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Alerta no bolso: moto com superdesconto

Moto com 56% de desconto no dia livre de impostos; mato grosso ferve com adesão e ofertas de até 70%

O Dia Livre de Impostos, em 29 de maio, destaca motocicleta com mais de 56% de desconto em Mato Grosso. Mais de 900 lojas no estado expõem a alta carga tributária, fomentando conscientização e o debate da Reforma Tributária.

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Motocicleta com mais de 56% de desconto é destaque no Dia Livre de Impostos em Mato Grosso, evento que alerta para alta carga tributária.
Motocicleta com mais de 56% de desconto é destaque no Dia Livre de Impostos em Mato Grosso, evento que alerta para alta carga tributária.

Nesta quinta (29), iniciativa nacional em sua 19ª edição busca escancarar peso dos tributos no bolso do consumidor, com destaque para setor automotivo e ampla participação do comércio.

Imagine comprar uma motocicleta com mais da metade do preço cortado, um desconto real que pode ultrapassar 56%. Esta é uma das ofertas de impacto no Dia Livre de Impostos, que agita o Brasil nesta quinta-feira (29) em sua 19ª edição. A mobilização nacional, que escancara o peso da carga tributária, vê Mato Grosso ferver. Mais de 900 estabelecimentos aderiram, principalmente na grande Cuiabá e Várzea Grande. Eles oferecem produtos e serviços com o preço “limpo”, sem a conhecida mordida dos impostos, e alívios que, em diversos setores, podem chegar a expressivos 70% no valor final.

Por que o Brasil para (para pensar) em impostos? A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e a Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem) comandam essa empreitada. Ela alcança mais de 100 mil lojas. Em cerca de 1.500 cidades brasileiras. A mensagem é direta. Quase um terço de tudo que o país produz, o chamado Produto Interno Bruto, vira tributo, representando aproximadamente 32,4% do total.

O dia 29 de maio não é aleatório. A data simboliza um marco. Teoricamente, brasileiros trabalharam os primeiros cinco meses do ano só para pagar impostos. A campanha, nascida lá em 2003, joga luz sobre essa realidade há tempos sentida.

O debate da Reforma Tributária esquenta o cenário e, nesse contexto, a iniciativa do Dia Livre de Impostos ganha um tempero especial, pois visa conscientizar a população sobre a urgência de um sistema mais equilibrado. José César da Costa, presidente da CNDL, afirma: “o Dia Livre de Impostos é a maior campanha nacional de esclarecimento sobre o impacto dos impostos nos bens de consumo na vida do cidadão”. O objetivo vai além do desconto; quer-se mostrar como a alta tributação afeta o poder de compra e também como ela freia a competitividade empresarial, transformando a campanha em um verdadeiro manifesto econômico.

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Mato Grosso: um exército contra a carga tributária No coração do país, a CDL Cuiabá coordena. Os números impressionam. Mais de 900 empresas toparam o desafio. Este crescimento é notável. O empresariado local está mais engajado na causa.

A CDL Cuiabá frisa bem. “Não se trata de uma promoção ou oferta com descontos”. Mas sim “da venda de produtos com os impostos retirados”. Júnior Macagnam, presidente da entidade, reforça o ponto. “Não é desconto, nem promoção, e sim produtos livres de impostos”. Essa clareza é vital. O consumidor precisa entender o recado. O preço normal carrega um peso extra: o imposto. Sorteios de veículos sem imposto e ampla adesão comercial complementam as ações estaduais, prometendo agitar o comércio.

O que tem na prateleira sem o “sócio” governo? A variedade de setores participantes em Mato Grosso espelha a nação. Lojas de roupa, calçados, eletrodomésticos. Farmácias e postos de combustível também. Restaurantes, bares, papelarias aderiram. Joalherias, lavanderias, clínicas de estética e consultorias não ficaram de fora.

