Pesquisar
Close this search box.

Segurança Pública

Cidade de Mato Grosso supera St. Louis e seria a mais violenta dos Estados Unidos

Publicado em

Com taxa de homicídios 5,3% maior que a líder americana, pontes e lacerda expõe um cenário de violência extrema no interior do brasil, alimentado por garimpo, tráfico e disputas de facções

Com taxa de homicídios 5,3% maior que a líder americana, pontes e lacerda expõe um cenário de violência extrema no interior do brasil, alimentado por garimpo, tráfico e disputas de facções.

Se fizesse parte do território norte-americano, um município de Mato Grosso de pouco mais de 47 mil habitantes ocuparia o deshonroso topo do ranking da violência. Com uma taxa assustadora de 73,1 homicídios para cada 100 mil pessoas, a cidade de Pontes e Lacerda desbancaria St. Louis, no Missouri, como a cidade mais letal dos Estados Unidos, que registrou 69,4 mortes violentas na mesma proporção.

A comparação, baseada em dados de 2024, é mais do que uma curiosidade estatística; ela joga luz sobre uma realidade brutal que se desenrola longe das grandes metrópoles brasileiras. A análise revela que a violência extrema no país não é exclusividade de capitais, mas pulsa com força em municípios do interior que reúnem um coquetel perigoso: proximidade com fronteiras porosas, a febre do ouro em garimpos ilegais, rotas consolidadas do narcotráfico e, como consequência, disputas territoriais sangrentas entre organizações criminosas.

Nesse mapa da violência, outras cidades do estado também se destacam negativamente. Sorriso, conhecida como a capital nacional do agronegócio, ficaria em uma posição intermediária no ranking americano, enquanto a capital Cuiabá, mesmo com seus próprios desafios, manteria uma taxa inferior à de Washington D.C., a capital dos EUA.

 

Advertisement

Fronteira, ouro e sangue

 

Mas o que transforma uma cidade como Pontes e Lacerda, a 443 km de Cuiabá, em um barril de pólvora? A resposta está na sua geografia e economia. Situada próxima à fronteira com a Bolívia, a região é um corredor estratégico para o tráfico internacional de drogas e armas. Soma-se a isso a presença endêmica do garimpo ilegal, uma atividade que atrai um exército de pessoas em busca de enriquecimento rápido e, com elas, a criminalidade organizada que disputa o controle dessas áreas com unhas, dentes e armas de grosso calibre.

Leia Também:  Cartilha do TSE orienta uso de inteligência artificial na campanha de 2026

A chacina que deixou quatro mortos e um ferido em um garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em setembro de 2024, é um retrato fiel dessa dinâmica. O episódio escancara como a extração ilegal de minério não apenas devasta o meio ambiente, mas cria zonas sem lei onde a vida humana tem pouco ou nenhum valor. As operações da Polícia Federal na região são constantes, mas parecem enxugar gelo diante da magnitude do problema.

 

A sombra violenta do agronegócio

 

Advertisement

Enquanto Pontes e Lacerda sangra pelo ouro e pelo tráfico, Sorriso enfrenta um paradoxo diferente. A pujança do agronegócio, que a tornou uma das cidades mais ricas do país, também importou uma criminalidade sofisticada e violenta. O rápido crescimento populacional, atraído pelas promessas de emprego, não veio acompanhado de infraestrutura social e segurança pública na mesma velocidade, criando um terreno fértil para a desigualdade e o crime.

Estudos apontam para um verdadeiro “apartheid social” na cidade, onde a riqueza se concentra de um lado e a miséria se espalha de outro. É nesse vácuo que facções criminosas, muitas delas aliadas a grandes grupos como o PCC, se instalaram para controlar o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, transformando a capital do agro em palco de uma guerra urbana que elevou Sorriso ao ranking das cidades mais violentas do Brasil. A violência, aqui, parece ser o subproduto tóxico de um progresso que não chegou para todos.

Leia Também:  Prender não resolve tudo: por que conversar com os agressores ainda é uma estratégia indispensável

A crise de segurança em Mato Grosso vai além dos homicídios. O estado também abriga quatro das 50 cidades com as maiores taxas de estupro no Brasil, com destaque para Sinop, Sorriso e Tangará da Serra. Isso demonstra que a falha do Estado em garantir a segurança de seus cidadãos é sistêmica e se manifesta de múltiplas formas, tornando a vida, especialmente para as mulheres, um desafio diário. A violência, afinal, não está apenas nas estatísticas de assassinato, mas no medo que permeia o cotidiano.

 


Para entender melhor:

Advertisement
  • Taxa de homicídios: É um cálculo padronizado para comparar a violência entre locais com populações diferentes. Mede o número de homicídios a cada 100 mil habitantes em um determinado período, geralmente um ano, permitindo uma análise mais justa do que os números absolutos.
  • Garimpo ilegal: Exploração de minérios, como ouro, sem autorização legal dos órgãos competentes. Frequentemente, essa atividade está associada a graves danos ambientais, conflitos por terras, trabalho análogo à escravidão e violência extrema, sendo um polo de atração para organizações criminosas.
  • Facções criminosas: Grupos estruturados que atuam no crime, como tráfico de drogas, armas e roubos. A disputa por controle de territórios e rotas comerciais entre facções é um dos principais motores da violência letal em muitas regiões do Brasil.

 

Quer se informar sobre meio ambiente em MT? Acesse o site www.lupamt.com

Entre para nosso grupo e mantenha-se informado, você pode entrar clicando aqui.

Ouça o Pod Lupa na mata:

Advertisement

DESTAQUE

Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

Published

on

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

Leia Também:  WhatsApp para de funcionar em alguns celulares a partir de 8 de setembro;veja se o seu esta na lista

Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

Advertisement

Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

Leia também:

“Isso aqui é o matadouro”: vídeo mostra cães mortos e vivos em barracão sem luz do Zoonoses de Cuiabá

EXCLUSIVO:compras pela internet: o guia completo dos direitos do consumidor

Advertisement

EXCLUSIVO:Mato Grosso mata mais mulheres por serem mulheres;revela anunário

Leia Também:  Homem é preso após esfaquear vizinho enquanto ele dormia em Cuiabá

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA