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Tarifas dos EUA

 Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor no dia 22 e ameaça chegar a 37,5% sobre parte dos produtos

O USTR confirmou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, com base na Seção 301, após investigação sobre Pix, etanol e desmatamento. Café, carne bovina e mais de 1.600 linhas de produtos ficaram isentos. O governo brasileiro vai acionar a Lei de Reciprocidade e a OMC. Mato Grosso está entre os estados menos atingidos.

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tarifa de 25%

Com os Estados Unidos respondendo por apenas 1,5% de suas exportações, Mato Grosso é o segundo estado menos exposto do país à tarifa de 25%.

O governo dos Estados Unidos passa a cobrar, a partir das 00h01 de 22 de julho, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em 15 de julho, fecha uma investigação de um ano sobre Pix, etanol, propriedade intelectual e desmatamento, e vem acompanhada de um anexo que retira mais de 1.600 linhas de produtos do alcance da taxa, entre elas café e carne bovina. No mesmo dia, a Presidência da República informou que vai acionar a Lei de Reciprocidade e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que muda no dia 22

A cobrança vale para todo o universo de bens importados do Brasil, com exceção dos que constam das listas anexas ao ato. O texto final, assinado em 15 de julho, manteve a lógica da proposta divulgada em junho: 25% sobre tudo, menos o que estiver expressamente isento. A apuração que sustenta a decisão começou em 15 de julho de 2025 e percorreu seis frentes, entre elas o sistema de pagamentos instantâneos Pix, o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, as regras de propriedade intelectual e a política ambiental.

A nova alíquota não substitui o que já se cobra na aduana americana. Ela se empilha. Antes dela, parte da pauta brasileira pagava a tarifa geral de 10% criada em fevereiro sob a Seção 122, e produtos como aço e alumínio respondiam por uma tarifa setorial da Seção 232. Corre em paralelo, sem se confundir com esta, uma sobretaxa de 50% imposta em agosto de 2025 e vinculada ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. São medidas distintas, com bases legais próprias, que atingem o mesmo país ao mesmo tempo.

Nas audiências públicas realizadas em Washington na semana anterior ao anúncio, o próprio governo brasileiro contabilizou 63 das 78 manifestações de representantes do setor privado dos dois países contrárias à taxação.

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A lista de isenções e o recuo do ferro-gusa

O anexo de exceções é o que define o alcance real da medida. Café em todas as formas, carne bovina, suco de laranja, petróleo e derivados, minério de ferro, aeronaves civis e suas partes, além de diversos químicos e fertilizantes, ficaram de fora. A justificativa registrada no ato reúne quatro critérios: risco de faltar matéria-prima ao mercado interno americano, ameaça de disrupção à economia dos EUA, ausência de produção doméstica suficiente e o entendimento de que taxar aqueles itens não corrigiria as práticas brasileiras que a investigação questiona.

Um caso ilustra como a lista mudou entre a proposta e a decisão. O ferro-gusa, insumo que o Brasil fornece em mais de 60% das importações americanas do produto, aparecia como taxado na versão de junho e terminou isento na ação final, depois da reação de siderúrgicas dos EUA que dependem dele. Seguem taxados em 25% as máquinas e equipamentos, os plásticos, os calçados, o papel-cartão, os têxteis e boa parte dos produtos de madeira manufaturada.

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O risco de a conta chegar a 37,5%

Uma segunda frente, ainda em fase de proposta, pode ampliar a conta. Em junho, o USTR abriu outra investigação, sobre importação de bens ligados a trabalho forçado, que prevê tarifas de 10% ou 12,5% para 60 economias. O Brasil está no grupo dos 12,5%. Se essa parcela for confirmada e recair sobre um produto já atingido pela Seção 301, a sobretaxa somada chega a 37,5%.

O número de 37,5% ainda é um cenário projetado, não um fato consumado. A parcela de 12,5% depende de uma decisão que ainda não saiu, e a tarifa geral de 10% da Seção 122 tem prazo de validade em 24 de julho, o que a coloca como camada em extinção, não em acúmulo. A conta final de cada produto vai depender de qual combinação de medidas incide sobre ele.