Essa gama permite a muitos sentirem o impacto. Daniel Luiz Ferraz de Matos, da CDL Cuiabá Jovem, explica. “É importante que o consumidor esteja ciente”. Ele “vai chegar na loja e terá alguns itens sem o imposto”. Para “perceber, na prática, o quanto o imposto implica no valor que paga”. Uma verdadeira aula de economia aplicada, no dia a dia.

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Postos na linha de frente

Quer sentir o alívio no tanque? Em Cuiabá, três postos aderiram. Oferecem combustível sem a fatia dos impostos. Anote: Posto Santa Marta (Avenida Miguel Sutil, 6692, Santa Marta). Posto Camisa 10 (Avenida Historiador Rubens de Mendonça, 1578, Bosque da Saúde). E Posto Aldo (Avenida Ayrton Senna da Silva, paralela à BR 364, Km 397, Distrito Industrial). Combustíveis são historicamente campeões de tributos. Esta é uma chance de ouro para o consumidor. Ele pode ver o tamanho real do custo no seu deslocamento.

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Shoppings e varejo em peso

Nos principais shoppings cuiabanos, a adesão foi grande. Quase todas as lojas participam. Elas estão devidamente identificadas para o público. A lista inclui desde mimos infantis na ABKIDS Imperial até marcas consolidadas como Anacapri e Animale. Até a Agropecuária Casa da Ração Ltda entrou na iniciativa. A campanha, assim, vai do básico ao sofisticado.

Carro e moto na sorte, sem imposto

A cereja do bolo em Mato Grosso é especial. Um carro e duas motocicletas são vendidos sem impostos. O desconto, como mencionado, é cavalar – especialmente no caso das motocicletas, onde a tributação pode representar mais da metade do valor final, ultrapassando os 56% – e por isso os felizardos serão definidos por sorteio. Interessados devem preencher um formulário específico no site da CDL Cuiabá. Uma forma de mostrar, de maneira bastante clara, o peso dos tributos no sonho do veículo próprio.

O peso invisível: quanto custa o imposto? Os números são de assustar. Dados da FCDL-MS revelam um quadro preocupante. Um celular? Exatos 62,46% do preço é imposto. Um par de tênis importado? Prepare-se, 65,71% do que você paga vai direto para o governo. A tributação, como se vê, esmaga o poder de compra.

E não para por aí. Ventiladores e liquidificadores ultrapassam a marca dos 40% de tributos. Uma moderna fritadeira elétrica, item cada vez mais popular, embute 26,25% de impostos. Os videogames, para o lazer da garotada e dos adultos, têm mais da metade do seu valor – precisamente 51,46% – destinado ao pagamento de tributos. É um fardo pesado, tanto para produtos essenciais quanto para itens de lazer.

Para entender melhor:

O que é o IRBES? O Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES) é um indicador. Ele foi criado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Sua função é medir a eficiência. Com que eficiência os impostos arrecadados por um país são convertidos em serviços públicos de qualidade? Saúde, educação e segurança são exemplos. O Brasil, segundo o IBPT, amarga a última posição nesse ranking. Isso entre os países analisados. Sugere um descompasso. Entre o volume de tributos pagos e os benefícios recebidos.

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Um grito que ecoa pelo país A mobilização em Mato Grosso não está sozinha. Faz parte de um movimento nacional. Em São Paulo, por exemplo, há bar vendendo chopp a R$ 7,70. E posto comercializando gasolina a R$ 4,24 o litro. Minas Gerais, Santa Catarina, Distrito Federal também participam ativamente. Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte idem. Essa união de forças, de norte a sul do Brasil, reforça a mensagem. A carga tributária é um problema de todos. A coordenação nacional por trás do evento busca um sistema tributário mais justo e menos complicado para todos os brasileiros.

