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Crise logística

Greve dos caminhoneiros é suspensa após governo publicar MP que bloqueia frete abaixo do piso

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greve caminhoneiros suspensa MP 1343 2026 piso mínimo frete

Assembleia em Santos recua da paralisação; Mato Grosso aguarda prazo até 27 de março para decidir sobre ICMS do diesel importado

As principais lideranças dos caminhoneiros decidiram, na tarde desta quinta-feira (19), em assembleia realizada em Santos, não deflagrar a paralisação nacional imediata. A mudança de postura ocorreu após o governo federal publicar a Medida Provisória nº 1.343/2026, que torna obrigatório o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações de frete e impede a emissão do código quando o valor contratado ficar abaixo do piso mínimo — na prática, um bloqueio automático na origem. A Abrava e o Sindicam optaram por manter o diálogo, mas a categoria permanece em “estado de paralisação” enquanto monitora o cumprimento das novas regras e o preço do diesel.

O recuo e a MP que mudou o jogo

A MP nº 1.343/2026, assinada pelo presidente Lula em 19 de março, altera a Lei nº 13.703/2018 e é a resposta concreta que a categoria aguardava publicada no Diário Oficial. O mecanismo central é direto: sem o CIOT emitido dentro do valor do piso, o caminhão fica impedido de circular legalmente. A fiscalização deixa de ser apenas presencial e passa a cruzar dados da ANTT, da Receita Federal e dos fiscos estaduais em tempo real, com o CIOT vinculado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e).

As penalidades são pesadas. Contratantes que descumprirem o piso podem ser multados entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por operação irregular. Empresas com mais de três autuações em seis meses podem ter o registro no RNTRC suspenso por até 45 dias ou cancelado por dois anos. A punição pode alcançar sócios e grupos econômicos. Os Transportadores Autônomos de Cargas (TAC) ficam protegidos — as suspensões de registro se aplicam apenas às empresas contratantes.

Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, havia declarado pela manhã: “A partir de amanhã diremos se o que foi apresentado atendeu o segmento ou não.” A publicação da MP no decorrer do dia foi o elemento que moveu o ponteiro.

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Mato Grosso: diesel a R$ 8,00 e prazo para decidir sobre ICMS

Mato Grosso não aderiu formalmente à paralisação e acompanha o desfecho nacional com cautela. O governo do estado foi um dos que pediram prazo até 27 de março para avaliar a proposta federal de zerar o ICMS sobre o diesel importado, sem assinar o acordo de imediato. A pressão local, no entanto, é real: o diesel chegou a R$ 8,00 por litro em algumas localidades do Centro-Oeste, o valor mais alto do país, e postos chegaram a estabelecer cotas de 200 a 300 litros por caminhão.

Com a MP, a fiscalização em Mato Grosso ganha uma camada nova. A Secretaria de Fazenda do estado (SEFAZ-MT) passa a compartilhar dados do MDF-e com a ANTT em tempo real: se o valor do frete registrado na nota fiscal ficar abaixo do piso para aquela rota e carga, o sistema gera alerta automático de irregularidade. Nas rodovias estratégicas do estado — BR-163 e BR-364 —, agentes da ANTT e da Polícia Rodoviária Federal estão autorizados a reter veículos cujo frete não tenha sido pago por meios eletrônicos homologados.

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As multas locais também foram endurecidas: para o embarcador ou transportadora, 5% do valor da carga (mínimo de R$ 5 mil) por operação irregular; em caso de reincidência, suspensão da inscrição estadual. O Sindicam-MT e a Aprosoja criaram comitês de monitoramento, com canal de denúncia via aplicativo da ANTT ou diretamente nos postos da SEFAZ para motoristas que receberem oferta abaixo da tabela.

Para os caminhoneiros autônomos de Mato Grosso, a MP representa uma chance concreta de o frete subir na prática — e foi essa percepção que segurou a adesão ao movimento nesta quinta.

A outra batalha: portuários e o PL 733

Enquanto a crise do diesel se encaminha para uma trégua negociada, os trabalhadores portuários avulsos continuam uma disputa de natureza diferente. O PL 733/2025, protocolado na Câmara em fevereiro de 2025 a partir de anteprojeto elaborado pela Ceportos — comissão criada pelo então presidente Arthur Lira —, prevê o fim da exclusividade dos avulsos nos portos públicos, extinção de quatro categorias sindicais, permissão ampla de terceirização e substituição do OGMO por Empresas Prestadoras de Trabalho Portuário.

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As três federações nacionais que representam a categoria — FNP, FNE e Fenccovib — têm mais de 50 mil filiados em 151 sindicatos. Em outubro de 2024, uma greve de 12 horas atingiu 32 portos no país. Em setembro de 2025, nova paralisação de 24 horas em Santos; um estivador fez greve de fome em Brasília contra o projeto. Nenhuma fonte registrou indicativo formal de greve dos portuários avulsos em março de 2026. A mobilização existe, mas seu gatilho é legislativo.

O peso do porto e o que estava em jogo

Santos fechou 2025 com 186,4 milhões de toneladas movimentadas — recorde histórico — e responde por 29,6% do comércio exterior brasileiro em valor. Março é o pico do escoamento da safra de soja e milho: soja e farelo somaram 44,9 milhões de toneladas pelo porto em 2025, alta de 18,9%. Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, está no centro desse fluxo.

Uma paralisação que envolvesse caminhoneiros do Centro-Oeste e os trabalhadores portuários de Santos ao mesmo tempo teria impacto de centenas de milhões de reais por dia — cada dia parado exige de cinco a seis dias para a recuperação da normalidade operacional. A MP publicada hoje afastou esse risco imediato, mas a categoria deixou claro que permanece em estado de alerta.