Quanto o Brasil pode perder

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) contabilizou 4.187 produtos brasileiros no alcance da tarifa, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações anuais. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mapeou em cerca de 21% a fatia de tudo o que o Brasil vende aos Estados Unidos ameaçada pela medida, com peso maior sobre máquinas, plásticos, calçados, madeira, papel-cartão e pescados.

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A fatia dos Estados Unidos na pauta brasileira já vinha caindo antes desta decisão. No primeiro semestre de 2026, os EUA responderam por 9,4% das exportações do país, contra 12,1% um ano antes, a menor fatia desde 1997. Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,682 bilhões aos americanos, dos quais 46% entravam sem qualquer sobretaxa.

A resposta de Brasília

A reação oficial veio em nota da Presidência da República, que classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países. O documento contesta a base econômica da medida ao lembrar que, pelas estatísticas do próprio governo americano, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões de superávit em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos, e que 76% das importações vindas dos Estados Unidos entraram no país sem imposto em 2025, sob alíquota média de 3,1%.

Dois pontos ficaram fora da mesa de negociação. A nota classifica o Pix como “patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital” e coloca a regulação de plataformas digitais e o combate ao desmatamento como escolhas soberanas. Em manifestação de 29 páginas enviada ao USTR no início de julho, o Itamaraty já havia rebatido as acusações contra o Pix e contra decisões do Supremo Tribunal Federal, em documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira.

No plano interno, a nota responsabiliza a família Bolsonaro pelo desfecho da investigação: “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.” A nota conclui: “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições.” Na prática, o governo anunciou a abertura dos trâmites da Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso, a retomada do tema na OMC e a manutenção do Plano Brasil Soberano de proteção aos setores atingidos.

Por que o impacto em Mato Grosso é pequeno

Para o quarto maior exportador do país, os Estados Unidos são um mercado secundário. Compraram o equivalente a 1,5% de tudo o que Mato Grosso vendeu ao exterior no primeiro semestre de 2025, o que coloca o estado como o segundo menos exposto do Brasil, atrás apenas de Roraima. A China, principal cliente, respondeu por perto de 46% no mesmo período.

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O que Mato Grosso mais vende aos Estados Unidos escapou da taxa. A carne bovina, que divide com o ouro o topo das exportações do estado ao mercado americano, entrou na lista de isenções. Ainda assim, os Estados Unidos são apenas o quarto destino da carne bovina de Mato Grosso, com participação de 4,1%, muito atrás da China.

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Em 2024, Mato Grosso vendeu US$ 415 milhões aos Estados Unidos, com carnes e ouro no topo, seguidos de sebo animal, gelatinas e madeira beneficiada. O valor de 2024 é uma fração dos US$ 30,1 bilhões que o estado exportou em 2025, quando ficou em quarto lugar entre os maiores exportadores do país, movido por soja, milho e carne, cujos volumes seguem rumo à Ásia.

A exposição da madeira e a lei citada em Washington

A exceção ao alívio mato-grossense está na base florestal. Mais de um quarto da madeira nativa que o estado exporta tem os Estados Unidos como destino, e o piso de madeira maciça com acabamento sai quase todo para lá. O anexo americano isentou celulose e alguns produtos de madeira, sem detalhar quais, o que deixa em aberto se os itens beneficiados de Mato Grosso escaparam da taxa.

O estado também aparece na origem da medida, não apenas entre os afetados. Ao justificar a investigação, o USTR citou nominalmente uma lei mato-grossense, a 12.709/2024, que restringe incentivos fiscais ligados a áreas com desmatamento, como exemplo de política considerada irrazoável pelos americanos. Mato Grosso perde pouca receita com a tarifa, mas teve uma de suas leis apontada como parte da justificativa americana.

