Pesquisar
Close this search box.

Tragédia silenciosa

Feliz dia dos pais para quem? MT é o campeão brasileiro de abandono de crianças e assassinato de mães

Mato Grosso lidera o Brasil em feminicídios, com uma taxa de 2,5 por 100 mil mulheres, e também em abandono infantil, segundo o Anuário de Segurança Pública 2025. Os dados revelam um ciclo de violência que ameaça mulheres e deixa milhares de crianças órfãs.

Publicado em

Gráficos revelam a dupla liderança de Mato Grosso nos rankings de feminicídio e abandono de incapaz, expondo uma crise social profunda.
Gráficos revelam a dupla liderança de Mato Grosso nos rankings de feminicídio e abandono de incapaz, expondo uma crise social profunda. Foto ilustrativa - IA

Enquanto o estado registra a maior taxa de mortes de mulheres por razão de gênero, dados do anuário de segurança revelam outra faceta da crise: a liderança em crianças e adolescentes deixados para trás.

*Todos os dados tem como base o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

Feliz dia dos pais para quem? O estado de Mato Grosso lidera o ranking nacional de abandono infantil e ostenta a maior taxa de feminicídios do país, revelando uma crise social que deixa milhares de crianças órfãs e mulheres sob ameaça constante. Os dados, compilados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, pintam um retrato sombrio que vai muito além dos números frios, expondo as fraturas de uma sociedade onde a violência letal e a negligência caminham lado a lado, ceifando futuros e desestruturando famílias de forma implacável.

Os órfãos da violência e do abandono

Mato Grosso registra índices alarmantes de violência infantil, superando em mais do dobro a média nacional

Em 2024, Mato Grosso consolidou-se como um dos estados mais perigosos do país para crianças e adolescentes. Os números oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário devastador: o estado ocupa o terceiro lugar nacional em casos de abandono de incapaz e o quarto em maus-tratos contra menores.

A dimensão do problema

Os dados são categóricos. Enquanto a média brasileira de abandono de incapaz registra 24,4 casos por 100 mil crianças e adolescentes, Mato Grosso dispara para 58,0 — uma diferença de 137,7%. Foram 605 casos registrados em 2024, representando um crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

Mas é nos maus-tratos que a situação se torna ainda mais grave. Com uma taxa de 121,1 casos por 100 mil menores, o estado supera em 85,5% a média nacional de 65,3. Isso significa que 1.262 crianças e adolescentes sofreram maus-tratos em 2024 — um aumento de 19,5% comparado a 2023.

Advertisement

Crianças pequenas, maior vulnerabilidade

A análise por faixa etária expõe uma realidade perturbadora. As crianças de 5 a 9 anos são as principais vítimas de maus-tratos em Mato Grosso, com 431 casos registrados e uma taxa de 144,0 por 100 mil. Logo em seguida vêm as de 10 a 13 anos, com 316 casos e taxa de 139,8.

No abandono de incapaz, o padrão se inverte: bebês e crianças pequenas lideram as estatísticas. A faixa de 0 a 4 anos registrou 209 casos, com taxa de 71,1 por 100 mil, seguida pela faixa de 5 a 9 anos, com 211 casos e taxa de 70,5.

O cotidiano da violência doméstica

A violência doméstica também marca presença significativa nos lares mato-grossenses. Em 2024, foram 619 casos de lesão corporal dolosa em contexto doméstico contra crianças e adolescentes — taxa de 59,4 por 100 mil, 47% acima da média nacional.

Leia Também:  STF derruba restrição à compra de veículos por pessoas com deficiência

Embora tenha havido uma leve redução de 4,1% em relação a 2023, os números permanecem em patamares preocupantes. A cada dia, aproximadamente 1,7 crianças sofrem agressões físicas dentro de casa no estado.

Entre vida e morte

Quando a violência atinge seu extremo, Mato Grosso também se destaca negativamente. O estado registrou 69 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes em 2024, mantendo uma taxa de 6,6 por 100 mil — 43,5% superior à média brasileira de 4,6.

Advertisement

A maior parte dessas mortes (63 casos) vitimou adolescentes de 12 a 17 anos, refletindo o envolvimento crescente dessa faixa etária em contextos de criminalidade e violência urbana.

Números que revelam dramas

Somando os principais indicadores, estima-se que aproximadamente 1.867 crianças e adolescentes mato-grossenses sofreram algum tipo de violência grave em 2024. Isso representa cerca de cinco menores em situação de risco por dia.

O abandono material, embora com números menores (33 casos), ainda mantém o estado ligeiramente acima da média nacional, com taxa de 3,2 por 100 mil contra 2,9 do Brasil.

Um retrato sem filtros

Os dados oficiais desenham um mapa da vulnerabilidade infantil em Mato Grosso que não pode ser ignorado. Seja no abandono, nos maus-tratos ou na violência letal, o estado sistematicamente supera as já preocupantes médias nacionais.

Por trás de cada estatística existe uma criança que teve seus direitos fundamentais violados, uma família desestruturada e uma sociedade que ainda busca respostas efetivas para proteger seus mais vulneráveis.

Advertisement

As crianças de Mato Grosso não são apenas números. São os órfãos de uma violência que se perpetua, vítimas de um abandono que se tornou rotina. E enquanto os índices seguem subindo, o tempo para reverter esse cenário se torna cada vez mais escasso.

Principais destaques do gráfico:

  • Abandono de incapaz: MT registra mais do que o dobro da média nacional (58,0 vs 24,4 por 100 mil)

  • Maus-tratos: Diferença de 85% acima do Brasil (121,1 vs 65,3 por 100 mil)

  • Lesão corporal doméstica: MT supera em 47% a média brasileira (59,4 vs 40,4 por 100 mil)

  • Mortes violentas: Taxa 43% maior que a nacional (6,6 vs 4,6 por 100 mil)

  • Abandono material: Ligeiramente acima da média (3,2 vs 2,9 por 100 mil)

A visualização reforça a gravidade da situação em Mato Grosso, onde nenhum indicador fica abaixo da média nacional, evidenciando um padrão consistente de maior vulnerabilidade das crianças e adolescentes no estado em relação ao resto do país.

Uma coroa de espinhos: a liderança em feminicídios

Não é um título que se comemore. Mato Grosso encerrou 2024 com a alarmante taxa de 2,5 feminicídios para cada 100 mil mulheres, um índice que coloca o estado em uma posição de destaque extremamente negativa no cenário nacional, sendo mais que o dobro da média brasileira de 1,4. Essa posição vergonhosa no topo do ranking brasileiro é a consolidação de um cenário de perigo persistente para a população feminina do estado.

Analisando a série histórica, a estabilidade dos números assusta. Em 2022, foram 54 casos. Em 2023, 52. No ano passado, 55 mulheres foram brutalmente assassinadas simplesmente por serem mulheres, indicando que o problema é crônico e profundo, resistindo a políticas públicas que, se existem, mostram-se insuficientes para frear a matança.

Advertisement

A ponta do iceberg

Para cada mulher morta, há um rastro de violência que a precede. As tentativas de feminicídio, um termômetro claro da escalada do ódio, também cresceram, saltando de 68 em 2022 para 85 em 2024. É um sinal de alerta que pisca em vermelho vivo, mostrando que dezenas de outras mulheres escaparam por pouco, mas vivem com a marca de um ataque que poderia ter sido fatal.

Esse ciclo de agressão se alimenta de uma cultura de violência que se manifesta no dia a dia. Apenas em 2024, foram registradas 25.102 ameaças, 15.430 casos de lesão corporal dolosa e 8.975 ocorrências de violência psicológica contra mulheres em Mato Grosso. São números que representam uma pressão cotidiana, um estado de medo constante que aprisiona mulheres em seus próprios lares, um ambiente que deveria ser de segurança.

Quando o gênero é a sentença

Em Mato Grosso, a violência letal tem um alvo preferencial. Quase metade (48,2%) das mortes violentas de mulheres no estado é classificada como feminicídio. O percentual é drasticamente superior à média brasileira, de 35,1%, o que demonstra que, aqui, a misoginia mata mais. Ser mulher em Mato Grosso é, estatisticamente, um fator de risco.

Essa realidade se insere em um contexto de violência generalizada. A taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do estado é de 29,8 por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional de 21,7.

No entanto, a letalidade policial tem um peso menor que a média do país, sugerindo que a maior parte dessa violência brota das relações interpessoais, no seio da comunidade e, tragicamente, dentro de casa.

Advertisement

 

Quer se informar sobre meio ambiente em MT? Acesse o site www.lupamt.com

DESTAQUE

Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

Published

on

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

Leia Também:  Filtro de relevância passa a exigir tópico obrigatório no recurso especial ao STJ

Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

Advertisement

Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

Leia também:

“Isso aqui é o matadouro”: vídeo mostra cães mortos e vivos em barracão sem luz do Zoonoses de Cuiabá

EXCLUSIVO:compras pela internet: o guia completo dos direitos do consumidor

Advertisement

EXCLUSIVO:Mato Grosso mata mais mulheres por serem mulheres;revela anunário

Leia Também:  Cuiabá caminha para 39°C no domingo, e Mato Grosso volta ao alerta laranja de baixa umidade

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA