Levantamento do Imea
Produtividade da soja em MT cresce 9,2% na safra 25/26
A produtividade da soja em Mato Grosso sobe para 66,03 sacas por hectare na safra 2025/26, 9,23% acima do ciclo anterior. A produção estimada é de 51,56 milhões de toneladas, segundo o relatório Imea em Campo, com Oeste liderando o acréscimo em volume e Centro-Sul com o maior ganho de produtividade.
Nova estimativa do Imea, feita após levantamento em 103 municípios, aponta Oeste com o maior acréscimo em volume
A produtividade média da soja em Mato Grosso na safra 2025/26 deve chegar a 66,03 sacas por hectare, 9,23% acima das 60,45 sacas do ciclo anterior. O número consta do relatório “Imea em Campo — Etapa Soja”, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária em março de 2026, depois de um levantamento que cobriu 103 municípios e 97,92% da área plantada do estado. A produção total foi revisada para 51,56 milhões de toneladas.
Levantamento percorreu 34 mil quilômetros
A etapa Soja do levantamento se estendeu por 71 dias entre dezembro, janeiro e fevereiro, somou 34.880 km percorridos e resultou em 998 avaliações a campo, aumento de 24,43% na comparação com a temporada anterior. As avaliações foram divididas entre lavouras em período inicial (R3 a R4), intermediário (R5 a R6) e final (R7 a R8), com mais avaliações nas fases finais, quando a estimativa de produtividade é mais precisa.
A classificação visual considerou condições gerais e incidência de pragas, doenças, plantas daninhas e grãos avariados. As medições a campo envolveram número de plantas por hectare, vagens por planta, grãos por planta, peso de grãos e umidade.
Centro-Sul lidera o ganho de produtividade; Oeste lidera em volume
A produtividade subiu em todas as regiões avaliadas ante a estimativa anterior à colheita. Na Centro-Sul, o ganho foi de 8,4 sc/ha sobre a projeção. O Oeste ficou logo atrás, com 8,3. Já o Médio-Norte somou 4 sc/ha a mais.
No ranking entre regiões, Norte (67,68 sc/ha) e Médio-Norte (65,9 sc/ha) aparecem acima da média estadual. A região Sudeste, embora tenha melhorado a produtividade comparada ao início do ciclo, continua entre as de menor desempenho, com 65,4 sc/ha.
Em volume, o Oeste acrescenta 1.041 mil toneladas à estimativa anterior, o maior valor entre as regiões. Na sequência estão Sudeste (869 mil t), Médio-Norte (789 mil t), Nordeste (583 mil t), Norte (417 mil t), Centro-Sul (416 mil t) e Noroeste (260 mil t).
Área plantada sobe 1,7% e chega a 13 milhões de hectares
A área plantada da safra 2025/26 foi estimada em 13,013 milhões de hectares, aumento de 1,71% ante a safra 2024/25. Combinadas, produtividade e área levaram a produção estimada para 51,56 milhões de toneladas, 1,31% a mais que o ciclo anterior e 9,27% acima da projeção feita antes das avaliações em campo.
Qualidade melhora, com menos grãos avariados
A proporção de lavouras sem grãos avariados subiu na comparação anual, de 80,2% na safra 24/25 para 83,6% na 25/26, ganho de 3,4 pontos percentuais. Centro-Sul e Médio-Norte têm a maior fatia de avaliações sem avariados, enquanto Norte e Médio-Norte aparecem com mais lavouras que tiveram grãos moderadamente ou muito avariados.
No recorte qualitativo, o Norte teve o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes. Oeste, Centro-Sul e Noroeste apresentam mais lavouras boas a médias, e o Sudeste manteve o maior percentual de ruins.
A incidência de pragas foi menor nas regiões Oeste e Norte, com predomínio de Euschistus spp., Dichelops spp. e Spodoptera spp. entre as mais comuns. Em relação a doenças, Norte, Médio-Norte e Noroeste tiveram as lavouras com menos danos; as mais frequentes foram cercosporiose e mancha bacteriana.
Milho 2ª safra tem semeadura atrasada pelo solo encharcado
A segunda safra de milho 2025/26 começou com atraso na semeadura em relação à média dos últimos cinco ciclos, conforme os dados do Imea. O solo encharcado dificultou as operações, e a região Sudeste teve o maior percentual de áreas plantadas fora da janela ideal. A estimativa é de 1,17 milhão de hectares semeados depois de 28 de fevereiro, número próximo ao 1,09 milhão do ciclo passado.
Mesmo com o atraso, a projeção atual aponta para 7,39 milhões de hectares, 116,61 sacas por hectare e produção de 51,72 milhões de toneladas de milho no estado.
Exportação responde por quase dois terços da demanda de soja
O balanço de oferta e demanda do Imea registra oferta total de 51,84 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, com produção de 51,56 milhões e estoque inicial de 0,29 milhão. Os 51,73 milhões de toneladas da demanda se dividem entre exportação (32,10 milhões), consumo dentro do estado (13,93 milhões) e consumo no mercado interno nacional (5,70 milhões). O estoque final ficou em 0,11 milhão, queda de 62,07% na comparação anual.
