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Brasileiros lideram recorde migratório no Paraguai e respondem por mais da metade das residências em 2025

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Brasileiros lideram recorde migratório no Paraguai

País vizinho concedeu 40,6 mil autorizações no ano passado, das quais 23,5 mil para brasileiros; só no primeiro trimestre de 2026 foram emitidas outras 9,2 mil

O Paraguai concedeu 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros em 2025, e 23,5 mil delas foram dadas a brasileiros. O número, divulgado pelas autoridades migratórias paraguaias e replicado por reportagens da BBC e do G1 em abril deste ano, coloca os brasileiros na primeira posição entre os novos residentes do país vizinho, bem à frente dos argentinos, com 4,3 mil autorizações no mesmo período. Só nos três primeiros meses de 2026, outras 9,2 mil autorizações já haviam sido concedidas a cidadãos do Brasil — ritmo que, se mantido até dezembro, superaria o de 2025.

 

Os dados oficiais paraguaios não passam de uma fotografia parcial. O Itamaraty estimava 254 mil brasileiros vivendo no Paraguai em 2022 e 263,2 mil em 2023, com a ressalva explícita de que o registro consular é voluntário e, portanto, subnotifica o total. Reportagens recentes da Gazeta do Povo trabalham com a faixa “mais de 263 mil”, enquanto a Câmara de Comércio Paraguai-Brasil chega a estimar 400 mil brasileiros no país, número citado por dirigentes empresariais desde 2023. Não há, portanto, consenso metodológico sobre o tamanho real da comunidade brasileira no país. Pelos próprios registros do Itamaraty — ainda que subnotificados — a comunidade brasileira é hoje a maior colônia estrangeira do Paraguai.

A cena: filas de madrugada em Ciudad del Este

Em março de 2026, o governo paraguaio levou um mutirão itinerante de regularização, batizado de MigraMóvil, ao Centro Cultural Mangoré, em Ciudad del Este. Reportagem da Gazeta do Povo registrou que, doze horas antes da abertura dos portões, “a fila já quase dobrava a esquina”. Entre 1 mil e 1,2 mil pessoas passaram pelo atendimento em poucos dias, e cerca de 90% delas eram brasileiras. Algumas haviam viajado de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Pernambuco apenas para tentar a residência. Outras passaram a noite na calçada, sob calor, chuva e mosquitos.

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O processo convencional de residência paraguaia leva até quatro meses. Nos mutirões, a documentação sai em menos de uma semana. A residência temporária vale por dois anos e habilita o titular a trabalhar e abrir empresa no Paraguai, além de permitir transações imobiliárias regulares.

O “brasiguaio” dos anos 1970, pequeno produtor rural fixado em zonas de fronteira, divide espaço hoje com engenheiros como Gabriela Nascimento, ouvida pela Gazeta do Povo em abril deste ano: ela ganhava cerca de R$ 22 mil mensais em Santa Catarina, mudou-se para Ciudad del Este em julho de 2025, comprou um terreno e decidiu recomeçar. Empresários industriais, estudantes de medicina e aposentados aparecem com frequência nas mesmas reportagens. Em outra matéria, a cidade aparece concentrando 105 mil brasileiros, contra 50 mil em Assunção e 36 mil em Encarnación, segundo dados do Itamaraty.

Impostos, energia e preços: a diferença em números

A carga tributária total do Brasil ronda 33% do PIB, segundo dados citados pelas reportagens da Gazeta do Povo. A do Paraguai fica entre 10% e 14% do PIB. A alíquota máxima do imposto de renda de pessoa física é de 27,5% no Brasil e de 10% no Paraguai. Aplicada a uma renda de R$ 22 mil, como a da engenheira de Santa Catarina, a diferença bruta de alíquotas representaria, em tese, cerca de R$ 3,8 mil por mês.

