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SAÚDE E CIÊNCIA

Perda de peso paterna antes da concepção reverte risco de diabetes herdado pelos filhos, diz estudo

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obesidade paterna e diabetes
Espermatozoides em ambiente laboratorial. Estudo revela que a saúde do homem no momento da concepção afeta diretamente o metabolismo e o risco de diabetes dos futuros filhos.

Estudo revela que espermatozoides de homens obesos carregam moléculas que alteram o metabolismo da prole, mas o emagrecimento prévio anula o efeito.

A obesidade paterna no momento da concepção transmite silenciosamente uma pré-disposição ao diabetes para os filhos através de alterações nos espermatozoides. A descoberta, detalhada em estudo recente publicado na revista Nature Communications, mostra que o emagrecimento do pai antes de ter um filho reverte completamente esse risco herdado.

O achado redefine a importância da saúde do homem no planejamento familiar. Até então, o foco clínico recaía majoritariamente sobre a gestante. Agora, de acordo com o material divulgado na segunda-feira (30) pela Agência FAPESP, pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovam que homens com sobrepeso severo transferem moléculas celulares que danificam a forma como o bebê processará energia no futuro.

O mecanismo do risco

O processo de transmissão hereditária ocorre por meio de pequenas moléculas chamadas microRNAs, especificamente as variações let-7d e let-7e. Homens obesos concentram um excesso dessas moléculas no tecido adiposo e no esperma.

Durante a fecundação, esse excesso é transferido ao embrião e inibe a produção da enzima DICER, crucial para a regulação genética. Sem essa enzima, as mitocôndrias — responsáveis pela produção de energia das células — sofrem danos. Isso reprograma o tecido adiposo do filho, que passa a apresentar intolerância à glicose e resistência à insulina, os primeiros passos para o diabetes tipo 2.

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Os testes de laboratório indicaram que filhotes machos sofrem mais com essa herança. O bioquímico Jan-Wilhelm Kornfeld, que coordenou a pesquisa, explica a diferença. “No caso das fêmeas também notamos uma tendência [à disfunção metabólica], mas não estava tão pronunciada como nos machos. É como nos humanos: as mulheres são metabolicamente mais resilientes.”

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Reversão em humanos

Para confirmar se o quadro poderia ser evitado, os cientistas acompanharam 15 homens com obesidade severa (Índice de Massa Corporal próximo a 40) que fariam tratamentos de fertilidade. Análises iniciais mostraram o excesso do microRNA let-7 no sêmen dos pacientes.

Após seis meses de reeducação alimentar e mudanças no estilo de vida, as taxas da molécula caíram de forma expressiva. “Os resultados mostram que, quanto mais o indivíduo perdia peso, menores eram os níveis de let-7 no sêmen”, afirma o pesquisador Marcelo Mori, líder da equipe da Unicamp envolvida no projeto.

Como foi feito: a prova em laboratório

Em experimentos com camundongos, animais saudáveis foram submetidos a uma dieta rica em gorduras. A prole desses machos obesos nascia com peso normal, mas desenvolvia a disfunção metabólica dias depois. Para provar a culpa do microRNA let-7, os cientistas o injetaram em embriões de roedores magros, o que causou exatamente os mesmos danos à saúde da prole. Em contrapartida, quando os pais obesos passavam nove semanas em uma dieta padrão e voltavam ao peso ideal, o excesso da molécula desaparecia do esperma, e os novos filhotes nasciam totalmente saudáveis.

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O documento conclui que o esperma atua como um espelho da saúde do homem no momento da concepção. Os pesquisadores apontam que qualquer condição de desequilíbrio — seja má alimentação, estresse crônico ou infecções — reduz as chances de a criança nascer saudável, indicando a necessidade de maior atenção médica ao estado clínico dos pais antes da gravidez.

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Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

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Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

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Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

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