clientes da Unimed Cuiabá em meio a grave crise financeira da operadora.
Ação do Ministério Público Federal busca garantir atendimento a mais de 220 mil clientes da Unimed Cuiabá em meio a grave crise financeira da operadora.

Medida ocorre em meio a um rombo de R$ 400 milhões e busca proteger mais de 220 mil beneficiários da operadora em Mato Grosso

O cerco se fechou um pouco mais para a Unimed Cuiabá. Diante de um cenário financeiro conturbado e da desconfiança que paira sobre a gestão da cooperativa, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu agir e, nesta segunda-feira, 30 de junho de 2025, anunciou a criação de uma força-tarefa. O objetivo, no entanto, vai além da operadora: a missão é fiscalizar de perto a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no caso, colocando em xeque a eficácia da regulação do setor e buscando proteger os mais de 220 mil consumidores vinculados ao plano.

A decisão, assinada pelo subprocurador-geral da República Luiz Augusto Santos Lima, é uma resposta direta aos alertas feitos pela procuradora Denise Nunes Rocha Müller Slhessarenko, de Mato Grosso. Ela vinha relatando a “grave situação deficitária” da cooperativa, um quadro que acendeu a luz vermelha para o risco de prejuízos massivos no atendimento aos seus clientes.

Um rombo de R$ 400 milhões

A crise que hoje resulta em monitoramento federal não nasceu da noite para o dia. Ela é o resultado de uma ferida contábil profunda, aberta entre 2019 e 2023. Investigações revelaram que balanços patrimoniais foram maquiados para esconder um déficit que beira os R$ 400 milhões, somente no exercício de 2022.

As investigações apontaram que a gestão anterior, sob a batuta de Rubens Carlos Oliveira Júnior, apresentou documentos com irregularidades contábeis grosseiras à própria ANS, uma manobra que dificultou a fiscalização sobre os indicadores mínimos de liquidez e solvência exigidos para a operação de um plano de saúde. A situação escalou a tal ponto que, no final de 2024, Oliveira Júnior e outros ex-diretores se tornaram alvos da Operação Bilanz, da Polícia Federal, que apura crimes como falsidade ideológica, estelionato e até organização criminosa.

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A intervenção da agência

Antes mesmo da força-tarefa do MPF, a ANS já havia dado um passo importante. Em agosto de 2023, a agência instaurou o chamado regime de direção fiscal na Unimed Cuiabá. A medida foi justificada pelas “anormalidades econômico-financeiras e administrativas graves que colocam em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde”.

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A direção fiscal, na prática, não significa uma liquidação da empresa mas sim um acompanhamento técnico rigoroso da ANS para garantir que a gestão atual tome as rédeas da situação e execute as ações necessárias para voltar aos trilhos, cumprindo as normas e, principalmente, garantindo o serviço aos seus milhares de clientes.

Acordo e multa milionária

Pressionada, a Unimed Cuiabá buscou um caminho para evitar um colapso judicial. Em abril de 2024, a cooperativa firmou um acordo de leniência com o MPF, que foi homologado dois meses depois. Ao assinar o documento, a operadora reconheceu sua participação nas práticas irregulares.

O preço da redenção foi o pagamento de uma multa de R$ 412.224,70, destinada ao Fundo de Direitos Difusos e Coletivos, além do compromisso de implementar um programa de compliance de padrão internacional e cooperar integralmente com as autoridades. É um esforço para limpar o nome, mas a desconfiança ainda persiste.

Entre a crise e a normalidade

Enquanto a cúpula do sistema de justiça aperta a vigilância, a Unimed Cuiabá tenta projetar uma imagem de normalidade. Em maio deste ano, a cooperativa entregou oficialmente a estrutura finalizada de seu hospital próprio, um complexo com 85 leitos de internação e 20 de UTI. O atual diretor-presidente, Carlos Bouret, tem repetido que o atendimento na rede prestadora segue sem qualquer impacto.

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Afinal, como uma empresa sob tamanha pressão financeira e legal consegue manter as aparências e até inaugurar novas estruturas? A resposta para essa pergunta é o que o MPF, e os mais de 220 mil beneficiários, esperam descobrir. A nova força-tarefa não é apenas uma medida burocrática, ela representa uma camada extra de proteção ao consumidor e um recado claro: o sistema de saúde suplementar, e quem o regula, está sob um olhar mais atento do que nunca.

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O outro lado

A redação entrou em contato com a assessoria da Unimed Cuiabá/MT na data de 30/06/2025, as 18:35. Qualquer nota enviada será incluída aqui.

 

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CONSUMIDOR

Preço de ultraprocessados cai e fica menor que o de alimentos in natura

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impacto reforma tributária cesta básica

Pesquisa da UFMG e do Idec aponta que inversão de valores ocorreu em 2024; produtos industrializados devem baratear ainda mais até 2026

O preço médio de alimentos ultraprocessados no Brasil registrou queda de cerca de 16% entre os anos de 2018 e 2024. O declínio fez com que, a partir do ano passado, a média de custo dos produtos industrializados se tornasse inferior à dos alimentos in natura ou minimamente processados.