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E depois do dia D, o que fica? A expectativa é grande. Mais de 2 milhões de consumidores podem ser beneficiados nacionalmente. Em Cuiabá, com mais de 900 empresas, o impacto deve ser forte. A conscientização sobre impostos deve aumentar consideravelmente. Raphael Paganini, coordenador nacional da CDL Jovem, é claro. “Nossa intenção é mostrar para a população como as taxas são abusivas”. Uma cutucada educativa, para armar o cidadão com informação e fomentar o debate.

A data da campanha é estratégica. Ocorre em pleno debate da Reforma Tributária. Os organizadores querem influenciar as discussões. Querem modernizar o caótico sistema tributário brasileiro. Mostrar o peso do imposto no preço final é um argumento poderoso. Ajuda quem defende menos burocracia e uma carga mais leve para o bolso do contribuinte. O presidente da CNDL resume: “o país necessita de um ambiente de negócios menos burocrático e oneroso, com um sistema de arrecadação justo, eficiente e que sirva de base para o aumento da competitividade”. Um desejo do empresariado mato-grossense. Eles anseiam por melhores condições para crescer e gerar empregos.

Conclusão: um dia para não esquecer (e cobrar) O Dia Livre de Impostos de 2025 é marcante. A forte adesão em Mato Grosso, com mais de 900 empresas em Cuiabá, diz muito. Não é só sobre comprar mais barato por um dia. É uma aula prática sobre o infame “custo Brasil”. A iniciativa transcende o desconto momentâneo. Funciona como um despertador para a consciência cívica. Mostra o impacto real dos tributos. No nosso poder de compra. Na saúde financeira das empresas. A variedade de participantes escancara. A tributação mexe com toda a economia local, sem exceção.

Em tempos de Reforma Tributária na pauta do dia, a mobilização é vital. Fornece argumentos vivos por um sistema mais justo e transparente. Saber que um simples celular pode ter mais de 60% de seu preço final composto apenas por impostos, ou uma motocicleta mais de 56%, dá o que pensar. Reforça, sem dúvida, a urgência da simplificação tributária. Para Mato Grosso, a participação massiva é um recado: o empresariado quer mudanças estruturais. Mudanças que beneficiem consumidores e empresas, por um ambiente de negócios mais competitivo e socialmente justo.

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CONSUMIDOR

Preço de ultraprocessados cai e fica menor que o de alimentos in natura

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impacto reforma tributária cesta básica

Pesquisa da UFMG e do Idec aponta que inversão de valores ocorreu em 2024; produtos industrializados devem baratear ainda mais até 2026

O preço médio de alimentos ultraprocessados no Brasil registrou queda de cerca de 16% entre os anos de 2018 e 2024. O declínio fez com que, a partir do ano passado, a média de custo dos produtos industrializados se tornasse inferior à dos alimentos in natura ou minimamente processados.

A convergência de valores antecipa uma alteração de mercado prevista inicialmente pelos pesquisadores apenas para 2026. A mudança na dinâmica de custos afeta o padrão de consumo das famílias e levanta discussões sobre a aplicação de impostos seletivos.

Os dados integram estudos conduzidos pelo Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), elaborados em parceria com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

A trajetória dos custos

O relatório elaborado pelas entidades avalia a configuração atual como um “cenário preocupante”. Em 2018, o valor médio dos produtos ultraprocessados era de R$ 22,20. O preço recuou para R$ 18,80 em 2024. A categoria de alimentos processados acompanhou o movimento de queda, passando de R$ 26,10 para R$ 22,60 no mesmo intervalo.

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Os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários seguiram trajetória oposta. O grupo custava, em média, R$ 18,90 em 2018. Durante a pandemia de Covid-19, os produtos registraram aumento, atingindo o pico de R$ 21,30 em 2021. Em 2024, após ligeira redução, a categoria fechou com média de R$ 18,60.

