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Sistema prisional

EXCLUSIVO:Mato Grosso prende 13,8% mais em um ano e estoura a capacidade das prisões

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encarceramento em Mato Grosso

A população prisional cresce 13,8% em um ano, a quarta maior alta do país, e as vagas encolhem enquanto os homicídios recuam

A população prisional de Mato Grosso cresceu 13,8% em um único ano, a quarta maior alta do país, e passou a superar a capacidade das unidades. O estado passou de 19.606 para 22.636 pessoas encarceradas entre 2024 e 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O salto ocorreu no mesmo período em que os homicídios caíram mais de 20% no estado.

Encarceramento em Mato Grosso sobe 13,8%

A taxa de encarceramento de Mato Grosso subiu de 511,1 para 581,4 presos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025. O aumento ficou atrás apenas dos registrados por Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul, entre as unidades da federação com dados comparáveis, e foi mais que o dobro do avanço nacional.

No conjunto do país, a taxa passou de 427,9 para 452,0 presos por 100 mil habitantes, alta de 5,6%. O Brasil chegou a 960.976 pessoas no sistema penitenciário em 2025, ante 905.843 no ano anterior. Com a taxa de 581,4, Mato Grosso encarcera cerca de 29% mais pessoas, em proporção à população, do que a média brasileira, e terminou o período com a nona maior taxa entre os estados.

O número de presos apenas no sistema penitenciário, sem contar a custódia policial, saiu de 19.548 para 22.557 em doze meses, um acréscimo de mais de três mil pessoas. A parcela sob custódia das polícias, bem menor, subiu de 58 para 79, na contramão do país, onde esse grupo recuou de 3.751 para 3.692 pessoas. Somadas as duas, o estado encarcerava 22.636 pessoas ao fim de 2025, quase todo o acréscimo concentrado nas unidades penitenciárias.

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Menos vagas, mais presos

Enquanto prendia mais, o estado perdeu vagas. O sistema penitenciário mato-grossense tinha 22.204 vagas em 2024 e passou a 21.178 em 2025, uma redução de mais de mil lugares. A combinação de mais presos com menos vagas inverteu a relação entre lotação e capacidade.

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Em 2024, havia folga: a razão entre presos e vagas era de 0,9, com mais lugares do que detentos e nenhum déficit registrado. Em 2025, o indicador chegou a 1,1, e o sistema acumulou um déficit de 1.379 vagas. O número significa que, ao fim do ano, o estado tinha mais presos do que lugares oficialmente disponíveis nas unidades penais, o oposto do que ocorria doze meses antes.

Mesmo com a piora, a superlotação de Mato Grosso ainda é menor que a média nacional, onde há 1,4 preso para cada vaga. A diferença está na direção: no país, essa razão ficou estável entre 2024 e 2025, enquanto no estado subiu de 0,9 para 1,1.

Mais de um terço sem condenação definitiva

Parte do crescimento vem de presos ainda sem condenação. Os provisórios de Mato Grosso passaram de 7.108 para 8.550 entre 2024 e 2025, e sua participação no total subiu de 36,3% para 37,8%. Mais de um terço da população prisional do estado aguarda julgamento.

O peso desse grupo pressiona diretamente as vagas, já que cada pessoa detida sem condenação ocupa um lugar no sistema enquanto espera a decisão da Justiça. O número de provisórios cresceu cerca de 20% no período, ritmo superior ao do conjunto da população prisional.

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A proporção coloca Mato Grosso na quinta posição do país em fatia de presos provisórios, atrás de Bahia, Piauí, Minas Gerais e Pernambuco. O índice está bem acima da média nacional, de 25,7%. Os condenados seguem maioria, com 14.086 pessoas, mas perderam participação relativa, ao caírem de 63,7% para 62,2% do total. O grupo sem julgamento definitivo cresceu mais rápido que o de sentenciados no período.

Mortes atrás das grades recuam

Na contramão da lotação, os óbitos registrados no sistema prisional caíram. As mortes por causas naturais ou de saúde passaram de 15 para 9 entre 2024 e 2025, e as de origem criminal, de 12 para 6. As duas categorias medidas pelo levantamento recuaram no período, mesmo com o aumento do número de presos.

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Prende mais, mata menos

O aumento do encarceramento coincidiu com a forte queda dos homicídios no estado. No mesmo intervalo, a taxa de homicídios dolosos de Mato Grosso caiu 22,1%, a quarta maior redução do país. Os dois movimentos, em sentidos opostos, alimentam a discussão sobre a relação entre prender e conter a violência.

