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Violência letal

Homicídio de jovens cresce 42% em Mato Grosso e estado entra no top 7 nacional

Mato Grosso registrou 536 jovens de 15 a 29 anos assassinados em 2024 — alta de 46,4% no número absoluto e de 41,9% na taxa por 100 mil habitantes em relação a 2019. No mesmo quinquênio, a taxa brasileira caiu 11%. O estado é a sétima posição do ranking nacional na faixa etária e a primeira em variação positiva no recorte de homens jovens (+54,5%). Os dados constam do Atlas da Violência 2026, do Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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Taxa estadual sobe enquanto Brasil reduz mortes na faixa de 15 a 29 anos, segundo o Atlas da Violência 2026

Em 2024, 536 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados em Mato Grosso. O número representa alta de 46,4% em relação a 2019 e taxa de 57,2 homicídios por 100 mil jovens, patamar 41,9% superior ao registrado cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil reduziu em 11% a taxa de mortes nessa faixa etária. Os dados estão no Atlas da Violência 2026, do Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Cinco anos consecutivos em alta

Em 2019, o indicador mato-grossense atingiu o vale do período, 40,3 por 100 mil, antes de iniciar trajetória ascendente que segue até 2024, com leve recuo apenas em 2021. Naquele último ano, a taxa fechou em 57,2, patamar mais alto desde 2018, quando registrava 52,2.

Enquanto a taxa nacional caía de 47,4 em 2019 para 42,2 em 2024, em queda de 11%, a trajetória mato-grossense foi oposta. O comportamento se mantém ao longo de todo o quinquênio recente.

Na década anterior, o estado havia recuado fortemente. A taxa de 77,3 registrada em 2014 foi reduzida ano a ano até o piso de 2019, queda de 47,9% no quinquênio. A reversão da curva a partir de 2020 desfez parte desse ganho. Em 2024, o indicador está 26% abaixo do nível de 2014, recuperação menos intensa que a média nacional de 33,9% no mesmo horizonte.

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Mais de 9 em cada 10 vítimas são homens

A violência letal contra a juventude mato-grossense é, antes de tudo, contra homens. Dos 536 jovens assassinados no estado em 2024, 496 eram do sexo masculino, ou 92,5% das vítimas da faixa etária.

Entre os 15 e 29 anos, a taxa de homicídio masculino atingiu 110 por 100 mil em Mato Grosso em 2024, alta de 54,5% sobre 2019, quando era 71,2. É a maior variação positiva entre os estados brasileiros nesse recorte demográfico no quinquênio analisado.

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Os jovens concentram quase metade da letalidade total do estado. Em 2024, Mato Grosso registrou 1.102 homicídios oficiais e os 536 mortos entre 15 e 29 anos representaram 48,6% das vítimas. Quando se somam as Mortes Violentas por Causa Indeterminada que a metodologia de Cerqueira e Lins (2024) reclassifica como homicídios, o total estimado para o estado sobe para 1.145.

Por trás dessas mortes estão fatores estruturais que vão além do crime urbano clássico, explica o Atlas: normas de masculinidade que estimulam a exposição ao risco e a naturalização da agressividade como traço esperado de jovens homens. Para tornar a prevenção mais eficaz, o relatório defende a inclusão, no ambiente escolar, de formas não violentas de resolução de conflitos.

Sétimo no Brasil

Com 57,2 homicídios por 100 mil jovens em 2024, Mato Grosso ocupa a sétima posição no ranking nacional da faixa etária. À frente aparecem Amapá (114,7), Bahia (101,8), Pernambuco (84,6), Alagoas (82,1), Ceará (77,6) e Maranhão (57,4).

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Todos das regiões Norte e Nordeste, os seis estados acima de Mato Grosso ocupam territórios historicamente associados às maiores taxas de violência letal do país. O estado é o único do Centro-Oeste no terço superior do ranking, em patamar comparável ao de unidades de fronteira amazônica como Pará (50,1) e Amazonas (55,7). Mato Grosso do Sul, na mesma região, registrou 31,4, quase metade da taxa mato-grossense.

Mato Grosso contraria a tendência nacional de queda no quinquênio

No quinquênio 2019–2024, o estado é apontado pelo Atlas entre os cinco com maior aumento da taxa geral de homicídios, com alta de 14,1%, ao lado de Ceará (+28%), Maranhão (+25,9%), Piauí (+20,5%) e Rondônia (+15,2%). No mesmo período, a taxa nacional caiu 8,6%.

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A composição da letalidade também mudou. Mortes por arma de fogo em Mato Grosso cresceram 42% em cinco anos, e a proporção desses homicídios no total estadual subiu de 55,3% em 2019 para 63,8% em 2024, em movimento contrário à média brasileira, que ficou estável. Em paralelo, três municípios mato-grossenses entraram no grupo das cidades mais violentas do Brasil com mais de 100 mil habitantes, com Sorriso na 11ª posição nacional (62,8 homicídios por 100 mil) e único município do Centro-Oeste entre os 20 primeiros do ranking.