Quando o tarifaço de 50% foi anunciado em 2025, entidades do estado reagiram. A Federação das Indústrias (FIEMT) alertou para riscos ao fluxo comercial e encabeçou uma manifestação conjunta do setor de base florestal. Famato e Aprosoja-MT também se manifestaram, com foco nos impactos à cadeia produtiva e no encarecimento de insumos importados. Até o fechamento desta reportagem, não havia posição pública dessas entidades sobre a tarifa de 25% confirmada na quarta-feira.

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A cobrança começa no dia 22. A decisão sobre a sobretaxa de trabalho forçado, que pode elevar a taxação, segue sem data, e a resposta brasileira na OMC e pela Lei de Reciprocidade ainda depende dos próximos passos que o governo deve detalhar.

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Polícia Civil prende jovem identificado por tatuagens após furto a comércio em Cuiabá

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Suspeito de 22 anos foi gravado por câmeras de segurança ao arrombar estabelecimento no bairro Jardim das Américas e subtrair dinheiro do caixa.

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, em Cuiabá, nesta quinta-feira (16.7), um mandado de prisão preventiva contra um jovem de 22 anos investigado por furtar R$ 553 e uma lata de refrigerante de um estabelecimento comercial. A ação policial foi conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital.

A rápida identificação do suspeito, viabilizada pelo sistema de monitoramento do local, reforça a importância das câmeras de segurança na elucidação de crimes patrimoniais, permitindo que a autoridade policial representasse judicialmente pela retirada do indivíduo de circulação.

Dinâmica do arrombamento no Jardim das Américas

De acordo com as investigações conduzidas pelos policiais da Derf, o crime ocorreu na madrugada do dia 3 de junho. O alvo foi um estabelecimento comercial localizado no bairro Jardim das Américas, região leste da capital mato-grossense.

A apuração detalhou que o suspeito forçou a entrada no local. Conforme o registro policial, o jovem “arrombou a porta principal do estabelecimento, entrou no local e furtou R$ 553 do caixa, além de uma lata de refrigerante”. Logo após recolher o dinheiro e a bebida, o indivíduo fugiu do estabelecimento comercial.

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Identificação por características físicas e tatuagens

O avanço da apuração dependeu diretamente do uso de tecnologia de vigilância. Durante as diligências, os investigadores da Derf tiveram acesso e analisaram as imagens do sistema de monitoramento do comércio. A documentação da “Assessoria | Polícia Civil-MT” afirma que os equipamentos “registraram toda a ação criminosa”.

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Foi através dessas gravações que a polícia conseguiu individualizar a autoria do crime. O texto oficial aponta que as imagens “permitiram identificar o investigado por meio de suas características físicas e tatuagens visíveis no rosto e nas mãos”.

Com a materialidade e a autoria definidas, a Polícia Civil tomou as medidas judiciais cabíveis. A corporação “representou pela prisão preventiva do suspeito, que foi cumprida nesta quinta-feira”, baseada nos “elementos reunidos durante a investigação”.

Antecedentes criminais do suspeito

O cruzamento de dados realizado pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos revelou que esta não foi a primeira infração cometida pelo jovem preso.

A Polícia Civil constatou que o investigado de 22 anos já possui histórico recorrente no sistema de Justiça. O relatório oficial destaca que ele “possui antecedentes por crimes patrimoniais, com registros de furto e roubo”, justificando, em parte, o pedido de prisão preventiva acatado pelo Judiciário.

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Entenda as palavras do texto:

  • Mandado de prisão preventiva: Ordem emitida por um juiz para prender um suspeito antes do julgamento final, visando proteger a investigação ou a ordem pública.
  • Diligências: Buscas, investigações e procedimentos realizados pelos policiais para esclarecer um crime.
  • Crimes patrimoniais: Delitos que atentam contra os bens, o dinheiro ou o patrimônio de uma pessoa ou empresa (ex: furto, roubo, extorsão).
  • Representou (judicialmente): Ato formal em que o delegado de polícia pede autorização ao juiz para realizar determinada ação, como prender alguém ou fazer uma busca.
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