O debate tem dois lados conhecidos. De um, a ideia de que retirar mais pessoas de circulação reduz a prática de crimes. De outro, a constatação de que a queda de homicídios costuma responder a uma combinação de fatores, e que ampliar o encarceramento tem custo elevado sem resultado assegurado sobre a violência. Os números de 2025 alimentam a controvérsia, sem encerrá-la.

Os dados do anuário não permitem estabelecer relação de causa entre um fenômeno e outro. Eles registram que o encarceramento cresceu e que os homicídios caíram no mesmo período, sem demonstrar que um explica o outro. A variação das mortes violentas depende de múltiplos fatores, e o recorte do levantamento não isola a contribuição do encarceramento.

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Os dados de 2025 do sistema prisional foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A continuidade da alta das prisões e a evolução do déficit de vagas dirão se a superlotação registrada em 2025 se aprofunda nos próximos anos.

 

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Polícia prende homem com duas espingardas e 169 munições após tiros em via pública

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apreensão armas Nova Mutum

Suspeito de 36 anos foi detido em Nova Mutum depois de ser alvo de denúncia anônima; armamento não possuía registro legal

Policiais militares do 26º Batalhão prenderam um homem de 36 anos por disparo e posse irregular de arma de fogo na noite desta quinta-feira (23.7), em Nova Mutum. A equipe deteve o suspeito e apreendeu duas espingardas e 169 munições sem registro.

O recolhimento do armamento e a prisão em flagrante reforçam as ações de segurança pública impulsionadas pelo repasse de informações pela sociedade. Os objetos ilícitos foram retirados de circulação após os disparos na rua apontarem para o risco local.

Rastreamento de caminhonete e abordagem

A mobilização da equipe do 26º BPM começou após o recebimento de uma denúncia anônima. As informações apontavam que um homem estava efetuando disparos de arma de fogo em uma rua da cidade. Segundo o relato feito aos militares, o suspeito saiu do local do incidente conduzindo uma caminhonete modelo Hilux, de cor preta, logo após os tiros.

Diante do chamado, os policiais iniciaram diligências pelo município e conseguiram localizar o veículo apontado na denúncia. A caminhonete estava próxima a três homens, que foram imediatamente abordados pela Polícia Militar.

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Durante os questionamentos iniciais, um dos indivíduos se apresentou aos militares como o proprietário da caminhonete. Ao ser indagado se mantinha armas dentro do carro, ele negou o fato. No entanto, o suspeito afirmou aos policiais que possuía espingardas guardadas no interior de sua casa.

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Buscas, calibres e alegação do suspeito

Com a confirmação da existência do armamento, os militares seguiram junto com o homem até a sua residência para realizar buscas. No imóvel, a equipe localizou as duas espingardas mencionadas, sendo uma de calibre 22 e a outra de calibre 38. Junto às armas, os policiais encontraram 169 munições destinadas ao equipamento.

O homem foi questionado sobre a procedência das armas de fogo. Como resposta, ele afirmou à equipe policial que teria adquirido os objetos após ser vítima de um furto na fazenda onde reside. Contudo, o suspeito não apresentou a documentação legal exigida para o registro e a posse das espingardas.

Sobre o ato que gerou a denúncia anônima, o homem justificou aos policiais que o disparo em via pública ocorreu porque ele estaria testando as armas.

Encaminhamento à delegacia

Após as constatações na residência, o homem recebeu voz de prisão dos policiais do 26º Batalhão. Ele foi levado para a delegacia de Nova Mutum e entregue à Polícia Judiciária Civil, que ficou responsável pelo registro da ocorrência e pelas demais providências legais. Até o fechamento desta reportagem, o armamento e as munições seguiam apreendidos.

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Para apoiar ações semelhantes, a Polícia Militar orienta que a sociedade pode contribuir de qualquer cidade do Estado, sem precisar se identificar. As denúncias podem ser feitas por meio dos telefones 190 ou 0800.065.3939 (Disque-denúncia).

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Entenda as palavras técnicas texto

  • Diligências: Buscas, averiguações ou investigações realizadas por agentes de segurança pública.
  • Polícia Judiciária Civil: Instituição de segurança responsável por registrar ocorrências criminais, conduzir inquéritos e investigar os delitos após prisões ou denúncias.
  • Procedência: A origem, a fonte ou o ponto de onde algo vem; no caso policial, como o objeto foi parar nas mãos do suspeito.
  • Posse irregular: O ato de manter arma de fogo no interior de residência ou local de trabalho sem a documentação exigida por lei (registro).

 

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