A convergência de valores antecipa uma alteração de mercado prevista inicialmente pelos pesquisadores apenas para 2026. A mudança na dinâmica de custos afeta o padrão de consumo das famílias e levanta discussões sobre a aplicação de impostos seletivos.

Os dados integram estudos conduzidos pelo Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), elaborados em parceria com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

A trajetória dos custos

O relatório elaborado pelas entidades avalia a configuração atual como um “cenário preocupante”. Em 2018, o valor médio dos produtos ultraprocessados era de R$ 22,20. O preço recuou para R$ 18,80 em 2024. A categoria de alimentos processados acompanhou o movimento de queda, passando de R$ 26,10 para R$ 22,60 no mesmo intervalo.

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Os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários seguiram trajetória oposta. O grupo custava, em média, R$ 18,90 em 2018. Durante a pandemia de Covid-19, os produtos registraram aumento, atingindo o pico de R$ 21,30 em 2021. Em 2024, após ligeira redução, a categoria fechou com média de R$ 18,60.

O levantamento detalha o impacto nos itens que compõem a rotina alimentar do país. O arroz polido encareceu de R$ 4,50 em 2018 para R$ 5,90 em 2024. O feijão passou de R$ 7,10 para R$ 9,30 no período, mantendo-se em patamar acima de R$ 9 desde 2020. A banana prata saltou de R$ 6,60 para R$ 8,20, com alta ininterrupta a partir de 2021. O estudo classifica a cotação do azeite no ano passado, estabelecida em R$ 63,70 por quilo, como um “valor alarmante”.

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Na seção dos ultraprocessados, o refrigerante sabor cola recuou de R$ 5,60 para R$ 4,70 por litro entre 2018 e 2024. A mortadela caiu de R$ 21,10 para R$ 15,10, com redução contínua após 2020. A margarina encerrou o ano passado custando R$ 13,90 por quilo, cifra inferior aos R$ 15,80 registrados em 2018. O iogurte com sabor diminuiu de R$ 16 para R$ 14,70 por quilo no mesmo recorte temporal.

Projeções e clima

A pesquisa aponta que eventos extremos vinculados às mudanças climáticas, como secas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção agrícola. O impacto restringe a oferta de frutas, verduras, legumes e grãos, pressionando os preços e afetando a disponibilidade para a população.

A tendência projetada pelas entidades para o biênio 2025-2026 indica manutenção da queda de preço dos ultraprocessados. A categoria tem previsão de atingir média de R$ 18,40 por quilo em 2025 e R$ 17,90 por quilo em 2026.

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Os alimentos in natura, minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter estabilidade relativa. A projeção para o grupo é de R$ 19,50 em 2025 e R$ 19,60 em 2026. Diante dos números, o relatório alerta para a necessidade de políticas públicas de isenção fiscal para alimentos saudáveis e de tributação sobre os industrializados.

Reforma Tributária

Um segundo estudo elaborado pela UFMG e pelo Idec avaliou os desdobramentos da Reforma Tributária sobre a dieta nacional. O texto indica que a mudança nos hábitos dependerá da aplicação do imposto seletivo e das regras de isenção sobre a nova cesta básica.

Os dados mostram que os itens da cesta básica apresentam menor sensibilidade a variações de preço, com consumo alterado em menor escala. Em contrapartida, produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas possuem alta sensibilidade em relação à renda e ao preço. Se o rendimento familiar cresce, a ingestão destes produtos aumenta de forma acelerada. Quando frutas e verduras ficam mais caras, ocorre a substituição por itens como pães, biscoitos e refrigerantes.

A modelagem indica que restringir o imposto seletivo exclusivamente aos refrigerantes é medida insuficiente para conter o avanço no consumo dos ultraprocessados. A simulação da Reforma Tributária demonstra que as alterações causam pouca variação no consumo total de alimentos, mas promovem redistribuição: há pequena redução nos gastos com itens básicos e aumento moderado na compra de ultraprocessados.

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Como foi feito

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A análise dividiu-se em dois estudos. O primeiro aferiu a evolução de preços utilizando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua). Os valores foram deflacionados para dezembro de 2024 e os itens separados pelo sistema de classificação Nova. O recorte avaliou dados de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. As projeções até o final de 2026 usaram modelos ARIMA.

O segundo estudo analisou o impacto da Reforma Tributária empregando a POF 2017-2018 (IBGE), com informações de mais de 57 mil domicílios em todas as regiões. O trabalho simulou dois cenários: o imposto seletivo apenas sobre refrigerantes (proposta atual) e o tributo incidente sobre todos os ultraprocessados (proposta da sociedade civil).

Entenda os termos metodológicos

  • QUAIDS (Quadratic Almost Ideal Demand System): modelo econométrico para medir como mudanças de preço e renda afetam o consumo.
  • Elasticidades de demanda: métrica que define a variação do consumo de um produto mediante alteração de preço ou renda.
  • Diferenças-em-Diferenças (DiD): técnica de simulação que isola o efeito causal da Reforma Tributária sobre a alimentação.
  • Bootstrap paramétrico: técnica estatística usada para validar resultados na pesquisa.

 

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