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Geopolítica e religião

Papa diz não ter "nenhum medo" de Trump e promete manter críticas à guerra no Irã

O papa Leão XIV declarou não ter “nenhum medo” de Trump e prometeu continuar a criticar a guerra no Irã, depois de o presidente americano chamá-lo de “fraco em crime” e “terrível para a política externa”. O confronto envolve ameaças de destruição ao Irã, um encontro controverso no Pentágono e o cancelamento da visita papal aos EUA.

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papa Leão XIV Trump guerra Irã
O papa Leão XIV declarou não ter "nenhum medo" de Trump e prometeu continuar a criticar a guerra no Irã. Imagem ilustrativa.

Declaração veio após presidente americano chamar Leão XIV de “fraco em crime” e “terrível para a política externa” em publicação no Truth Social

O papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira (13), a bordo do avião papal a caminho de Argel, que não tem “nenhum medo” do governo de Donald Trump e que continuará a denunciar a guerra contra o Irã. A declaração veio horas depois de o presidente americano publicar no Truth Social que o papa é “fraco em crime”, “terrível para a política externa” e que “está prejudicando a Igreja Católica”, no episódio mais recente de um confronto público que se arrasta desde janeiro entre o Vaticano e a Casa Branca.

Assista ao vídeo com aresposta do papa no final da matéria.

Troca pública de acusações

Trump publicou no Truth Social que o papa deveria “parar de apaziguar a esquerda radical” e “cuidar de ser um grande papa, não um político”. Na mesma postagem, escreveu: “Não quero um papa que ache que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”. Ao desembarcar do Air Force One, repetiu a jornalistas que acha que o papa “não está fazendo um trabalho muito bom” e sugeriu que ele “gosta de crime”.

O papa respondeu no avião a caminho de Argel, onde iniciou viagem de 11 dias pela África. Em entrevista à Associated Press, disse que “colocar a mensagem do Evangelho no mesmo plano do que o presidente tentou fazer é não entender a mensagem do Evangelho”. A outros jornalistas, acrescentou: “Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho”, e citou as Escrituras: “Bem-aventurados os pacificadores”.

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O papa é o primeiro nascido nos Estados Unidos a ocupar a cadeira de Pedro, fato que o próprio Trump explorou ao alegar, em publicação anterior, que ele “só está lá por ser americano”.

“Delírio de onipotência”

No sábado (11), durante vigília na Basílica de São Pedro, o papa denunciou o “delírio de onipotência” que, segundo ele, alimenta a guerra dos EUA e de Israel no Irã. A declaração foi feita no mesmo dia em que Washington e Teerã iniciaram negociações diretas em Islamabad, no Paquistão. Autoridades do governo Trump leram a fala como ataque direto à política externa americana e, no dia seguinte, o presidente publicou a postagem contra o papa.

A ameaça à “civilização” iraniana

A crise se agravou em 7 de abril, quando Trump publicou no Truth Social: “Uma civilização inteira vai morrer esta noite, nunca mais será trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai”. A mensagem foi entendida como ultimato ao Irã para que reabrisse o Estreito de Ormuz, fechado durante a escalada militar entre os dois países.

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Em Castel Gandolfo, o papa classificou a ameaça como “verdadeiramente inaceitável” e disse que se trata, antes de qualquer consideração jurídica, de uma questão moral que envolve crianças, idosos e civis sem relação com o conflito.

O presidente da Conferência dos Bispos dos EUA, arcebispo Paul Coakley, divulgou comunicado no mesmo dia: “A ameaça de destruir uma civilização inteira e a intenção de atingir infraestrutura civil não podem ser moralmente justificadas. Existem outras maneiras de resolver conflitos entre povos”. Coakley pediu a Trump que “se afaste do precipício da guerra”.

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Relato do encontro no Pentágono

Reportagem do Free Press, reproduzida pela New Republic, afirma que em janeiro o subsecretário de Defesa Elbridge Colby convocou o núncio apostólico, cardeal Christophe Pierre, para uma reunião no Pentágono. Segundo o relato, Colby teria dito que “os Estados Unidos têm poder militar para fazer o que quiserem no mundo” e que “a Igreja Católica é melhor que fique do seu lado”.

A mesma reportagem informa que um dos presentes mencionou o Papado de Avinhão, período do século 14 em que a monarquia francesa submeteu o papado à sua influência. Fontes anônimas do Vaticano teriam interpretado a referência como ameaça velada.

Tanto o Pentágono quanto a Santa Sé negam essa versão. O Departamento de Defesa classificou o relato como “altamente exagerado e distorcido” e afirmou que o encontro foi “uma discussão respeitosa e razoável”. O gabinete de imprensa do Vaticano declarou que “a narrativa oferecida por alguns meios de comunicação sobre esta reunião é completamente falsa”. O próprio cardeal Pierre, já aposentado, descreveu a reunião como “franca, mas muito cordial”.

