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Violência de gênero

Feminicídio em Mato Grosso cresce em 2025 e contrasta com a queda recorde dos homicídios

Mato Grosso teve uma das maiores quedas de homicídios do Brasil em 2025, mas os feminicídios subiram de 47 para 53 casos e as tentativas cresceram 38,7%, a segunda maior alta do país. O estado mantém taxas de violência de gênero entre as mais altas do Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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feminicídio em Mato Grosso
Feminicídios e tentativas subiram em Mato Grosso em 2025, na contramão da queda dos homicídios em geral — Imagem: IA

Feminicídios e tentativas de feminicídio crescem em 2025 e deixam o estado entre os piores do país para mulheres, na contramão da queda dos homicídios em geral

Mato Grosso registrou uma das maiores quedas de homicídios do país em 2025, mas a violência letal contra as mulheres seguiu no caminho oposto. Os feminicídios passaram de 47 para 53 casos, as tentativas cresceram quase 39% e o estado aparece entre os primeiros do Brasil nas taxas desse tipo de crime, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Já os homicídios em geral recuaram mais de 20% no mesmo período.

Menos homicídios, mais feminicídios

Entre 2024 e 2025, a taxa de homicídios dolosos de Mato Grosso caiu de 22,2 para 17,3 mortes por 100 mil habitantes, um recuo de 22,1%. Foi a quarta maior redução do país, atrás apenas de Amazonas, Rio Grande do Sul e Paraná. A queda acompanhou a tendência nacional de recuo dos assassinatos observada no mesmo período.

O mesmo período contou uma história oposta para as mulheres. O número de feminicídios registrados no estado subiu de 47 para 53. A taxa correspondente foi de 2,5 para 2,7 mortes por 100 mil mulheres, enquanto a média brasileira permaneceu estável em 1,4. Nos dois anos, Mato Grosso registrou quase o dobro do índice nacional.

Em 2024, os 2,5 casos por 100 mil mulheres colocaram Mato Grosso no topo do ranking nacional, com a maior taxa de feminicídio entre todas as unidades da federação, à frente de Mato Grosso do Sul e do Piauí. Em 2025, com a alta observada em outros estados, o índice mato-grossense passou para a terceira posição, atrás de Acre e Rondônia. A perda de posição no ranking não veio de melhora local, e sim da piora registrada em outros pontos do país, já que a própria taxa do estado subiu no período.

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Tentativas em forte alta

O crescimento mais acentuado aparece nas tentativas de feminicídio, casos em que a vítima sobrevive ao ataque. Os registros saltaram de 171 para 241 em um ano. A taxa correspondente subiu de 9,0 para 12,5 por 100 mil mulheres, alta de 38,7% que foi a segunda maior variação do país nesse indicador, atrás somente do Distrito Federal. Maranhão e Paraná também tiveram forte crescimento, enquanto a média nacional de tentativas subiu 5,9%.

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Esse patamar deixou Mato Grosso com a segunda maior taxa de tentativa de feminicídio do Brasil em 2025, superada apenas pela do Amapá, e mais de três vezes acima da média nacional, de 3,8. Acre, Roraima e Distrito Federal completam o grupo das maiores taxas do país.

As tentativas de homicídio contra mulheres em geral, categoria que engloba as tentativas de feminicídio, também cresceram no estado: de 350 para 403 registros, com a taxa subindo de 18,4 para 20,8 por 100 mil. Dentro desse conjunto, a parcela classificada como tentativa de feminicídio avançou de 48,9% para 59,8%. Quase seis em cada dez ataques letais frustrados contra mulheres em Mato Grosso passaram a carregar a motivação de gênero.

Feminicídio em Mato Grosso na contramão

Os dois movimentos seguem direções opostas. A violência letal geral recuou mais de 20%, enquanto a que atinge mulheres por razão de gênero avançou em todas as frentes medidas pelo levantamento: feminicídio consumado, tentativa e proporção sobre o total de mortes de mulheres.

O contraste aparece nas variações que o próprio levantamento calcula para cada indicador. Os homicídios dolosos do estado caíram 22,1% de um ano para o outro, enquanto os feminicídios subiram 11% e as tentativas de feminicídio, 38,7%. Todos partem da mesma base de registros das polícias estaduais: a curva que desce é a da violência geral, as que sobem são as da violência de gênero.

