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Tecnologia e segurança

O Fim da Linha a Partir de Março de 2026: A Nova Onda de Celulares que Perdem o WhatsApp

A partir de março de 2026, o WhatsApp deixará de funcionar em dezenas de celulares populares, atingindo diretamente modelos da Xiaomi, Redmi e POCO. A medida ocorre devido ao fim do ciclo de atualizações de segurança das fabricantes, o que inviabiliza o funcionamento seguro do mensageiro.

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celulares que perdem o WhatsApp em março de 202
Modelos populares da Xiaomi, Redmi e POCO que deixarão de receber patches de segurança perderão o acesso oficial ao WhatsApp a partir de março de 2026.

Se no início do ano o WhatsApp chamou a atenção ao cortar o suporte de celulares com mais de uma década de uso, a nova fase de descontinuação que se inicia a partir de março de 2026 traz um alerta ainda mais contundente para o mercado. O aplicativo, que transcendeu a função de mensageiro para se tornar uma infraestrutura crítica de negócios e serviços essenciais, começará a perder compatibilidade e segurança em uma série de smartphones consideravelmente mais recentes, lançados entre 2022 e 2023.

O foco desta nova onda atinge em cheio o ecossistema de marcas chinesas populares, notadamente a Xiaomi, e suas submarcas Redmi e POCO. A medida levanta um debate urgente sobre o ciclo de vida dos aparelhos, a obsolescência tecnológica acelerada e a segurança cibernética em mercados emergentes.

A engenharia por trás do corte: o fim das atualizações de segurança

Diferente dos cortes anteriores, focados na incapacidade de hardwares muito antigos (de 32 bits) de processarem o aplicativo, a onda que começa em março de 2026 está diretamente ligada ao fim do ciclo de vida oficial (End of Life – EOL) estipulado pelas fabricantes para as atualizações de sistema.

A partir de março de 2026, dezenas de modelos da Xiaomi deixarão de receber pacotes de segurança e atualizações do sistema HyperOS/MIUI. Para o WhatsApp, isso é um sinal vermelho. Aparelhos que não recebem mais patches de segurança da fabricante tornam-se celeiros de vulnerabilidades, expondo dados pessoais e bancários dos usuários a riscos de malwares e ataques cibernéticos.

Sem a garantia de um sistema operacional blindado, a Meta (controladora do WhatsApp) opta por não garantir o funcionamento pleno do aplicativo nesses dispositivos, pois não pode assegurar a integridade da sua prometida criptografia de ponta a ponta em um ambiente de software abandonado pela própria fabricante.

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O pano de fundo: inteligência artificial e regulação

Além das questões de segurança, há uma complexa guerra regulatória e tecnológica em andamento. A Meta tem injetado recursos pesados de Inteligência Artificial generativa (“Meta AI”) diretamente no fluxo de conversas. Ao mesmo tempo, está transformando agressivamente o WhatsApp Business em uma plataforma de atendimento corporativo automatizado.

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Para que essa nova infraestrutura pesada de catálogos virtuais e atendimento por Inteligência Artificial funcione sem engasgos e de forma segura, o aplicativo exige um ambiente de sistema operacional constantemente atualizado. Quando aparelhos de 2022 e 2023 param de receber melhorias de software em 2026, eles rapidamente deixam de suportar as inovações que a Meta implementa mês a mês, forçando a sua obsolescência para o uso do mensageiro.

A lista completa: aparelhos afetados

O bloqueio não ocorrerá em um único dia, mas seguirá um cronograma rigoroso baseado nas datas em que cada aparelho perde o suporte oficial da fabricante, com a grande maioria se concentrando a partir de março de 2026.