O levantamento detalha o impacto nos itens que compõem a rotina alimentar do país. O arroz polido encareceu de R$ 4,50 em 2018 para R$ 5,90 em 2024. O feijão passou de R$ 7,10 para R$ 9,30 no período, mantendo-se em patamar acima de R$ 9 desde 2020. A banana prata saltou de R$ 6,60 para R$ 8,20, com alta ininterrupta a partir de 2021. O estudo classifica a cotação do azeite no ano passado, estabelecida em R$ 63,70 por quilo, como um “valor alarmante”.

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Na seção dos ultraprocessados, o refrigerante sabor cola recuou de R$ 5,60 para R$ 4,70 por litro entre 2018 e 2024. A mortadela caiu de R$ 21,10 para R$ 15,10, com redução contínua após 2020. A margarina encerrou o ano passado custando R$ 13,90 por quilo, cifra inferior aos R$ 15,80 registrados em 2018. O iogurte com sabor diminuiu de R$ 16 para R$ 14,70 por quilo no mesmo recorte temporal.

Projeções e clima

A pesquisa aponta que eventos extremos vinculados às mudanças climáticas, como secas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção agrícola. O impacto restringe a oferta de frutas, verduras, legumes e grãos, pressionando os preços e afetando a disponibilidade para a população.

A tendência projetada pelas entidades para o biênio 2025-2026 indica manutenção da queda de preço dos ultraprocessados. A categoria tem previsão de atingir média de R$ 18,40 por quilo em 2025 e R$ 17,90 por quilo em 2026.

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Os alimentos in natura, minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter estabilidade relativa. A projeção para o grupo é de R$ 19,50 em 2025 e R$ 19,60 em 2026. Diante dos números, o relatório alerta para a necessidade de políticas públicas de isenção fiscal para alimentos saudáveis e de tributação sobre os industrializados.

Reforma Tributária

Um segundo estudo elaborado pela UFMG e pelo Idec avaliou os desdobramentos da Reforma Tributária sobre a dieta nacional. O texto indica que a mudança nos hábitos dependerá da aplicação do imposto seletivo e das regras de isenção sobre a nova cesta básica.

Os dados mostram que os itens da cesta básica apresentam menor sensibilidade a variações de preço, com consumo alterado em menor escala. Em contrapartida, produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas possuem alta sensibilidade em relação à renda e ao preço. Se o rendimento familiar cresce, a ingestão destes produtos aumenta de forma acelerada. Quando frutas e verduras ficam mais caras, ocorre a substituição por itens como pães, biscoitos e refrigerantes.

A modelagem indica que restringir o imposto seletivo exclusivamente aos refrigerantes é medida insuficiente para conter o avanço no consumo dos ultraprocessados. A simulação da Reforma Tributária demonstra que as alterações causam pouca variação no consumo total de alimentos, mas promovem redistribuição: há pequena redução nos gastos com itens básicos e aumento moderado na compra de ultraprocessados.

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Como foi feito

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A análise dividiu-se em dois estudos. O primeiro aferiu a evolução de preços utilizando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua). Os valores foram deflacionados para dezembro de 2024 e os itens separados pelo sistema de classificação Nova. O recorte avaliou dados de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. As projeções até o final de 2026 usaram modelos ARIMA.

O segundo estudo analisou o impacto da Reforma Tributária empregando a POF 2017-2018 (IBGE), com informações de mais de 57 mil domicílios em todas as regiões. O trabalho simulou dois cenários: o imposto seletivo apenas sobre refrigerantes (proposta atual) e o tributo incidente sobre todos os ultraprocessados (proposta da sociedade civil).

Entenda os termos metodológicos

  • QUAIDS (Quadratic Almost Ideal Demand System): modelo econométrico para medir como mudanças de preço e renda afetam o consumo.
  • Elasticidades de demanda: métrica que define a variação do consumo de um produto mediante alteração de preço ou renda.
  • Diferenças-em-Diferenças (DiD): técnica de simulação que isola o efeito causal da Reforma Tributária sobre a alimentação.
  • Bootstrap paramétrico: técnica estatística usada para validar resultados na pesquisa.

 

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