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Economistas ouvidos pela imprensa estimam que a tarifa elétrica paraguaia é de 40% a 60% mais barata do que a brasileira, sem o efeito das bandeiras tarifárias adotadas no Brasil. A diferença vem, em grande parte, da hidrelétrica binacional de Itaipu, que abastece o sistema paraguaio com excedentes baratos. No comércio, o efeito mais visível está nos bens duráveis: um carro vendido a R$ 100 mil no Brasil pode custar aproximadamente metade no Paraguai, porque a parcela de impostos embutida no preço é estimada em cerca de 50% no caso brasileiro e em torno de 10% no caso paraguaio.

Para empresas, há ainda o regime de maquila, modelo de industrialização para exportação que tributa o valor exportado em apenas 1%. Frigoríficos brasileiros estão entre os usuários mais visíveis do regime, ao lado de operações de autopeças. Segundo dados de 2023 citados pelas reportagens, as exportações paraguaias de maquila passaram de US$ 5 milhões anuais, no início dos anos 2000, para mais de US$ 1 bilhão duas décadas depois.

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Há também um pedaço estudantil da migração. O Conselho Nacional de Educação Superior do Paraguai estimava, em 2023, 30 mil estudantes de medicina nas universidades do país, dos quais 95% a 97% seriam brasileiros, concentrados em instituições privadas. Mensalidades entre R$ 1,2 mil e R$ 1,9 mil no Paraguai contrastam com valores próximos de R$ 8 mil em faculdades particulares brasileiras, segundo depoimentos colhidos por reportagens. Esse contingente continua sendo um dos componentes mais estáveis do fluxo, mesmo quando o noticiário gira em torno dos empresários.

O que escondem os números

A promessa de “vida melhor garantida”, difundida em vídeos nas redes sociais, encontra contradição nos dados oficiais. A taxa de informalidade no mercado de trabalho paraguaio foi estimada em 62,5%, contra 37,5% no Brasil. Quem perde o emprego ou abre uma micro-operação informal do outro lado da fronteira passa a contar com proteção social menor: sem FGTS, sem seguro-desemprego nos moldes brasileiros, sem rede pública equivalente ao SUS.

Parte dos brasileiros com residência regular no Paraguai ainda cruza a fronteira para usar o SUS em Foz do Iguaçu, segundo reportagem da BBC. A jornada padrão de trabalho no Paraguai é de 48 horas semanais, contra as 44 horas brasileiras. As férias iniciais correspondem a 12 dias, e benefícios obrigatórios no Brasil, como vale-transporte e vale-alimentação, não têm equivalente garantido por lei. O ganho líquido aparente, portanto, é em parte neutralizado pela jornada mais longa e pela ausência de benefícios equivalentes.

Os números que tentam medir o tamanho do movimento também não convergem. A Gazeta do Povo trabalha com 263,2 mil brasileiros em 2023, número do Itamaraty. O portal Rota Bioceânica fala em “mais de 263 mil que trocam o Brasil pelo Paraguai”, e o site Terra Brasil Notícias usa a expressão “mais de 250 mil”, sem detalhar metodologia. A mesma Rota Bioceânica chega a citar um índice de “custo de vida até 2.119% mais baixo” no Paraguai, valor que não encontra respaldo em nenhuma outra fonte consultada e pode corresponder a erro de transcrição — os veículos que detalham alimentação, aluguel e serviços básicos citam diferença de até 21%.

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A escala do fenômeno também é objeto de disputa. Vídeos virais na internet falam em brasileiros “em massa” ou em “êxodo”, linguagem que as próprias autoridades paraguaias evitam. As autoridades migratórias paraguaias confirmam fluxo crescente, com recorde em 2025, ainda distante de uma saída generalizada, mas numeroso em termos absolutos e visível nas filas de Ciudad del Este.

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Política, frustração e retorno

Boa parte dos depoimentos colhidos pela imprensa cita motivações políticas e ideológicas. Empresários ouvidos pela BBC dizem que se sentem “oprimidos” no Brasil. Agências de regularização instaladas em Ciudad del Este relatam que os clientes mencionam desconfiança com a política brasileira, preocupação com eleições e peso da tributação como motivos para a mudança. Nos últimos anos, o Paraguai foi governado por partidos de orientação conservadora, o que reforça a percepção de “alinhamento ideológico” para parte do público que migra.

