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Saúde

Diretriz da SBD passa a exigir tratamento da obesidade junto com o diabetes tipo 2

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diabetes tipo 2

Atualização também muda a orientação para gestantes e recomenda adiar a gravidez quando a hemoglobina glicada está acima de 9

A Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou em 19 de agosto as diretrizes de tratamento clínico da doença no país. Pela nova regra, quem tem diabetes tipo 2, o mais comum entre os diagnosticados, passa a ter a obesidade tratada em conjunto. Até então o manejo do excesso de peso era opcional durante o tratamento.

O que muda no consultório

A mudança atinge dois grupos. Em quem já convive com o diagnóstico, a meta é frear o agravamento. Em quem reúne condições favoráveis ao aparecimento da doença, como os pré-diabéticos, a meta é impedir que ela se instale.

Marcello Bertoluci, coordenador de Diretrizes da SBD, resumiu a alteração como uma saída do foco exclusivo no controle da glicose para incluir também o controle do peso e o risco cardiorrenal. Hábitos de vida saudáveis seguem no centro da recomendação, mas passam a conviver com a indicação de medicamentos que tratem obesidade e diabetes ao mesmo tempo e previnam complicações como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal do diabetes.

Entre os medicamentos previstos estão os agonistas do GLP-1, classe que inclui Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

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Quase 20 milhões de casos

Diabetes é uma condição crônica em que o organismo não produz insulina ou não absorve o hormônio de forma adequada. É a insulina que retira o açúcar do sangue.

A Organização Mundial da Saúde estima que a doença atinja 14% da população adulta do planeta, cerca de 828 milhões de pessoas. No Brasil, o percentual de 12,9% corresponde a aproximadamente 19,9 milhões de indivíduos, cálculo feito sobre o Censo Demográfico de 2022 do IBGE.

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A pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde no início deste ano com dados de 2024, chegou ao mesmo percentual de adultos brasileiros com diagnóstico. O aumento em relação à primeira edição do levantamento, feita em 2006, é de 134,5%. Naquele ano, a prevalência era de 5,5%.

Os dois tipos mais comuns da doença têm origens distintas. No tipo 1, uma condição autoimune leva o próprio corpo a atacar as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina, e o paciente passa a depender de aplicações do hormônio.

O tipo 2 responde por cerca de 90% dos casos e está ligado a hábitos de vida. Excesso de peso e má alimentação sobrecarregam as células produtoras de insulina, o que compromete a produção ou a absorção. É esse grupo que a nova regra atinge de forma mais direta.

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Gestação

A segunda alteração relevante trata da gravidez. Mulheres com hemoglobina glicada acima de 9 passam a receber recomendação de anticoncepcional. Lenita Zajdenverg, coordenadora do Departamento de Diabetes Gestacional da SBD, apresentou o dado que sustenta a orientação: um em cada seis nascidos vivos é filho de mãe que teve hiperglicemia na gestação, quadro que eleva o risco de malformações fetais.

A médica ponderou que a decisão de ter um filho é da mulher, e disse que a paciente com esse índice e em condições de engravidar deve ser aconselhada a não fazê-lo, pelo aumento significativo do risco de malformações e de outras complicações gestacionais. A orientação é adiar a gestação até que o número fique abaixo de 6.

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Para mulheres com diabetes tipo 1 que ainda não engravidaram e têm dificuldade de manter o controle glicêmico, a indicação passa a ser o uso de sistemas automatizados de infusão de insulina. Há evidências de que o uso desses sistemas antes da gravidez melhora o desfecho da gestação, porque melhora o controle da glicemia.

Troca de medicação antes de engravidar

Quem tem diabetes tipo 2 e usa agonistas do GLP-1 precisa trocar de medicação antes de engravidar. Estudos observacionais não identificaram aumento de risco de malformações com o uso da classe no primeiro trimestre, segundo Zajdenverg, mas esses remédios ainda não têm autorização para uso na gravidez. A substituição indicada é pela insulina.

A edição de 2026 da diretriz está publicada no portal da entidade e passa a orientar o acompanhamento clínico dos pacientes no país.

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Uso prolongado de tadalafila eleva risco de glaucoma e cegueira, indica estudo

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tadalafila e glaucoma

Pesquisa taiwanesa acompanhou quase 74 mil homens por cinco anos e encontrou aumento de 22% na incidência da doença

Homens que tomam tadalafila de forma contínua para tratar sintomas urinários ligados ao aumento da próstata apresentaram risco maior de desenvolver glaucoma, doença que pode levar à cegueira. É o que aponta estudo publicado em 4 de agosto no British Journal of Ophthalmology, conduzido por pesquisadores de Taiwan e liderado por Yun Hsia, do Hospital da Universidade Nacional de Taiwan, em Taipé.

Os autores usaram registros anonimizados da rede internacional TriNetX referentes a 73.854 homens de 40 anos ou mais, atendidos entre janeiro de 2012 e dezembro de 2022. Metade recebeu prescrição de tadalafila para sintomas do trato urinário inferior; a outra metade, formada por 36.927 pacientes com o mesmo quadro urinário, não usou nenhum inibidor de fosfodiesterase tipo 5. Os dois grupos foram pareados por idade, raça, tabagismo, transtornos relacionados ao álcool, comorbidades, função renal e uso de outros medicamentos. A média de idade era de 62 anos. Quem já tinha diagnóstico de glaucoma antes da entrada no estudo ficou de fora.

Ao fim de cinco anos, o grupo que usou tadalafila teve 22% mais casos de glaucoma. A diferença aparece também na hipertensão ocular, com aumento de 32%, e no início de tratamento contra o glaucoma, com 33%. Os casos de glaucoma primário de ângulo aberto, a forma mais comum da doença, seguiram a mesma tendência.

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Os pesquisadores não tratam o resultado como motivo para suspender o medicamento. Segundo eles, os achados não contraindicam a tadalafila, mas reforçam a necessidade de avaliação oftalmológica antes do início do tratamento e de acompanhamento periódico depois, principalmente em pacientes com glaucoma ou hipertensão ocular já diagnosticados, histórico familiar da doença, miopia alta ou indicação de uso prolongado.

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O estudo é observacional e retrospectivo, o que impede afirmar relação de causa e efeito. Os próprios autores ponderam que, mesmo com o pareamento estatístico entre os grupos, fatores não medidos podem ter influenciado o resultado.

Como o medicamento age

A tadalafila é um vasodilatador usado sobretudo no tratamento da disfunção erétil. O efeito vem da inibição da fosfodiesterase tipo 5, enzima ligada ao relaxamento dos vasos sanguíneos. Bloqueada a enzima, o fluxo de sangue nos corpos cavernosos aumenta e o pênis é estimulado a ficar ereto.

A substância também é indicada na hiperplasia prostática benigna, condição que dificulta a micção e atinge principalmente homens acima de 50 anos por causa do aumento da próstata. Nesse caso, o medicamento relaxa a musculatura da próstata e da bexiga, além de atuar sobre o fluxo sanguíneo. É essa indicação que envolve doses baixas tomadas todos os dias, por períodos longos — exatamente o perfil de uso analisado pelos taiwaneses.

Anvisa já havia alertado sobre uso recreativo

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Embora seja medicamento de uso clínico, a tadalafila é comprada com frequência sem prescrição e consumida para fins recreativos.

Em 5 de setembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou alerta de farmacovigilância sobre o consumo indiscriminado de sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. O documento cita risco de infarto, acidente vascular cerebral, hipotensão, perda de visão ou audição, ereção prolongada e dependência psicológica.

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A agência também registrou que essas substâncias não têm comprovação de eficácia e segurança para uso em atividades físicas, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho sexual, e que só podem ser dispensadas mediante prescrição de profissional habilitado. Formulações irregulares, como gomas e suplementos com tadalafila, foram proibidas.

O que é glaucoma

O glaucoma atinge o nervo óptico e provoca perda de células da retina, segundo o Ministério da Saúde. O dano compromete o envio de impulsos nervosos dos olhos ao cérebro. A causa principal é o aumento da pressão intraocular.

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