Confira a lista dos modelos que ficarão obsoletos e perderão o suporte de atualizações, impactando o uso seguro do WhatsApp:

Cortes iminentes em março de 2026:

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  • Redmi 12C: Fim do suporte em 10 de março de 2026

  • Xiaomi 12 e Xiaomi 12 Pro: Fim do suporte em 17 de março de 2026

  • Redmi Note 12 5G: Fim do suporte em 23 de março de 2026

  • Redmi A2 e Redmi A2+: Fim do suporte em 24 de março de 2026

Cortes nos meses seguintes de 2026: A onda que se inicia em março cria um efeito dominó que se estenderá pelo resto do ano para outros modelos populares da mesma geração:

  • Redmi Note 12 Pro: Abril de 2026

  • POCO F5 e POCO F5 Pro: Maio de 2026

  • Xiaomi 12 Lite: 1º de julho de 2026

  • Xiaomi Pad 6 / Redmi Pad SE: Entre julho e agosto de 2026

  • Xiaomi 12T e 12T Pro: 13 de outubro de 2026

  • Redmi 13C: 10 de novembro de 2026

(Nota: Alguns modelos da linha POCO, como o POCO X5 e X5 Pro 5G, já iniciaram esse processo de defasagem no mês de fevereiro de 2026).

Impacto severo e o “imposto tecnológico”

O fato de celulares lançados há apenas 3 ou 4 anos estarem perdendo o suporte levanta uma questão socioeconômica importante. Modelos como a linha Redmi Note 12 e a linha POCO são conhecidos por serem os “campeões de custo-benefício”, amplamente adquiridos pelas classes médias e baixas em mercados como o Brasil.

A interrupção precoce de atualizações soa como um pesado “imposto tecnológico” para o consumidor comum, pequenos empreendedores, motoristas de aplicativo e trabalhadores informais. Eles se veem forçados a contrair novas dívidas para trocar de aparelho em um curto espaço de tempo, apenas para garantir o acesso seguro à principal ferramenta de trabalho e comunicação do país.

O que fazer?

Se o seu aparelho está na lista dos que perdem suporte a partir de março, a ação deve ser estratégica. Embora o WhatsApp possa não parar de abrir instantaneamente no dia seguinte ao fim do suporte da Xiaomi, o uso se tornará progressivamente instável e, acima de tudo, inseguro.

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O primeiro passo é acessar as configurações do telefone e garantir que a última versão disponível do sistema (como o HyperOS ou a MIUI final para o seu modelo) esteja instalada. Em seguida, é imprescindível realizar o backup completo (cópia de segurança) das suas conversas e mídias para o Google Drive ou outro serviço de nuvem. Dessa forma, ao migrar obrigatoriamente para um smartphone mais recente, todo o seu histórico estará a salvo e pronto para ser restaurado.

 

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CONSUMIDOR

Preço de ultraprocessados cai e fica menor que o de alimentos in natura

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impacto reforma tributária cesta básica

Pesquisa da UFMG e do Idec aponta que inversão de valores ocorreu em 2024; produtos industrializados devem baratear ainda mais até 2026

O preço médio de alimentos ultraprocessados no Brasil registrou queda de cerca de 16% entre os anos de 2018 e 2024. O declínio fez com que, a partir do ano passado, a média de custo dos produtos industrializados se tornasse inferior à dos alimentos in natura ou minimamente processados.

A convergência de valores antecipa uma alteração de mercado prevista inicialmente pelos pesquisadores apenas para 2026. A mudança na dinâmica de custos afeta o padrão de consumo das famílias e levanta discussões sobre a aplicação de impostos seletivos.

Os dados integram estudos conduzidos pelo Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), elaborados em parceria com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

A trajetória dos custos

O relatório elaborado pelas entidades avalia a configuração atual como um “cenário preocupante”. Em 2018, o valor médio dos produtos ultraprocessados era de R$ 22,20. O preço recuou para R$ 18,80 em 2024. A categoria de alimentos processados acompanhou o movimento de queda, passando de R$ 26,10 para R$ 22,60 no mesmo intervalo.

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Os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários seguiram trajetória oposta. O grupo custava, em média, R$ 18,90 em 2018. Durante a pandemia de Covid-19, os produtos registraram aumento, atingindo o pico de R$ 21,30 em 2021. Em 2024, após ligeira redução, a categoria fechou com média de R$ 18,60.