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A proporção de feminicídios sobre o total de homicídios de mulheres aponta na mesma direção. No estado, essa fatia passou de 47,5% para 55,8%. Mais da metade das mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2025 teve a morte classificada como feminicídio, e não como resultado de crimes sem relação com a condição de gênero da vítima. A média nacional dessa proporção também subiu, mas parou em 44,4%, abaixo do índice local.

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Homicídios de mulheres seguem acima da média nacional

O total de homicídios de mulheres, indicador que inclui os feminicídios e as demais mortes violentas de vítimas do sexo feminino, teve leve recuo no estado: de 99 para 95 casos. A taxa caiu de 5,2 para 4,9 por 100 mil mulheres, patamar bem acima da média brasileira, que ficou em 3,2 em 2025. Em 2024, apenas Ceará e Acre tinham taxa maior que a mato-grossense. Em 2025, o estado foi superado também por Alagoas, Rondônia e Roraima, e ficou com a quinta pior marca do país.

A leitura conjunta dos indicadores mostra um estado onde a letalidade nas ruas caiu sem que o mesmo ocorresse na violência contra as mulheres. A queda expressiva dos homicídios em geral não se converteu em proteção equivalente para elas, e os números de gênero seguiram em sentido inverso ao da tendência estadual.

Os dados de 2025 compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública formam o balanço mais recente do estado nesse recorte.

 

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Homem é preso em flagrante após agredir mulher em plantação de milho em MT

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Vítima de 39 anos sofreu socos, chutes e enforcamentos. Suspeito mantinha arma de fogo escondida em caminhonete e alegou à polícia também ter sido agredido.

Policiais militares do 13º Comando Regional prenderam em flagrante, na madrugada desta sexta-feira (24.7), um homem de 41 anos em Canarana, suspeito de violência doméstica e ameaça contra uma mulher. O fato foi gerado a partir de um texto base distribuído institucionalmente.

A ocorrência, que teve início após uma discussão motivada por ciúmes, escalou para violência física e ameaças de morte. A situação resultou na autuação do denunciado também por porte ilegal de arma de fogo.

Dinâmica das agressões e isolamento

Segundo os dados da apuração original, a mulher relatou que mantém um relacionamento com o suspeito desde fevereiro e que ambos residiam juntos há cerca de dois meses. A escalada da violência ocorreu após um desentendimento. O material pontua, ipsis litteris: “Após uma discussão motivada por ciúmes, o homem passou a agredi-la com socos e chutes.”

Para agravar a situação, o suspeito isolou a vítima. O texto da denúncia detalha de forma exata que “a vítima informou ainda que o suspeito a colocou em uma caminhonete e a levou até uma região plantação de milho”, local onde o quadro de agressão se intensificou.

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Nesta zona rural, o homem “continuou com as agressões físicas, enforcamentos e ameaças de morte com uma arma de fogo”, conforme o relato colhido pelas autoridades policiais.

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Localização da arma e versão do suspeito

Além da violência física, o uso do armamento foi um fator central da ocorrência. A vítima indicou o paradeiro do armamento utilizado nas ameaças. O documento oficializa que “a mulher relatou que o suspeito possuía uma arma de fogo escondida na caminhonete, que estava estacionada na oficina onde ele trabalhava.”

Com base nestas informações, os militares do 13º Comando Regional realizaram buscas, identificaram e localizaram o suspeito. No momento da abordagem e confronto dos fatos, o homem apresentou sua versão sobre os ferimentos. O registro aponta que, ipsis litteris: “À PM, ele relatou que também havia sido agredido durante a discussão.”

Durante a vistoria, os policiais de fato encontraram a arma de fogo escondida no veículo do denunciado, confirmando o relato inicial da vítima. Diante do flagrante, o suspeito foi encaminhado à delegacia do município para o registro oficial do boletim de ocorrência e providências legais cabíveis.

Canais de denúncia

A sociedade mato-grossense possui meios oficiais para comunicar crimes deste tipo de forma anônima. A contribuição com as ações da Polícia Militar pode ser feita de qualquer cidade do Estado por meio dos números 190 ou pelo Disque-denúncia no 0800.065.3939.

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Glossário — Entenda os termos

  • Flagrante: Prisão efetuada no exato momento em que o crime está sendo cometido ou logo em seguida, antes que a situação se desfaça.
  • Autuado: Indivíduo contra quem a autoridade policial lavrou o auto de infração ou de prisão devido à comprovação preliminar do crime.
  • Porte ilegal: Transportar ou manter consigo arma de fogo fora de sua residência ou local de trabalho sem a devida autorização (porte) do Estado.
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