O USA Today, em checagem publicada em 10 de abril, concluiu que não há evidência de ameaça direta de Trump ao papa, embora confirme a existência da reunião e a presença de fontes vaticanas que a interpretam de forma distinta.

Bispos e cardeais contra a guerra

O arcebispo militar Timothy Broglio questionou a legitimidade da guerra no Irã à luz da doutrina católica de “guerra justa”, afirmando que a intervenção parecia buscar “compensar uma ameaça antes que ela se concretize”, critério problemático para a teologia moral católica.

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Cardeais como Blase Cupich e Robert McElroy apoiaram o papa. Cupich descreveu como “repugnante” tratar vidas humanas como se fossem “jogo de videogame”. Teólogos ouvidos pela OSV News classificaram como “herética e perigosa” a tentativa de usar argumentos cristãos para legitimar a destruição de um povo.

Nesta segunda-feira (13), o próprio Coakley voltou a se pronunciar, desta vez sobre os ataques de Trump ao papa. Disse estar “desanimado com as palavras depreciativas” do presidente e frisou: “O papa Leão não é rival dele, nem é político”.

A Churches for Middle East Peace, coalizão ecumênica com sede em Washington, declarou que a linguagem de Trump se opõe diretamente aos princípios centrais da fé cristã e reafirmou que “toda vida é sagrada”.

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Vaticano cancela visita e programa Lampedusa

O Vaticano cancelou a visita do papa aos Estados Unidos prevista para 2026. Em vez disso, o papa viajará a Lampedusa em 4 de julho, data do 250.o aniversário da independência americana, num gesto centrado na defesa de migrantes. A Santa Sé confirmou a mudança em comunicado de fevereiro.

A decisão ocorreu após o discurso anual do papa ao corpo diplomático, em 9 de janeiro, no qual denunciou a substituição de uma “diplomacia que promove o diálogo e busca consenso” por uma “diplomacia baseada na força”. Autoridades da administração Trump interpretaram a fala como crítica direta às operações militares no Irã.

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Precedente de 2016

Em 2016, durante a campanha presidencial, o papa Francisco afirmou que “uma pessoa que só pensa em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes, não é cristã”. Trump respondeu que era “vergonhoso que um líder religioso questione a fé de uma pessoa” e sugeriu que o governo mexicano estaria “usando o papa como peão”.

Em 2016, a disputa girava em torno de imigração e segurança de fronteira. Desta vez, o pano de fundo é uma guerra em curso e a ameaça explícita de destruir um país.

Negociações e próximos passos

Enquanto papa e presidente trocam acusações, EUA e Irã negociam diretamente em Islamabad, no Paquistão. A rodada de conversas começou no sábado (11) e, até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio de acordo.

O papa segue para a África numa viagem de 11 dias que passa por Argélia, Níger, Camarões e República Democrática do Congo. A ida a Lampedusa, em 4 de julho, está mantida. Pesquisas citadas pela Axios indicam queda no apoio de católicos americanos a Trump, enquanto o papa mantém alta aprovação entre fiéis e não fiéis. Se transcrições da reunião no Pentágono vierem a público, o debate sobre o que de fato aconteceu em janeiro pode ganhar outro contorno.

Assita ao vídeo com a resposta do papa

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AGRONEGÓCIO

Produtividade da soja em Mato Grosso cresce 9,2% e produção chega a 51,56 milhões de toneladas

A produtividade da soja em Mato Grosso sobe para 66,03 sacas por hectare na safra 2025/26, 9,23% acima do ciclo anterior. A produção estimada é de 51,56 milhões de toneladas, segundo o relatório Imea em Campo, com Oeste liderando o acréscimo em volume e Centro-Sul com o maior ganho de produtividade.

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produtividade da soja em Mato Grosso
Levantamento do Imea cobriu 97,92% da área plantada do estado e elevou a estimativa de produção para 51,56 milhões de toneladas.

Nova estimativa do Imea, feita após levantamento em 103 municípios, aponta Oeste com o maior acréscimo em volume

A produtividade média da soja em Mato Grosso na safra 2025/26 deve chegar a 66,03 sacas por hectare, 9,23% acima das 60,45 sacas do ciclo anterior. O número consta do relatório “Imea em Campo — Etapa Soja”, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária em março de 2026, depois de um levantamento que cobriu 103 municípios e 97,92% da área plantada do estado. A produção total foi revisada para 51,56 milhões de toneladas.