Até março, 63,31% da soja da safra 2025/26 já estavam comercializados, a preço ponderado de R$ 108,62 por saca, variação positiva de 4,33 pontos percentuais ante o mesmo período do ciclo anterior.
Próximos passos dependem do clima
A transição do fenômeno La Niña para neutralidade deve favorecer precipitações dentro da normalidade em abril e maio no estado, segundo a projeção climática do relatório. A estimativa final da safra depende das condições climáticas nos próximos meses. A próxima etapa do levantamento, focada em milho, deve trazer os dados de campo da 2ª safra.
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AGRONEGÓCIO
Inadimplência no crédito rural chega a 6,5% e impulsiona solução que mede risco produtivo no agronegócio
Inadimplência no crédito rural cresce e pressiona sistema financeiro do agronegócio
O aumento da inadimplência no crédito rural e a pressão sobre as carteiras agrícolas das instituições financeiras têm acelerado a busca por novas ferramentas de avaliação de risco no agronegócio.
De acordo com dados do Banco Central, o volume de dívidas rurais renegociadas no país já soma R$ 37 bilhões, enquanto a inadimplência do crédito rural alcançou cerca de 6,5% em 2025, mais que o dobro do registrado no ano anterior.
O cenário é influenciado por custos elevados de produção, volatilidade das commodities agrícolas e eventos climáticos extremos que afetam diretamente a produtividade no campo.
Modelo tradicional de crédito não considera capacidade produtiva do campo
Apesar dos avanços nas análises financeiras, a avaliação de risco no crédito rural ainda é baseada, em grande parte, no histórico financeiro e no comportamento de pagamento dos produtores.
Na prática, a capacidade produtiva das propriedades rurais não costuma ser incorporada de forma estruturada, o que cria uma lacuna importante na análise de risco do setor.
Picsel lança primeiro Score de Risco Produtivo do mercado brasileiro
Para reduzir essa lacuna, a Picsel, empresa especializada em inteligência de dados aplicada ao agronegócio, lançou o primeiro Score de Risco Produtivo do mercado brasileiro.
A solução tem como objetivo medir a capacidade produtiva das lavouras e oferecer a bancos, cooperativas de crédito e empresas do setor uma nova camada de informação para apoiar decisões financeiras no campo.
Tecnologia utiliza mais de 30 anos de dados agrícolas
O modelo desenvolvido pela empresa analisa mais de 30 anos de dados agrícolas, contemplando até 30 safras por área produtiva.
As cinco safras mais recentes recebem maior peso na análise, permitindo que o indicador reflita com mais precisão as condições atuais das propriedades rurais.
A base de dados cobre todo o território nacional, com foco nas culturas de soja e milho, que juntas representam cerca de 88% da produção de grãos do Brasil.
Integração de satélite, clima e solo aumenta precisão do score
Para gerar o Score de Risco Produtivo, a solução integra diferentes fontes de dados, como imagens de satélite, informações climáticas históricas, características de solo e bases públicas como MapBiomas e o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Também são utilizados dados de satélites como Sentinel e da NASA, além de informações meteorológicas e indicadores de produtividade agrícola.
Essas informações são processadas por modelos proprietários de inteligência artificial, que resultam em um índice único de risco produtivo por área analisada.
Avaliação é feita por área produtiva e não por produtor rural
Um dos diferenciais da tecnologia é que a análise é realizada por área produtiva específica, e não diretamente pelo produtor rural.
Isso significa que um mesmo produtor pode apresentar diferentes níveis de risco de acordo com cada propriedade ou talhão agrícola.
Score varia de 0 a 1000 e estima capacidade produtiva
O resultado do modelo é uma pontuação que varia de 0 a 1000, em que valores mais altos indicam menor risco produtivo e maior estabilidade na produção agrícola.
Além da pontuação, a plataforma também estima a capacidade produtiva média da área analisada, em quilos por hectare, permitindo maior precisão na projeção de receitas no campo.
Ferramenta apoia bancos, cooperativas e empresas do agro
Na prática, o indicador funciona como um termômetro de risco agrícola para bancos, fintechs, cooperativas de crédito, tradings e empresas da cadeia agroindustrial.
Com essas informações, as instituições podem ajustar políticas de crédito, calibrar taxas de juros, exigir garantias adicionais ou ampliar limites para produtores com menor risco produtivo.
A ferramenta também permite relacionar diretamente quebra de safra e inadimplência, contribuindo para a gestão de risco e para o provisionamento de perdas de crédito (PDD).
Integração entre produção e crédito amplia precisão na análise de risco
Segundo o CEO da Picsel, Vitor Ozaki, a incorporação da dimensão produtiva torna a avaliação de risco mais completa e alinhada à realidade do agronegócio.
Ele destaca que, ao considerar a capacidade de produção, o mercado financeiro passa a entender melhor o impacto de eventos como quebras de safra na capacidade de pagamento dos produtores rurais.
Inteligência de dados tende a ganhar espaço no financiamento do agro
Para a empresa, o uso combinado de inteligência de dados, histórico produtivo e modelagem algorítmica tende a se tornar cada vez mais relevante no financiamento do agronegócio.
A expectativa é que esse tipo de solução contribua para decisões mais precisas, maior segurança nas operações de crédito e melhor adequação das ofertas ao perfil de cada produtor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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