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Segurança Pública

Vigilância digital avança no interior com custo oculto para prefeituras

Matéria analisa a cessão de equipamentos de monitoramento da SESP para municípios do interior de MT, destacando os custos operacionais para as prefeituras e a falta de efetivo policial

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Câmera de segurança instalada em poste de iluminação pública monitorando uma estrada no interior de Mato Grosso
Programa Vigia Mais MT

Estado cede equipamentos para Nova Xavantina, Nova Ubiratã e Salto do Céu, mas operação e manutenção recaem sobre os cofres municipais.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) oficializou nesta terça-feira (25) a expansão do seu sistema de monitoramento para três pontos estratégicos do interior de Mato Grosso. O governo publicou no Diário Oficial extratos de cessão de uso que enviam tecnologia de ponta para Nova Xavantina, Nova Ubiratã e Salto do Céu. A medida amplia o “olho digital” do Estado. No entanto, ela transfere aos gestores municipais uma responsabilidade financeira e operacional que pode pesar nos orçamentos locais.

O acordo segue um padrão jurídico específico. O Estado mantém a propriedade dos equipamentos. Os municípios recebem a posse e a obrigação de fazê-los funcionar. Em Nova Xavantina, cidade polo do Vale do Araguaia, o Termo de Cessão de Uso nº 157/2025 detalha o repasse. O pacote tecnológico soma R$ 90.000,00. Ele inclui câmeras que devem integrar o sistema de videomonitoramento da região.

A conta chega para o município

A modernização traz uma contrapartida silenciosa. O programa estadual, conhecido como “Vigia Mais MT”, fornece o hardware — as câmeras e leitores. Porém, a infraestrutura necessária para manter o sistema vivo sai dos cofres da prefeitura.

O município precisa pagar a instalação. Precisa garantir links de internet de alta velocidade para transmissão de dados ao Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública). Precisa arcar com a conta de energia elétrica. Além disso, assume a manutenção corretiva dos aparelhos.

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Para cidades pequenas, essa despesa fixa torna-se um desafio. O orçamento da segurança municipal, muitas vezes restrito, acaba comprometido com custos operacionais que não param de chegar.

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O mapa estratégico do crime

A escolha das cidades não parece aleatória. A SESP mira rotas críticas. Nova Ubiratã, contemplada pelo Termo nº 115/2025, é uma peça-chave no agronegócio. O município fica no eixo da BR-242. A região sofre com o roubo de cargas e defensivos agrícolas. As câmeras ali funcionam como uma barreira digital para proteger a produção que escoa pelo norte.

Já Salto do Céu apresenta um cenário diferente e mais tenso. O município recebeu os equipamentos via Termo nº 054/2025. A cidade está na faixa de fronteira. A vigilância ali tem caráter de inteligência. O objetivo provável é monitorar o fluxo do tráfico internacional que vem da Bolívia.

Espera-se que as câmeras nessa região possuam tecnologia OCR (Leitura Óptica de Caracteres). Esse recurso lê placas de veículos automaticamente. Ele permite identificar carros roubados ou usados por organizações criminosas em tempo real. Isso integra a pequena cidade ao radar do GEFRON (Grupo Especial de Fronteira).

Tecnologia versus Efetivo Humano

A chegada das câmeras levanta um debate antigo na segurança pública. O monitoramento eletrônico resolve o problema da criminalidade? Especialistas apontam que a tecnologia serve como ferramenta de apoio. Ela não substitui a presença policial.

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O risco é criar uma falsa sensação de segurança. A câmera registra o crime. O software emite o alerta. Mas, sem viaturas e policiais suficientes na ponta para responder ao chamado, a imagem vira apenas um arquivo digital de um delito consumado.

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O déficit de efetivo nas polícias Civil e Militar no interior é uma realidade constante. Em cidades menores, o número de agentes por turno costuma ser baixo. A tecnologia acelera a informação, mas a resposta física ainda depende do fator humano.

Os Contratos

  • Vigência: Os termos geralmente possuem validade de 60 meses (5 anos).

  • Responsabilidade Civil: Em caso de vandalismo, roubo ou dano ao equipamento, a Prefeitura deve ressarcir o Estado.

  • Modelo: Cessão de Uso de Bem Móvel (o Estado empresta, o Município cuida).

Os acordos publicados firmam o compromisso do Estado em equipar o interior. Resta saber se as prefeituras conseguirão manter o “Big Brother” ativo e se haverá policiais para atender às ocorrências que as telas vão mostrar.

DESTAQUE

Homem é preso em Várzea Grande após ameaçar com espingarda equipe que fiscalizava furto de energia

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Segundo a Polícia Civil, o morador saiu de casa com uma faca, agrediu técnicos da concessionária a socos e ameaçou atear fogo ao veículo da empresa; perícia constatou ligação clandestina no imóvel

Um homem foi preso em flagrante na tarde de quinta-feira (27), no bairro Engordador, em Várzea Grande, depois de reagir com violência a uma fiscalização de furto de energia elétrica em sua residência. Ele foi autuado por furto de energia qualificado pela fraude, lesão corporal dolosa, ameaça, desacato e resistência.

A ocorrência começou quando técnicos de uma concessionária de energia identificaram indícios de irregularidade na ligação do imóvel e acionaram a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf-VG). Conforme o relato da corporação, ainda durante a inspeção o morador deixou a casa portando uma faca e partiu para cima dos funcionários.

O homem teria desferido socos nos técnicos e tentado derrubar a escada usada no serviço. Na sequência, segundo a Polícia Civil, ameaçou incendiar o carro da empresa e os próprios trabalhadores. Ele voltou ao interior da residência, pegou uma espingarda de pressão e passou a dizer que atiraria contra a equipe.

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Os investigadores encontraram o suspeito no endereço, ainda alterado. A polícia registra que ele manteve as ameaças durante a abordagem, xingou os agentes e resistiu à detenção, o que levou os policiais a empregar força moderada para contê-lo. A faca e a espingarda de pressão citadas nas ameaças foram apreendidas no local.

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Ligação direta

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi ao imóvel e, após análise técnica, constatou a existência de uma ligação direta de energia elétrica — o que, para a Polícia Civil, confirma o furto.

Levado à Derf de Várzea Grande, o homem foi interrogado, autuado em flagrante e encaminhado à audiência de custódia, ficando à disposição da Justiça.

 

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