Levantamento percorreu 34 mil quilômetros

A etapa Soja do levantamento se estendeu por 71 dias entre dezembro, janeiro e fevereiro, somou 34.880 km percorridos e resultou em 998 avaliações a campo, aumento de 24,43% na comparação com a temporada anterior. As avaliações foram divididas entre lavouras em período inicial (R3 a R4), intermediário (R5 a R6) e final (R7 a R8), com mais avaliações nas fases finais, quando a estimativa de produtividade é mais precisa.

A classificação visual considerou condições gerais e incidência de pragas, doenças, plantas daninhas e grãos avariados. As medições a campo envolveram número de plantas por hectare, vagens por planta, grãos por planta, peso de grãos e umidade.

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Centro-Sul lidera o ganho de produtividade; Oeste lidera em volume

A produtividade subiu em todas as regiões avaliadas ante a estimativa anterior à colheita. Na Centro-Sul, o ganho foi de 8,4 sc/ha sobre a projeção. O Oeste ficou logo atrás, com 8,3. Já o Médio-Norte somou 4 sc/ha a mais.

No ranking entre regiões, Norte (67,68 sc/ha) e Médio-Norte (65,9 sc/ha) aparecem acima da média estadual. A região Sudeste, embora tenha melhorado a produtividade comparada ao início do ciclo, continua entre as de menor desempenho, com 65,4 sc/ha.

Em volume, o Oeste acrescenta 1.041 mil toneladas à estimativa anterior, o maior valor entre as regiões. Na sequência estão Sudeste (869 mil t), Médio-Norte (789 mil t), Nordeste (583 mil t), Norte (417 mil t), Centro-Sul (416 mil t) e Noroeste (260 mil t).

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Área plantada sobe 1,7% e chega a 13 milhões de hectares

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A área plantada da safra 2025/26 foi estimada em 13,013 milhões de hectares, aumento de 1,71% ante a safra 2024/25. Combinadas, produtividade e área levaram a produção estimada para 51,56 milhões de toneladas, 1,31% a mais que o ciclo anterior e 9,27% acima da projeção feita antes das avaliações em campo.

Qualidade melhora, com menos grãos avariados

A proporção de lavouras sem grãos avariados subiu na comparação anual, de 80,2% na safra 24/25 para 83,6% na 25/26, ganho de 3,4 pontos percentuais. Centro-Sul e Médio-Norte têm a maior fatia de avaliações sem avariados, enquanto Norte e Médio-Norte aparecem com mais lavouras que tiveram grãos moderadamente ou muito avariados.

No recorte qualitativo, o Norte teve o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes. Oeste, Centro-Sul e Noroeste apresentam mais lavouras boas a médias, e o Sudeste manteve o maior percentual de ruins.

A incidência de pragas foi menor nas regiões Oeste e Norte, com predomínio de Euschistus spp., Dichelops spp. e Spodoptera spp. entre as mais comuns. Em relação a doenças, Norte, Médio-Norte e Noroeste tiveram as lavouras com menos danos; as mais frequentes foram cercosporiose e mancha bacteriana.

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Milho 2ª safra tem semeadura atrasada pelo solo encharcado

A segunda safra de milho 2025/26 começou com atraso na semeadura em relação à média dos últimos cinco ciclos, conforme os dados do Imea. O solo encharcado dificultou as operações, e a região Sudeste teve o maior percentual de áreas plantadas fora da janela ideal. A estimativa é de 1,17 milhão de hectares semeados depois de 28 de fevereiro, número próximo ao 1,09 milhão do ciclo passado.

Mesmo com o atraso, a projeção atual aponta para 7,39 milhões de hectares, 116,61 sacas por hectare e produção de 51,72 milhões de toneladas de milho no estado.

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Exportação responde por quase dois terços da demanda de soja

O balanço de oferta e demanda do Imea registra oferta total de 51,84 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, com produção de 51,56 milhões e estoque inicial de 0,29 milhão. Os 51,73 milhões de toneladas da demanda se dividem entre exportação (32,10 milhões), consumo dentro do estado (13,93 milhões) e consumo no mercado interno nacional (5,70 milhões). O estoque final ficou em 0,11 milhão, queda de 62,07% na comparação anual.

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Até março, 63,31% da soja da safra 2025/26 já estavam comercializados, a preço ponderado de R$ 108,62 por saca, variação positiva de 4,33 pontos percentuais ante o mesmo período do ciclo anterior.

Próximos passos dependem do clima

A transição do fenômeno La Niña para neutralidade deve favorecer precipitações dentro da normalidade em abril e maio no estado, segundo a projeção climática do relatório. A estimativa final da safra depende das condições climáticas nos próximos meses. A próxima etapa do levantamento, focada em milho, deve trazer os dados de campo da 2ª safra.

 

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