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Gestão Pública

Empresa aponta fraude em plantões e Juara investiga ex-diretora

Prefeitura de Juara abre PAD e auditoria para investigar pagamentos de plantões médicos não executados. A denúncia partiu da própria empresa contratada e mira ex-diretora do Hospital Municipal e médica.

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Investigação plantões médicos Juara
Prefeito Valdinei Holanda Moraes determinou auditoria após denúncia de empresa terceirizada.

Prefeito determina auditoria minuciosa e abertura de processo disciplinar após prestadora de serviços relatar inconsistências em pagamentos autorizados pela gestão hospitalar

A administração municipal de Juara abriu, nesta segunda-feira (5), uma frente de investigação para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos na saúde. O alvo central é o pagamento de plantões médicos que teriam sido atestados, mas não executados. A apuração ocorre após a própria empresa contratada, a Bariatrica Brasil Serviços Médicos Ltda (Medblanc), denunciar irregularidades envolvendo a ex-diretora do Hospital Municipal, Mayara J. C. Cavalheiro, e a médica Bruna Oliveira Alves.

O prefeito Valdinei Holanda Moraes assinou a decisão administrativa que determina a abertura imediata de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O ato oficial, publicado sob a Portaria nº 247/2025, acolhe o relatório de uma comissão interna. Esse grupo analisou a denúncia feita pela empresa terceirizada.

A autodenúncia e o mecanismo da fraude

O caso chama a atenção pelo mecanismo de descoberta. Diferente de auditorias externas tradicionais, o alerta partiu da própria beneficiária dos pagamentos. A Medblanc enviou uma Notificação Extrajudicial à prefeitura. No documento, a firma apontou “eventual irregularidade no quantitativo dos plantões” cobrados.

Esses pagamentos eram baseados em pedidos formulados pela Secretaria Municipal de Saúde e validados pela direção da unidade hospitalar. A comissão processante, ao analisar a conduta da empresa, concluiu que a companhia agiu de boa-fé. Por isso, a administração optou por não punir a pessoa jurídica.

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No relatório final, a comissão registrou que a decisão visa proteger o erário. O texto destaca a postura da gestão:

“A Administração Municipal deve agir na boa fé e realizar a devida aplicação dos recursos públicos em prol da coletividade e bem estar da população, nos atendimentos das demandas em diversos seguimentos, levando sempre a sombra dos princípios da legalidade, economicidade, razoabilidade e proporcionalidade”.

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Isenção da empresa e foco nos agentes públicos

A investigação preliminar indicou que a responsabilidade pelas inconsistências recai sobre quem tinha o dever de fiscalizar e executar o serviço na ponta. O documento oficial exime a Medblanc de culpa administrativa direta neste momento.

Segundo o texto da decisão, a comissão expressou sua convicção de forma clara:

“A Comissão apresenta, de maneira conclusiva, a sua convicção de que a empresa BARIATRICA BRASIL SERVIÇOS MÉDICOS LTDA MEDBLANC, inscrita CNPJ nº 42.488.597/0001-05, não efetuou nenhuma infração administrativa estabelecida na Ata de Registro de Preço nº 075/2024, decorrente do Pregão nº 064/2024”.

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A partir dessa isenção, o foco se voltou totalmente para os agentes públicos e os profissionais médicos envolvidos na validação das horas trabalhadas.

Recomendação de auditoria

A gravidade da denúncia exige um pente-fino nas contas do hospital. Não se trata apenas de punir, mas de entender o tamanho do rombo potencial. Diante disso, a comissão sugeriu o envolvimento da Controladoria Geral do Município (CGM).

O relatório, acatado integralmente pelo prefeito, traz a seguinte recomendação técnica:

“Diante dos fatos apontados e da eminente denuncia de possível e eventual desvio de conduta, irregularidade e de boa fé de agentes públicos em consonância com o disposto nos art. 200, 201 e, 227 da Lei Complementar nº 028/2007, esta Comissão de Processo Administrativo de Responsabilização, em atenção aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da impessoalidade, da legalidade, RECOMENDA ao(a) Ilustríssimo (a) Senhor (a) Secretário (a) Municipal de Administração o encaminhamento dos autos junto a Controladoria Geral do Município, para realização de auditoria minuciosa do quantitativo dos plantões médicos executados, pagos com pedidos requeridos pela Secretaria Municipal de Saúde/Hospital Municipal”.

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Os alvos do processo disciplinar

O despacho do chefe do Executivo municipal formalizou a investigação contra as duas figuras centrais apontadas na notificação da empresa. Mayara J. C. Cavalheiro, que ocupava o cargo de confiança na direção do hospital, terá que explicar como os plantões eram validados. Já a médica Bruna Oliveira Alves deverá esclarecer os serviços efetivamente prestados.

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A ordem de abertura do PAD foi expressa nos seguintes termos pela comissão:

“Solicita que seja realizado abertura de Processo Administrativo Disciplinar – PAD, a servidora: Mayara J C. Cavalheiro então Diretora do Hospital Municipal e prestador de serviço Dra. Bruna Oliveira Alves, médica CRM/MT nº 11874, que foram arroladas na denúncia relatada pela empresa BARIATRICA BRASIL SERVIÇOS MÉDICOS LTDA – MEDBLACK referente aos plantões médicos junto ao Hospital Municipal”.