A capital, Cuiabá, registrou em 2024 alta de 8,4% na taxa de homicídio em relação a 2023, interrompendo uma trajetória de queda de 63,4% no horizonte 2014–2024. Cuiabá aparece junto com Belo Horizonte (+59,1%), Fortaleza (+26%), Belém (+20,3%) e São Paulo (+8,5%) entre as capitais com aumento da taxa entre 2023 e 2024.

 

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Setasc alerta sobre golpes no cadastro do programa Repesca

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Repesca

Inscrição para auxílio financeiro a pescadores artesanais é gratuita. Estado aciona municípios e colônias para combater desinformação.

A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) identificou riscos de fraudes contra pescadores profissionais artesanais de Mato Grosso durante a reabertura do cadastramento no programa Repesca, iniciada nesta terça-feira (26). A pasta emitiu um alerta oficial para coibir a cobrança indevida de taxas por intermediários.

O Repesca opera como um sistema virtual criado para assegurar assistência financeira aos profissionais do setor afetados pelas restrições da Lei Estadual nº 12.197/2023, conhecida como Lei do Transporte Zero. A legislação proíbe temporariamente o transporte, o armazenamento e a comercialização do pescado nos rios do estado. A disseminação de falsas exigências financeiras afeta diretamente o acesso dos trabalhadores ao benefício compensatório.

“O cadastro do Repesca é gratuito. Nenhum servidor, instituição ou terceiro está autorizado a cobrar qualquer valor para realizar a inscrição”, afirmou o secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes. “Orientamos os pescadores a desconfiarem de pedidos de pagamento e buscarem sempre os canais oficiais do Governo do Estado”.

Fake news e impacto previdenciário

Além da cobrança ilegal de taxas, a Setasc mapeou a circulação de informações falsas sobre os impactos do programa na vida funcional dos trabalhadores. Os boatos sugerem que a adesão ao sistema de auxílio financeiro estadual resultaria na suspensão de aposentadorias ou geraria passivos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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O governo estadual desmentiu a interferência administrativa entre os sistemas. O recebimento do benefício estadual ocorre de forma independente e não cruza dados impeditivos com a autarquia federal.

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“O Repesca não interfere na aposentadoria e não prejudica benefícios previdenciários. Essa informação é falsa e acaba gerando insegurança entre os pescadores e suas famílias”, disse Gomes.

Para conter a desinformação na base, a Setasc expediu ofícios às secretarias municipais de Assistência Social e às colônias de pescadores. O documento formaliza um pedido de apoio aos entes locais para a orientação correta dos profissionais, tanto sobre o funcionamento operacional do programa quanto no combate aos boatos estruturados.

Critérios de elegibilidade e Lei do Transporte Zero

O acesso aos recursos exige o enquadramento em um perfil socioeconômico estrito. O auxílio atende exclusivamente aos pescadores profissionais artesanais que exercem a atividade de forma autônoma. O trabalho pode ser executado individualmente ou em regime de economia familiar.

A regra exclui trabalhadores com qualquer tipo de vínculo empregatício formal ativo. O Estado exige a comprovação de que a pesca artesanal representa o principal meio de subsistência do núcleo familiar impactado pela paralisação das atividades comerciais previstas na Lei do Transporte Zero.

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O programa exige a apresentação de um pacote documental completo no momento do registro. Os interessados precisam fornecer documentos pessoais básicos, comprovante de endereço atualizado e o Registro Geral de Pesca (RGP).

A comprovação da ausência de vínculo formal ocorre por meio da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). O Estado solicita ainda documentos adicionais que atestem o exercício contínuo da pesca artesanal e a assinatura de uma autodeclaração da atividade pesqueira. Membros do núcleo familiar também devem ter seus documentos anexados, juntamente com o comprovante de inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), quando a família possuir o registro federal.

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Procedimento online e bloqueio de correções

O procedimento de entrada no Repesca ocorre inteiramente no ambiente digital. A Setasc adota um protocolo rígido de submissão: após a finalização e o envio do cadastro no sistema, a plataforma bloqueia o acesso para a inserção de novos documentos ou a correção de informações preenchidas.

A secretaria orienta a categoria a reunir toda a documentação comprobatória exigida antes de iniciar o preenchimento dos campos virtuais, evitando a reprovação do pedido por insuficiência técnica.

O preenchimento pode ser feito pelo próprio pescador artesanal ou por um terceiro autorizado. Nos casos de uso de intermediários legais, o pescador titular do benefício deve, obrigatoriamente, estar presente fisicamente durante o acesso ao sistema online. A delegação da tarefa exige a assinatura de um Termo de Responsabilidade formalizando a operação.

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