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O que vem agora

O prazo de 27 de março, quando Mato Grosso e outros estados devem dar sua resposta sobre o ICMS do diesel importado, é a próxima data crítica. Se os governadores não aderirem à proposta federal de desoneração, parte do alívio no preço do combustível deixa de existir e a pressão sobre a categoria volta. A MP nº 1.343/2026 entrou em vigor imediatamente, mas sua eficácia depende da velocidade com que a nova fiscalização eletrônica sai do papel e chega às estradas e aos sistemas da SEFAZ-MT e da ANTT.

Para verificar se um frete está de acordo com o piso mínimo, a ANTT disponibiliza uma calculadora oficial e uma fórmula padrão atualizada pela Portaria SUROC nº 3/2026, publicada em 13 de março de 2026.

Como usar a Calculadora da ANTT

A forma mais rápida é acessar a Calculadora de Fretes no portal oficial:
  1. Tipo de Carga: Selecione entre as 12 categorias (ex: Granel Sólido, Carga Geral, Conteinerizada).
  2. Número de Eixos: Informe o total de eixos carregados da composição.
  3. Distância: Insira a quilometragem total da rota (ex: Sorriso-MT até Miritituba-PA).
  4. Operação: Marque se há “Retorno Vazio” ou se é uma operação de “Alto Desempenho”.

Exemplo prático (valores estimados)

Para uma carga geral em um veículo de 5 eixos percorrendo 408 km:
  • CCD: R$ 5,11 por km.
  • CC: R$ 612,84.
  • Cálculo: $(408 \times 5,11) + 612,84 = \mathbf{R\$ 2.697,72}$. [5]

Dicas importantes para Mato Grosso/MT

  • Diesel de Referência: O cálculo atual da ANTT considera o Diesel S10 a R$ 6,89/litro. Se no posto em MT o valor estiver muito acima disso, a tabela pode sofrer novo reajuste em breve (gatilho de 5%).
  • Fiscalização Eletrônica: Lembre-se que o CIOT agora é bloqueado automaticamente pelo sistema se o valor inserido no contrato for menor que o resultado dessa fórmula. [6]

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AGRONEGÓCIO

Projeto que dá poder de veto ao Mapa contra ‘canetadas’ ambientais avança na Câmara

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O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5900/2025, uma proposta que cria um “freio de arrumação” na edição de normas federais e estabelece uma etapa obrigatória de avaliação técnica para qualquer medida que impacte o agronegócio.

Fruto de uma articulação direta da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o texto determina que regras sobre produção, cultivo, manejo, transporte ou comercialização no campo passem pelo crivo prévio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A medida ataca a insegurança jurídica que vinha travando licenças ambientais e linhas de crédito rural no País.

O projeto, de autoria do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, traz como principal trunfo o caráter vinculante da manifestação do Mapa. Na prática, a análise econômica e de abastecimento feita pela pasta da Agricultura terá peso decisivo. Atos federais editados por outros órgãos (como o Ministério do Meio Ambiente ou Ibama) sem essa consulta prévia perderão a validade jurídica em relação às atividades produtivas afetadas.

A movimentação da FPA ocorreu em resposta a um gargalo que vinha tirando o sono dos produtores: o enquadramento de espécies de altíssima relevância econômica em regimes regulatórios restritivos por órgãos ambientais, tratando culturas tradicionais quase como ameaças ou invasoras.

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A coordenação de Meio Ambiente da bancada, que relatou o projeto por meio do deputado Pezenti (MDB-SC), sustentou que a falta de uma análise técnica integrada vinha gerando prejuízos severos na base produtiva, dificultando a renovação de licenças e fazendo com que bancos questionassem a liberação de custeio. Com o texto costurado pela frente parlamentar, ficam protegidas contra restrições surpresas cadeias como:

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  • Aquicultura e Pesca: Cultivos de tilápia, tambaqui e camarão cinza;

  • Silvicultura: Florestas plantadas de eucalipto e pinus;

  • Fruticultura Tropical: Pomares de manga, goiaba e outras variedades;

  • Pecuária: Pastagens de brachiaria, base da carne bovina nacional.

A tese defendida pela FPA é de que a conservação ambiental e a produção agropecuária não são agendas excludentes, mas complementares. O foco do trabalho institucional foi blindar quem produz de normas redigidas por corpos burocráticos sem diálogo com a realidade prática do campo.

Para garantir que a proposta não fosse derrubada por vício de iniciativa (quando o Legislativo tenta interferir diretamente na estrutura interna do Poder Executivo), a FPA desenhou uma estratégia jurídica rigorosa no substitutivo aprovado em Plenário.

Em vez de propor alterações na lei de organização dos ministérios, a bancada deslocou a nova regra diretamente para a Lei nº 8.171/1991, que institui a Política Agrícola Nacional. Essa engenharia jurídica protege o projeto contra futuros questionamentos nos tribunais e consolida a coordenação institucional como um princípio definitivo da política de Estado para o campo. A aprovação foi defendida pelos membros da frente como uma qualificação da tutela ambiental, obrigando o governo federal a sentar à mesa de forma coordenada antes de emitir qualquer portaria ou decreto normativo.

A aprovação do projeto pela Câmara representa uma vitória institucional robusta para a FPA e sinaliza estabilidade para o planejamento de longo prazo do setor, fator essencial para o fechamento de contratos internacionais e atração de capital privado para o agro.

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Ao exigir uma análise de impacto socioeconômico antes de qualquer nova exigência regulatória, a medida estruturada pela bancada visa evitar o desabastecimento, proteger postos de trabalho no interior e impedir o encarecimento de alimentos fundamentais na mesa dos brasileiros. O texto segue agora para as próximas etapas de tramitação no rito legislativo.

Fonte: Pensar Agro

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