O levantamento detalha o impacto nos itens que compõem a rotina alimentar do país. O arroz polido encareceu de R$ 4,50 em 2018 para R$ 5,90 em 2024. O feijão passou de R$ 7,10 para R$ 9,30 no período, mantendo-se em patamar acima de R$ 9 desde 2020. A banana prata saltou de R$ 6,60 para R$ 8,20, com alta ininterrupta a partir de 2021. O estudo classifica a cotação do azeite no ano passado, estabelecida em R$ 63,70 por quilo, como um “valor alarmante”.

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Na seção dos ultraprocessados, o refrigerante sabor cola recuou de R$ 5,60 para R$ 4,70 por litro entre 2018 e 2024. A mortadela caiu de R$ 21,10 para R$ 15,10, com redução contínua após 2020. A margarina encerrou o ano passado custando R$ 13,90 por quilo, cifra inferior aos R$ 15,80 registrados em 2018. O iogurte com sabor diminuiu de R$ 16 para R$ 14,70 por quilo no mesmo recorte temporal.

Projeções e clima

A pesquisa aponta que eventos extremos vinculados às mudanças climáticas, como secas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção agrícola. O impacto restringe a oferta de frutas, verduras, legumes e grãos, pressionando os preços e afetando a disponibilidade para a população.

A tendência projetada pelas entidades para o biênio 2025-2026 indica manutenção da queda de preço dos ultraprocessados. A categoria tem previsão de atingir média de R$ 18,40 por quilo em 2025 e R$ 17,90 por quilo em 2026.

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Os alimentos in natura, minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter estabilidade relativa. A projeção para o grupo é de R$ 19,50 em 2025 e R$ 19,60 em 2026. Diante dos números, o relatório alerta para a necessidade de políticas públicas de isenção fiscal para alimentos saudáveis e de tributação sobre os industrializados.

Reforma Tributária

Um segundo estudo elaborado pela UFMG e pelo Idec avaliou os desdobramentos da Reforma Tributária sobre a dieta nacional. O texto indica que a mudança nos hábitos dependerá da aplicação do imposto seletivo e das regras de isenção sobre a nova cesta básica.

Os dados mostram que os itens da cesta básica apresentam menor sensibilidade a variações de preço, com consumo alterado em menor escala. Em contrapartida, produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas possuem alta sensibilidade em relação à renda e ao preço. Se o rendimento familiar cresce, a ingestão destes produtos aumenta de forma acelerada. Quando frutas e verduras ficam mais caras, ocorre a substituição por itens como pães, biscoitos e refrigerantes.

A modelagem indica que restringir o imposto seletivo exclusivamente aos refrigerantes é medida insuficiente para conter o avanço no consumo dos ultraprocessados. A simulação da Reforma Tributária demonstra que as alterações causam pouca variação no consumo total de alimentos, mas promovem redistribuição: há pequena redução nos gastos com itens básicos e aumento moderado na compra de ultraprocessados.

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Como foi feito

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A análise dividiu-se em dois estudos. O primeiro aferiu a evolução de preços utilizando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua). Os valores foram deflacionados para dezembro de 2024 e os itens separados pelo sistema de classificação Nova. O recorte avaliou dados de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. As projeções até o final de 2026 usaram modelos ARIMA.

O segundo estudo analisou o impacto da Reforma Tributária empregando a POF 2017-2018 (IBGE), com informações de mais de 57 mil domicílios em todas as regiões. O trabalho simulou dois cenários: o imposto seletivo apenas sobre refrigerantes (proposta atual) e o tributo incidente sobre todos os ultraprocessados (proposta da sociedade civil).

Entenda os termos metodológicos

  • QUAIDS (Quadratic Almost Ideal Demand System): modelo econométrico para medir como mudanças de preço e renda afetam o consumo.
  • Elasticidades de demanda: métrica que define a variação do consumo de um produto mediante alteração de preço ou renda.
  • Diferenças-em-Diferenças (DiD): técnica de simulação que isola o efeito causal da Reforma Tributária sobre a alimentação.
  • Bootstrap paramétrico: técnica estatística usada para validar resultados na pesquisa.

 

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