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Novo ataque ao PIX desvia R$ 670 milhões, apesar disso, especialistas afirmam que sistema é seguro

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Em menos de dois meses, segundo golpe do tipo “ataque em cadeia” mira empresa que conecta bancos ao sistema; Banco Central age rápido, mas acende alerta sobre terceirizadas.

Um novo e audacioso golpe cibernético abalou o sistema financeiro brasileiro no último fim de semana. Atingindo a Sinqia, uma das principais empresas que fazem a ponte entre instituições financeiras e o PIX, criminosos conseguiram desviar R$ 670 milhões. O episódio, ocorrido na última sexta-feira, 29 de agosto, representa o segundo ataque massivo em apenas dois meses contra provedores do sistema, levantando sérias questões sobre a segurança da infraestrutura que orbita a ferramenta de pagamentos instantâneos mais popular do país.

A ação, rápida e enérgica, do Banco Central evitou um desastre ainda maior, já que a tentativa inicial dos criminosos mirava ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão. Ainda assim, o valor desviado superou as estimativas iniciais e colocou em xeque os protocolos de segurança de toda uma cadeia de serviços.

 

Um golpe em cadeia

 

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O ataque não mirou diretamente o PIX, cuja infraestrutura central permanece intacta e segura. Em vez disso, os hackers exploraram uma vulnerabilidade no que se conhece como “ataque de cadeia de suprimentos” (Supply Chain Attack). A corrente, como diz o ditado, quebrou no elo mais fraco. A Sinqia, controlada pela multinacional Evertec, funciona como uma porta de entrada para diversos bancos ao sistema financeiro, e foi exatamente essa porta que os criminosos arrombaram.

O modus operandi é assustadoramente similar ao incidente que vitimou a C&M Software em julho deste ano, sugerindo uma nova e perigosa frente de atuação de quadrilhas especializadas. Naquele caso, credenciais de acesso foram vendidas por um funcionário. Agora, a Polícia Federal investiga se houve participação interna ou se a brecha foi puramente tecnológica.

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O rastro do dinheiro

 

O alerta soou no Banco Central por volta das 15h30 de sexta-feira. A resposta foi imediata: o acesso da Sinqia a todo o sistema financeiro foi cortado, estancando a sangria. Duas instituições foram as principais vítimas: o gigante HSBC, com um prejuízo de R$ 630 milhões, e a Artta, de onde foram subtraídos R$ 40 milhões.

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Fontes do mercado indicam que o estrago poderia ter se espalhado por até 20 instituições. Graças ao bloqueio rápido, do total de R$ 670 milhões desviados, as autoridades já conseguiram congelar e iniciar o processo de recuperação de R$ 366 milhões. Enquanto isso, a Sinqia, desconectada do ambiente PIX, corre contra o tempo para reconstruir seus sistemas com controles de segurança aprimorados, um processo que será validado pelo Banco Central antes de qualquer reconexão.


Para entender melhor:

  • Ataque de Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Attack): Um tipo de ataque cibernético que visa uma organização através de seus parceiros ou fornecedores externos que possuem acesso a seus sistemas ou dados. Em vez de atacar o alvo principal, o hacker explora a segurança mais fraca de um terceiro de confiança.
  • Contas de Liquidação Interbancária: Contas que as instituições financeiras mantêm para transferir fundos entre si. Não são as contas correntes dos clientes finais, mas sim contas operacionais dos próprios bancos.
  • Banking as a service: Modelo de negócio em que empresas de tecnologia, como a Sinqia, oferecem infraestrutura e serviços financeiros para que outras companhias (bancos, fintechs) possam oferecer produtos bancários aos seus próprios clientes sem precisar desenvolver tudo do zero.

 

A muralha do PIX resiste?

 

Apesar do volume assustador do desvio, especialistas são unânimes em afirmar: o PIX, em sua essência, continua seguro. O sistema opera dentro da Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), um ambiente altamente controlado, isolado e com múltiplas camadas de criptografia. “A vulnerabilidade está longe de ser algo sistêmico e de ter algo a ver com o cerne do Pix”, afirma Arthur Igreja, especialista em Tecnologia.

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O problema, portanto, não está na fortaleza, mas nos portões de acesso. Os ataques consecutivos revelaram que a supervisão sobre as empresas terceirizadas que prestam serviços críticos precisa ser drasticamente reforçada. São elas que detêm credenciais de acesso privilegiado e, agora, se tornaram o alvo preferencial.

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Para os usuários comuns, o impacto direto foi nulo. O HSBC e a Artta confirmaram que nenhuma conta de cliente pessoa física foi afetada; os desvios ocorreram a partir de contas corporativas de liquidação. As transações via PIX seguiram operando normalmente durante todo o período.

 

Uma resposta para o futuro

 

Coincidentemente, um dia antes do ataque à Sinqia, em 28 de agosto, o Banco Central havia anunciado um aprimoramento no mecanismo de devolução do PIX. A nova funcionalidade, que se tornará obrigatória a partir de fevereiro de 2026, permitirá um rastreamento mais eficiente do caminho do dinheiro desviado, com promessa de devolução em até 11 dias.

A medida é bem-vinda, mas o prazo de implementação levanta questionamentos sobre a urgência da resposta regulatória diante da sofisticação e frequência dos golpes. O momento exige mais do que remendos futuros; exige uma revisão imediata e rigorosa dos protocolos de segurança de todos os parceiros que orbitam o sistema financeiro nacional.

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DESTAQUE

Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

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Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

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Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

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