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Mato-grossenses têm presença de destaque no XIII Fórum Jurídico de Lisboa

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Lisboa volta a reunir, nesta semana, algumas das principais vozes do direito, da política e da academia dos países de língua portuguesa. E Mato Grosso marca presença com peso na 13ª edição do Fórum Jurídico, que acontece na histórica Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O governador Mauro Mendes, o professor e jurista Marcos Marrafon, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira e o conselheiro do CARF Yendis Costa são os representantes mato-grossenses no evento, que se consolidou como um espaço de debates de alto nível sobre democracia, justiça fiscal e governança.

Logo na manhã do dia 2 de julho, Mauro Mendes e Marcos Marrafon participam do painel “Agronegócio e Segurança Alimentar Global: Desafios para a Cooperação”. Com a autoridade de quem governa um dos maiores produtores de alimentos do planeta, Mendes deve levar à discussão a experiência mato-grossense em sustentabilidade e desenvolvimento regional. Ao lado dele, Marrafon, que também dirige a Faculdade de Direito do IDP, traz ao palco uma análise jurídica sobre o papel do Brasil e dos estados no equilíbrio entre produção, preservação ambiental e segurança alimentar mundial.

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Ainda no dia 2, às 17h, o jurista Yendis Costa assume lugar de fala na mesa “Dominância Fiscal, Distribuição de Renda e Desenvolvimento”. Conselheiro do CARF, Yendis foi convidado pelo ministro Gilmar Mendes e pelo professor Sidnei Gonzalez. Com um olhar técnico e crítico, ele pretende abordar os desafios da justiça tributária num mundo em rápida transformação social e tecnológica, refletindo sobre como a tributação pode ou deve atuar como instrumento de correção das desigualdades.

No dia seguinte, 3 de julho, é a vez da desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira representar o Judiciário mato-grossense no painel “Democracia Representativa em Crise”. Conhecida por sua atuação firme e humanizada na magistratura, Anglizey deve contribuir com reflexões sobre os limites e possibilidades das instituições diante da crescente descrença na política e do enfraquecimento da representação popular.

A participação mato-grossense, com representantes dos três poderes, reforça a presença do estado em debates internacionais de grande relevância e mostra que temas como desenvolvimento regional, justiça fiscal e fortalecimento institucional estão no radar de quem vive e pensa Mato Grosso.

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Da assessoria.

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Prender não resolve tudo: por que conversar com os agressores ainda é uma estratégia indispensável

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Hoje a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A data dá ao Agosto Lilás um significado que vai além da homenagem: é tempo de reconhecer conquistas e perguntar o que ainda falta para que as mulheres vivam sem violência. Para quem atua na linha de frente, uma resposta é evidente: proteger a vítima e responsabilizar o agressor são deveres inegociáveis, mas a prevenção exige também intervir nas crenças e nos comportamentos que alimentam a violência.

Por Jefferson Dias Chaves, delegado de polícia

A violência começa antes da agressão física. Muitas histórias têm origem na vigilância de mensagens, no afastamento forçado de amigos e familiares, em humilhações, ameaças e controle financeiro — condutas que restringem a liberdade e tendem a se agravar. Por isso, a prevenção não pode esperar o episódio mais grave: precisa reconhecer o ciclo desde os primeiros indícios e oferecer à mulher acolhimento, proteção e acesso rápido à rede de atendimento.

Também é preciso olhar para a formação dos homens. Comportamentos abusivos são aprendidos e reforçados em famílias, grupos de convivência e ambientes digitais. Quando os meninos aprendem que demonstrar vulnerabilidade é fraqueza, que controlar é amar ou que a parceira lhes deve obediência, constrói-se um repertório perigoso. Enfrentar esse processo não reduz a responsabilidade individual; pelo contrário, cria condições para que ela seja reconhecida antes que a violência se agrave.

Os grupos reflexivos são parte dessa resposta. A Lei Maria da Penha prevê, no art. 22, inciso VI, que o juiz pode determinar o comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação. Em 2022, a Recomendação nº 124 do CNJ orientou os tribunais a instituir programas de reflexão e responsabilização. Aplicados como medida protetiva de urgência, esses grupos não substituem as demais providências, tampouco a investigação, o processo ou a pena. Seu propósito é confrontar escolhas, identificar padrões de controle e construir respostas não violentas para conflitos e frustrações. Não são espaços de desculpa, nem de culpabilização da vítima, nem de absolvição do agressor.

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A eficácia, porém, depende de estrutura. Programas sem equipe qualificada, sem critérios de segurança e sem articulação com a rede de proteção produzem pouco efeito. Quando há método, o resultado aparece: em Mato Grosso, onde os grupos reflexivos já funcionam em 25 comarcas, a reincidência entre os homens que não passam por eles gira em torno de 10% e cai para menos de 5% entre os que participam dos encontros, segundo a Coordenadoria Estadual da Mulher do Tribunal de Justiça. Cair pela metade não é chegar a zero — e é justamente por isso que a expansão precisa vir acompanhada de protocolos, formação continuada, monitoramento e indicadores de reincidência. Responsabilização séria exige método e não pode, em nenhuma hipótese, comprometer a segurança das mulheres.

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Há anos, o projeto “Papo de Homem para Homem”, da Polícia Civil de Mato Grosso, leva rodas de conversa a escolas, empresas e comunidades. Criado em 2014, na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande, ganhou escala a partir de 2022, quando um termo de cooperação com o Tribunal de Justiça passou a encaminhar às atividades homens submetidos a medidas protetivas — só em 2024 foram 316. Coordenei a Polícia Comunitária quando o comparecimento aos encontros deixou de ser convite e passou a ser determinação judicial. A diferença apareceu na sala: quem vem por obrigação chega fechado, e é justamente esse homem que o programa precisa alcançar.

A experiência confirma que campanhas abrem portas, mas que mudanças profundas pedem continuidade. Os grupos reflexivos podem formar a coluna vertebral de uma atuação em três frentes: preventiva, com adolescentes; responsabilizante, com homens encaminhados pela Justiça; e comunitária, com quem procura mudar antes de causar novos danos.

Segurança pública não se resume a algemas e viaturas. Uma polícia forte também identifica riscos, qualifica o atendimento e trabalha em rede. Prevenir não é ser complacente; é usar inteligência e experiência para evitar novas vítimas.

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Prender pode ser necessário. Proteger é urgente. Mas, para romper o ciclo, precisamos também disputar a cultura que o sustenta. Todo homem deve aprender a reconhecer limites, respeitar a autonomia das mulheres e assumir as consequências de seus atos. A maturidade de uma política pública se mede não só por sua capacidade de reagir, mas por quantas violências consegue impedir.

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Jefferson Dias Chaves é delegado de classe especial da Polícia Civil e atua em Mato Grosso. Entre 2021 e 2023, esteve à frente da Coordenadoria de Polícia Comunitária da Polícia Judiciária Civil, período em que o projeto “Papo de Homem para Homem” passou a receber homens encaminhados pela Justiça. Também foi secretário de Defesa Social em Londrina, no Paraná.

 

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