As mesmas agências de regularização relatam que parte dos clientes chega ao Paraguai com expectativas formadas por vídeos de redes sociais, em que o país aparece quase exclusivamente pelos pontos positivos: preços baixos de eletrônicos, contas reduzidas, regime de imposto simples. Quando essa imagem encontra saúde pública limitada e informalidade de 62,5%, parte das famílias opta por permanecer apenas com residência temporária e acaba voltando ao Brasil depois de meses. Não há estatística pública consolidada sobre esse retorno.

O que dá para afirmar

Existe aumento documentado de pedidos de residência brasileira no Paraguai, com recorde absoluto em 2025 e 9,2 mil novas autorizações apenas entre janeiro e março de 2026, segundo as autoridades migratórias paraguaias citadas por BBC, G1 e Gazeta do Povo. A motivação econômica é mensurável, sustentada por carga tributária estimada em 10% a 14% do PIB no Paraguai (contra 33% no Brasil), energia entre 40% e 60% mais barata e preços reduzidos de bens duráveis. O perfil dos migrantes inclui hoje empresários, profissionais qualificados, estudantes de medicina e aposentados de classe média, em vez de se restringir ao “brasiguaio” rural dos anos 1970.

Os riscos também aparecem nos dados oficiais: informalidade de 62,5% no mercado de trabalho paraguaio, sistema de saúde com cobertura mais restrita, jornada de 48 horas semanais e benefícios trabalhistas reduzidos. Em 2025, o Paraguai registrou o maior número anual de autorizações de residência para brasileiros de que se tem registro oficial, e em 2026 o ritmo do primeiro trimestre apontou para volume comparável.

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Governo de Mato Grosso entrega 272 apartamentos em Cuiabá com R$ 1,43 milhão em subsídios para reduzir o custo da entrada.

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Governo de MT entrega 272 apartamentos em Cuiabá com R$ 1,43 milhão em subsídios para reduzir o custo da entrada do financiamento.

Moradores do Condomínio Chapada das Palmeiras recebem chaves nesta quarta-feira (29); benefício direto reduz custo inicial de financiamento em Cuiabá.

O governo de Mato Grosso entrega nesta quarta-feira (29), às 9h, as chaves de 272 apartamentos do Condomínio Chapada das Palmeiras, no bairro Jardim das Palmeiras, em Cuiabá. As unidades habitacionais contam com um aporte de R$ 1,43 milhão dos cofres estaduais, recurso direcionado exclusivamente para abater o custo da entrada exigida no financiamento imobiliário.

A medida reduz a barreira financeira para a aquisição da casa própria. A operação integra uma política pública que já repassou recursos para mais de cinco mil famílias na capital mato-grossense, operando mediante o uso combinado de subsídios locais e regras do sistema financeiro federal.

Formato de financiamento

O modelo adotado no empreendimento da região do Coxipó faz parte da modalidade Entrada Facilitada do programa SER Família Habitação. O repasse financeiro do estado é gerido pela MT Participações e Projetos (MT-Par). O sistema permite que os compradores acumulem o incentivo local com os benefícios do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

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A Caixa Econômica Federal atua como agente financiador exclusivo da operação. Os adquirentes também recebem autorização para utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na composição do pagamento, obedecendo aos critérios do banco público.

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Volume de recursos na capital

A entrega das chaves no bairro Jardim das Palmeiras compõe um pacote maior de investimentos no setor imobiliário da cidade. O programa de facilitação de entrada já destinou R$ 86,8 milhões apenas para empreendimentos localizados em Cuiabá.

Com esse montante acumulado, 5.098 famílias conseguiram acessar o subsídio para fechar o contrato de aquisição habitacional até o momento.

Dados-chave do empreendimento

  • Unidades entregues: 272 apartamentos

  • Localização: Condomínio Chapada das Palmeiras (Jardim das Palmeiras, Coxipó)

  • Subsídio aplicado na obra: R$ 1,43 milhão

  • Agente financeiro: Caixa Econômica Federal

 

 

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