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Violência infantil

Estupro de crianças em Mato Grosso cai 18,7% em 2025, mas a subnotificação gera alerta

Os registros de estupro de crianças e adolescentes caíram 18,7% em Mato Grosso em 2025, com 1.778 vítimas de 0 a 17 anos, ante 2.171 em 2024. Mas como só cerca de 10% desses crimes são notificados, a queda pode refletir menos denúncias, e não menos violência, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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estupro de crianças em Mato Grosso

Foram 1.778 vítimas de 0 a 17 anos em 2025, ante 2.171 no ano anterior. Como só cerca de 10% desses crimes são notificados, a redução pode refletir menos denúncias, e não menos violência

Os registros de estupro contra crianças e adolescentes caíram em Mato Grosso em 2025, mas a queda acendeu um alerta em vez de alívio. Foram 1.778 vítimas de 0 a 17 anos no estado, ante 2.171 no ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Como estudos apontam que apenas cerca de 10% desses crimes chegam à polícia, a redução pode significar menos denúncias, e não menos violência.

Queda do estupro de crianças em Mato Grosso

Entre 2024 e 2025, o número de crianças e adolescentes de até 17 anos vítimas de estupro ou estupro de vulnerável em Mato Grosso passou de 2.171 para 1.778. A taxa caiu de 208,2 para 169,3 casos por 100 mil habitantes dessa faixa etária, uma redução de 18,7%, a quarta maior entre as unidades da federação.

Mesmo com o recuo, o estado seguiu acima da média nacional. No Brasil, a taxa de estupro de crianças e adolescentes foi de 128,5 para 121,3 por 100 mil, queda de 5,5%. A taxa mato-grossense de 2025 ficou cerca de 40% acima da brasileira, embora o estado não figure entre os primeiros do ranking, ocupando a 11ª posição.

A redução mato-grossense faz parte de um movimento nacional inédito. Pela primeira vez desde o início da série, em 2019, os registros de estupro de vulnerável caíram no país. No recorte de menores de 14 anos, os registros também recuaram no país, de 51.677 para 48.038 casos. Os estupros em geral caíram de 88.843 para 84.388 registros, e o estupro de vulnerável respondeu por 64,8% dos registros envolvendo menores de 14 anos.

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O estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, trata do ato sexual contra menores de 14 anos, para quem a lei não reconhece a possibilidade de consentimento. É a conduta que responde pela maior parte da violência sexual registrada contra crianças no país e no estado.

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Menos registro pode não ser menos crime

A queda é vista com cautela por quem acompanha o tema. Para Luciana Temer, advogada, professora de Direito Constitucional na PUC-SP e diretora-presidente do Instituto Liberta, a redução não autoriza comemoração: “acho precoce essa comemoração”.

O argumento se apoia no silêncio que cerca esses crimes. Estudos indicam que apenas cerca de 10% dos casos de violência sexual contra crianças chegam a virar registro policial. Nessa leitura, “mais registros não significa obrigatoriamente um aumento dos casos, mas uma quebra de silêncio”. O inverso preocupa na mesma medida: menos registros podem apontar recuo das denúncias, não da violência.

A subnotificação é o principal obstáculo à leitura desses números. Sem saber quantos casos deixam de chegar às delegacias, não é possível afirmar com segurança se a violência diminuiu ou se apenas ficou mais oculta.

Em anos anteriores, o crescimento dos números era lido como avanço, por trazer à tona uma violência historicamente invisível. A inversão de 2025 rompe essa tendência e, por isso, transforma um dado que soaria positivo em motivo de dúvida.

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Outras violências crescem no país

O comportamento de outros crimes sexuais reforça a cautela. Enquanto o estupro de vulnerável recuava, a exploração sexual de crianças e a produção e distribuição de material de abuso sexual infantil aumentaram no Brasil em 2025. Os registros de material de abuso subiram 25,3% no país, e os de exploração sexual, 14,3%.

Em Mato Grosso, esses dois crimes tiveram trajetória diferente da nacional. Os registros de material de abuso sexual infantil caíram 12,8% no estado, e os de exploração recuaram 3,6%. Todos os principais indicadores de violência sexual contra crianças, portanto, recuaram no período em Mato Grosso.

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A diferença entre o estado e o país não elimina a dúvida sobre a notificação, que vale para qualquer recorte. Ela mostra apenas que, em Mato Grosso, a redução foi generalizada, e não concentrada em um único tipo de crime.

A dimensão que permanece

Mesmo em queda, os números descrevem um problema de grande escala. As 1.778 vítimas de 2025 equivalem a quase cinco casos por dia no estado. A faixa etária de 10 a 13 anos concentrou o maior número de casos, com 761 vítimas, seguida pela de 5 a 9 anos, com 402. Juntas, essas duas faixas reuniram mais de 1,1 mil das 1.778 vítimas registradas no estado em 2025, a maior parte dos casos.

As crianças mais novas também aparecem nas estatísticas. Na faixa de 0 a 4 anos, foram 243 vítimas no estado em 2025, e na de 14 a 17 anos, 372, os dois menores volumes entre as quatro faixas. As vítimas de até 13 anos, faixa protegida pela figura do estupro de vulnerável, responderam pela maior parte dos casos no estado. Somadas as quatro faixas de 0 a 17 anos, chega-se às 1.778 ocorrências de 2025, volume que, mesmo abaixo do ano anterior, mantém o estado acima da média brasileira.

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Os dados de 2025 foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O comportamento dos registros em 2026, somado ao de crimes como exploração sexual e aliciamento, deve indicar se a queda observada em Mato Grosso reflete uma redução real da violência ou apenas o recuo das denúncias.

 

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Brasil entra na lista de 21 países com alta de novas infecções por HIV

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novas infecções por HIV

Mesmo relatório que registra a alta traz a certificação do país por barrar a transmissão do HIV de mãe para filho

O Brasil aparece entre os 21 países onde o número de novas infecções por HIV cresceu mais de 20% entre 2010 e 2025, conforme o relatório especial do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) publicado em 27 de julho de 2026 para a 26ª Conferência Internacional de Aids. O mesmo documento registra que a Organização Pan-Americana da Saúde certificou o país em dezembro de 2025 pela eliminação da transmissão vertical do HIV, aquela que passa da mãe para o bebê, e que duas das três metas globais de diagnóstico e tratamento já foram atingidas. Os dois registros convivem em um ano no qual o financiamento internacional para a resposta ao HIV nos países de renda baixa e média caiu 18%.

A tabela que classifica os países pela trajetória da epidemia divide o mundo em dois grupos. De um lado, sete reduziram as novas infecções em pelo menos 78% desde 2010 e caminham para a meta de 90% até 2030: Benin, Essuatíni, Quênia, Lesoto, Nepal, Ruanda e Zimbábue. De outro, 21 registram alta superior a 20% no mesmo período, e o Brasil está nesse grupo, ao lado de Paraguai, Peru, Costa Rica e Venezuela.

O recorte considera apenas países com estimativas publicadas em 2010 e em 2025 e com pelo menos 200 novas infecções em cada um dos dois anos. Na média global, o número caiu 42% desde 2010, para 1,2 milhão em 2025. A América Latina foi na direção oposta, com alta de 25% no período, a segunda maior entre as regiões, atrás do Oriente Médio e Norte da África, com 78%.

O outro Brasil

Os resultados brasileiros aparecem mais adiante, em box próprio. Com cerca de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV, o país cumpriu duas das três metas conhecidas como 95-95-95, que preveem, até 2030, diagnosticar 95% de quem vive com o vírus, colocar 95% dos diagnosticados em tratamento e levar 95% dos tratados à supressão da carga viral. As cumpridas são a primeira e a terceira.

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A certificação de dezembro de 2025 fez do Brasil o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do vírus, aquela que ocorre da mãe para o bebê na gestação, no parto ou na amamentação.

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O Programa Brasil Saudável, lançado em 2024, reúne 14 ministérios em torno da eliminação de 14 doenças socialmente determinadas até 2030, entre elas HIV, tuberculose, hanseníase, malária e hepatites virais. Na prevenção, o número de pessoas que usaram a profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento tomado por quem não tem o vírus para evitar a infecção, ao menos uma vez no ano subiu de 165 mil para 233 mil entre 2024 e 2025, alta de 41%.

Em 30 de junho de 2026, cerca de 230 mil pessoas usavam PrEP no país, o equivalente a 5,2 usuários para cada novo diagnóstico de HIV. A meta do Ministério da Saúde é de três usuários por diagnóstico. Os dados subnacionais revelam disparidades relevantes de acesso entre os estados.

A PrEP encolheu no resto do mundo

Um número da edição de junho não se repete na de julho: em 62 países, o total de pessoas que receberam PrEP ao menos uma vez no ano caiu 38% entre 2024 e 2025, com base em informações iniciais. A relação desses países não foi publicada.

Na edição de julho, o agregado deu lugar a casos individuais. Em Camarões, Nigéria e Zâmbia, o número de usuários de profilaxia caiu mais da metade em um ano. Na África do Sul, que concentra o maior contingente em PrEP no mundo, houve corte no financiamento internacional e a queda ficou em 8%. Etiópia e Uganda ampliaram o acesso com recursos domésticos e outras fontes.

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Em 2024, a prevenção representava 11% de todo o financiamento do HIV nos países de renda baixa e média, e 66% desse montante vinha do exterior. Na África subsaariana, a dependência de recursos externos nos programas de prevenção chegava a 83%.

O lenacapavir tem preço definido para uns

Até o fim de junho de 2026, mais de 51 mil pessoas haviam recebido o lenacapavir, injeção de prevenção aplicada duas vezes por ano, em nove países da África subsaariana. A maioria eram mulheres com mais de 25 anos atendidas em clínicas e hospitais públicos. Em março, eram mais de 6 mil pessoas em cinco países.

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Um esforço conduzido por CHAI, Fundação Gates, Fundo Global, Unitaid e governo dos Estados Unidos derrubou o preço do medicamento para 40 dólares por pessoa ao ano nos países de renda mais baixa, a partir de 2027. Para os países de renda média e alta, o documento afirma não haver clareza sobre os valores.

Os dados de compra de antirretrovirais reunidos pela UNAIDS mostram que o valor dos esquemas de segunda linha sobe de forma acentuada conforme o nível de renda, e o relatório aponta esse padrão como risco específico para as economias de renda média que estão saindo do financiamento externo.

Estimativa de novas infecções por HIV revisada em seis semanas

O intervalo entre as duas edições do levantamento mudou o retrato da América Latina. Em 12 de junho, a estimativa preliminar indicava alta de 13% nas novas infecções desde 2010. Em 27 de julho, o número subiu para 25%.

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Outros valores também foram ajustados. O total de pessoas vivendo com HIV passou de 40,9 milhões para 41 milhões, a estimativa de infecções por transmissão vertical passou de 94 mil para 93 mil e a redução global acumulada desde 2010 recuou de 43% para 42%.

Os dados desagregados por país passam a ficar disponíveis na plataforma aidsinfo da UNAIDS a partir de hoje (28). A versão consolidada do levantamento, o Global AIDS Update, está prevista para novembro de 2026.

 

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