Próximos passos

Com a decisão assinada nesta segunda-feira (5), o caso ganha contornos externos. O prefeito determinou que a apuração não fique restrita aos muros da prefeitura. Cópias da decisão e dos autos serão remetidas ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). O órgão fiscalizador poderá abrir sua própria investigação criminal ou civil pública, dependendo dos indícios de improbidade administrativa encontrados.

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VÁRZEA GRANDE

Setembro Amarelo leva acolhimento, escuta e informação sobre saúde mental à comunidade de VG

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Uma manhã de acolhimento, escuta e muita emoção marcou a ação do Setembro Amarelo realizada na Unidade de Saúde da Família do Jardim Santa Isabel, em Várzea Grande. Coordenada pela equipe da unidade, sob responsabilidade da enfermeira Cida Campos, a programação levou informações sobre saúde mental para perto da comunidade de forma leve, participativa e descontraída.

A atividade começou com um alongamento conduzido pelo professor de Educação Física Jonas, preparando os pacientes para uma manhã de interação. Em seguida, a equipe propôs a dinâmica “Explosão de Alívio: você não está sozinho”.

Em um painel, balões traziam palavras que representam sentimentos e situações vivenciadas por muitas pessoas, como medo, raiva, ansiedade e insegurança. Cada participante escolhia um balão relacionado ao sentimento que estava enfrentando naquele momento. Ao estourá-lo, encontrava uma mensagem de encorajamento, como forma de enfrentar e ressignificar aquela emoção.

Depois, a atividade continuava com uma corda, utilizada pelos participantes para extravasar os sentimentos. A proposta era colocar para fora aquilo que, muitas vezes, fica guardado.

A aposentada Maria Lúcia Zanon Ramos, de 64 anos, participou da dinâmica e lembrou de um momento em que precisou do acolhimento da equipe da unidade durante um tratamento para depressão. Segundo ela, após suspender a medicação por conta própria, chegou à unidade nervosa e chorosa e encontrou profissionais dispostos a ouvi-la e orientá-la.

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“Quando fiz tratamento de câncer, também precisei muito de pessoas que me ouvissem. Eu precisava falar, desabafar. Então, quando a gente encontra um amigo, uma pessoa que dá atenção, isso é muito importante”, contou.

Na dinâmica, Maria Lúcia escolheu a mensagem “Bota para fora tudo que está dentro do meu coração”. Depois, usou a corda para representar esse momento de colocar para fora aquilo que sentia.

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“Eu sacudi aquela corda com toda a força para botar para fora tudo o que sinto dentro de mim”, relatou.

Atenção aos sinais começa dentro de casa

Durante a programação, o médico de família Anderson Leal também conversou com os pacientes sobre a importância de observar mudanças de comportamento, palavras e atitudes de familiares e pessoas próximas.

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Ele reforçou que sinais de sofrimento emocional não devem ser ignorados e que buscar ajuda é fundamental. As unidades de saúde podem realizar o acolhimento, orientar e encaminhar os pacientes quando necessário, de acordo com cada situação.

Para a gerente da unidade, Maristela de Moraes, realizar ações como essa junto à comunidade faz parte do papel da saúde pública.

“É muito importante a unidade estar à frente de ações como essa, próxima da comunidade, principalmente para tratar de um assunto tão importante como o Setembro Amarelo. Nosso papel como saúde é acolher, orientar e encaminhar os pacientes que estão enfrentando problemas como depressão e ansiedade”, destacou.

Olhar atento pode ajudar a identificar sinais

A responsável técnica da unidade, enfermeira Cida Campos, ressalta que o cuidado com a saúde mental precisa acontecer durante todo o ano, e não somente em setembro.

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“É muito importante que toda a equipe se mobilize, tanto pelos profissionais da saúde quanto pela população que precisa de ajuda. Temos que estar aqui de braços abertos para acolher, dar um abraço e uma palavra de conforto. O Setembro Amarelo reforça essa atenção, mas esse cuidado precisa existir o ano inteiro”, afirmou.

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Cida também chama a atenção para a necessidade de profissionais e familiares observarem mudanças no comportamento, principalmente entre adolescentes. Segundo ela, a unidade já recebeu casos de adolescentes em sofrimento emocional que apresentavam sinais de automutilação.

Em um dos casos, uma adolescente chegou acompanhada pela coordenadora da escola. Ela era retraída, falava pouco e costumava usar blusas de manga comprida mesmo em dias de calor. A escola não havia identificado inicialmente o motivo do comportamento, mas buscou a unidade para pedir orientação.

A equipe realizou o acolhimento e, diante dos sinais identificados, fez o encaminhamento adequado para acompanhamento especializado.

“É muito importante nós, profissionais da saúde, estarmos atentos. Muitas vezes, os adolescentes usam blusas de frio, capuz ou mangas compridas para esconder as marcas. Precisamos ter essa percepção no olhar e prestar atenção às mudanças de comportamento”, explicou Cida.

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Quando necessário, os casos são encaminhados para os serviços da Rede de Atenção Psicossocial, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de acompanhamento com profissionais especializados e ações integradas ao Programa Saúde na Escola.

A ação no Jardim Santa Isabel mostrou que falar sobre saúde mental também pode ser uma oportunidade para criar vínculos, estimular a escuta e lembrar que ninguém precisa enfrentar sozinho sentimentos que parecem difíceis de suportar.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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