INFRAESTRUTURA E LEI
MPF mira Vibra Energia e cobra conta por asfalto destruído em MT
Investigação sobe de nível: procuradoria apura danos coletivos e risco à vida causados por excesso de peso em carretas entre 2021 e 2025.
Quem trafega pelas rodovias federais de Mato Grosso conhece bem a rotina: asfalto remendado, buracos repentinos e o perigo constante ao ultrapassar carretas gigantescas. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu cobrar a fatura de quem, segundo as investigações, lucra com o transporte irregular enquanto a sociedade paga pela manutenção da estrada. A Procuradoria da República no Estado elevou o tom e converteu uma apuração preliminar em Inquérito Civil contra a Vibra Energia S.A. (antiga BR Distribuidora).
A decisão não é burocrática. Ela sinaliza que o órgão reuniu indícios suficientes para apertar o cerco. A portaria nº 197, assinada pela procuradora Denise Nunes Rocha Müller Slhessarenko em 12 de novembro, coloca a gigante do setor de combustíveis no centro de uma ofensiva coordenada contra o que o MPF chama de “maiores infratores”. O objetivo é claro: responsabilizar a empresa pela degradação da malha viária entre 2021 e 2025.
A estratégia da “caça aos grandes”
Não se trata de uma fiscalização aleatória de rotina. O documento oficial revela que a ação contra a Vibra faz parte de uma diretriz nacional, orquestrada pelo “GT Rodovias Federais/Excesso de Peso da 1ª CCR”.
O Ministério Público mudou a tática. Em vez de perseguir infrações isoladas no varejo, o órgão cruzou dados de inteligência. A seleção da empresa baseou-se em “listas dos maiores infratores por excesso de peso fornecidas pela PRF e DNIT”. A procuradoria busca, com isso, um “resultado em escala”. A lógica é simples: atacar a raiz do problema focando nos grandes embarcadores que repetem a conduta sistematicamente.
O peso destrói (e mata)
A portaria é dura ao descrever o impacto dessa prática. Para o MPF, o transporte com sobrepeso não é apenas uma infração administrativa; é um ataque ao patrimônio público.
O texto destaca que o excesso de carga “contribui para a destruição, inutilização e deterioração das rodovias federais”. O caminhão que roda acima do limite encurta a vida útil do asfalto. Isso causa defeitos prematuros e obriga o governo a gastar milhões em reparos que não seriam necessários tão cedo.
Mas o custo não é só financeiro. Há vidas em jogo.
O documento alerta que a prática “coloca em risco a segurança, a integridade física e material dos usuários da rodovia federal”. Um veículo com peso além da capacidade de projeto tem seu desempenho comprometido. Freios falham, a suspensão quebra e o controle da direção se torna instável, potencializando acidentes graves.
A fatura vai chegar
A conversão para Inquérito Civil indica que o MPF prepara o terreno para uma cobrança pesada. A procuradora cita explicitamente a necessidade de “maior aprofundamento das investigações”, visando “especialmente para a quantificação do dano”.
A base jurídica para essa cobrança já existe. O texto menciona o Tema Repetitivo 1104 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A corte fixou a tese de que o tráfego reiterado com excesso de peso gera “notórios e inequívocos danos materiais e morais coletivos”.
Na prática, isso significa que a Vibra Energia pode ser obrigada a pagar não apenas as multas de trânsito, mas uma indenização milionária pelo desgaste que seus caminhões causaram à infraestrutura pública e pelo risco imposto aos motoristas de Mato Grosso.
Para entender melhor:
O que muda com o Inquérito Civil? Antes, o caso era um “Procedimento Preparatório”, uma fase inicial de coleta de informações. Ao transformar em Inquérito Civil, o MPF oficializa a investigação. O órgão passa a ter mais poderes para requisitar documentos, perícias e depoimentos. É o passo anterior a uma Ação Civil Pública (processo judicial) ou a um acordo extrajudicial (TAC), onde a empresa se compromete a pagar indenizações e mudar de conduta para não ser processada.
CONSUMIDOR
Procon-MT apreende produtos vencidos em comércios de três cidades do interior
Operação fiscalizou supermercados e lojas agropecuárias em Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia; açougues foram autuados por carne moída irregular.
O Procon Estadual de Mato Grosso autuou e notificou nove estabelecimentos comerciais nos municípios de Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia durante uma operação realizada entre 29 de março e 10 de abril. A ação resultou na apreensão de produtos com prazo de validade vencido e na identificação de infrações graves, como a venda irregular de carne moída em açougues.
A iniciativa da Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT) verificou a adequação de supermercados e lojas agropecuárias às normas vigentes. Em Confresa, o cenário foi crítico: todos os cinco supermercados fiscalizados apresentaram irregularidades e tiveram mercadorias apreendidas por estarem impróprias para o consumo.
De acordo com o coordenador de Fiscalização do órgão, André Badini, os estabelecimentos autuados em Confresa enfrentam agora processos administrativos. O coordenador esclareceu que os supermercados podem ser multados, sendo garantido a eles o amplo direito de defesa.
Irregularidades em açougues e rótulos
A fiscalização detectou problemas na comercialização de alimentos que oferecem riscos à saúde. Em alguns açougues, foi encontrada carne previamente moída, prática que desobedece às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Além disso, produtos eram ofertados sem tabela nutricional, sem preços visíveis e sem informações essenciais em língua portuguesa.
Outro ponto de alerta foi a omissão de informações sobre a presença de glúten e a falta de destaque para a data de vencimento em itens em promoção com menos de 30 dias de validade. Segundo o órgão, os lojistas também falharam ao não informar de maneira clara o valor original e o promocional em produtos de liquidação, descumprindo a legislação estadual.
Orientações e prazos para adequação
Em Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia, as ações tiveram caráter orientativo, motivadas por denúncias. Os comércios foram notificados para corrigir falhas como a ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a falta de cartazes informativos sobre órgãos de defesa.
A secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, explicou que haverá retorno às localidades para conferência. Segundo a secretária, após o prazo fixado na primeira visita, uma nova fiscalização será realizada para verificar se os fornecedores realizaram as adequações solicitadas.
Infrações recorrentes encontradas:
Produtos com validade vencida;
Carne moída previamente (fora das normas do MAPA);
Ausência de preços e informações sobre glúten;
Falta de cartaz com contatos do Procon e dados de impostos;
Promoções sem indicação clara da data de vencimento.
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