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Atlas da violência 2025

Falha Persistente: Homicídios de Mulheres em Mato Grosso Revelam Realidade Brutal e Desigualdade Racial Alarmante

Mato Grosso enfrenta crise de violência letal contra mulheres com taxas de homicídio 62,8% acima da média nacional em 2023. Mulheres negras são as maiores vítimas, e violência contra não negras cresceu 51,7% em 5 anos. Dados do Atlas da Violência 2025.

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Homicídios de mulheres Mato Grosso
Violência contra mulher em Mato Grosso

Dados do Atlas da Violência 2025 expõem taxas de mortalidade feminina no estado significativamente acima da média nacional e um agravamento chocante da violência contra mulheres não negras nos últimos cinco anos. Mulheres negras, historicamente mais vulneráveis, continuam a ser as principais vítimas, num ciclo de violência que o estado falha em interromper.

Mato Grosso enfrenta uma crise silenciosa, mas devastadora: a violência letal contra suas mulheres. Longe de ser um problema residual, os números mais recentes do “Atlas da Violência 2025”, uma colaboração entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), pintam um quadro sombrio. Apesar de uma ligeira trégua nos indicadores entre 2022 e 2023, a realidade é que ser mulher em Mato Grosso significa conviver com um risco de morte violenta consideravelmente maior do que na média do país. Esta não é apenas uma estatística; é o reflexo de vidas interrompidas e de uma falha coletiva em proteger metade da sua população.

Mato Grosso no epicentro da violência: Um grito silenciado

Os dados são inequívocos e deveriam soar todos os alarmes. Enquanto o Brasil lamenta uma taxa de 3,5 homicídios de mulheres para cada 100 mil habitantes em 2023, Mato Grosso ostenta um índice aterrador de 5,7 – ou seja, 62,8% superior à média nacional. Essa disparidade brutal coloca o estado em uma posição de destaque negativo no mapa da violência de gênero.

Taxas que envergonham: MT muito acima da média nacional

Em 2023, 103 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso. Embora este número represente uma queda de 4,6% em relação aos 108 casos de 2022, e a taxa tenha recuado 8,1% no mesmo período (de 6,2 para 5,7 por 100 mil), qualquer celebração seria prematura e desrespeitosa com as vítimas. A verdade incômoda é que a taxa de 5,7 ainda é alarmantemente alta e expõe a vulnerabilidade cotidiana das mulheres mato-grossenses.

Uma década perdida? A trajetória preocupante da violência letal feminina no estado

A análise de longo prazo é ainda mais preocupante. Entre 2013 e 2023, a taxa de homicídios femininos em Mato Grosso praticamente estagnou, com uma variação de apenas -1,7%. Pior ainda, se olharmos para o período de cinco anos, de 2018 a 2023, o que se observa é um aumento de 9,6% na taxa de assassinatos de mulheres. Este crescimento contrasta com os esforços nacionais de redução da violência e sugere que as políticas de proteção à mulher em Mato Grosso, se existem, não estão surtindo o efeito necessário ou não são suficientes para reverter essa tendência macabra.

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Para entender melhor: O que é a taxa de homicídios? A taxa de homicídios é uma ferramenta estatística fundamental. Ela calcula o número de assassinatos para cada 100 mil pessoas em uma determinada população (seja ela geral, feminina, negra, etc.) durante um ano. Isso permite que comparemos a gravidade da violência entre diferentes lugares ou grupos, mesmo que eles tenham tamanhos populacionais distintos. Uma taxa mais alta indica um maior risco de morte violenta para os membros daquele grupo.

Racismo que mata: A dupla penalização das mulheres negras em Mato Grosso

A violência de gênero no Brasil, e em Mato Grosso não é diferente, possui cor. Mulheres negras – um grupo que, segundo o Atlas, inclui pretas e pardas – carregam o fardo desproporcional da violência letal, uma cruel interseção de machismo e racismo estrutural.

Negras na linha de frente da morte: Taxas inaceitáveis

Em 2023, das 103 mulheres assassinadas em Mato Grosso, 75 eram negras. Isso se traduz em uma taxa de 6,4 homicídios para cada 100 mil mulheres negras no estado. Este índice não apenas supera a taxa geral de homicídios femininos em Mato Grosso (5,7), como também é drasticamente maior que a taxa nacional para mulheres negras, que foi de 4,3 em 2023. Ou seja, uma mulher negra em Mato Grosso corre um risco de ser assassinada que é quase 50% maior do que a média das mulheres negras no restante do país.

Embora tenha havido uma queda de 10,7% no número absoluto e de 7,2% na taxa de homicídios de mulheres negras em MT entre 2022 e 2023, a trajetória dos últimos cinco anos (2018-2023) mostra um aumento de 3,2% na taxa. Na última década (2013-2023), o aumento foi similar, também de 3,2%. Esses números demonstram que a vulnerabilidade das mulheres negras à violência letal no estado é persistente e não apresenta sinais de recuo consistente.

Não negras: Um agravamento chocante da violência

O cenário para as mulheres não negras (brancas, amarelas e indígenas, conforme a metodologia do Atlas) em Mato Grosso, embora apresente uma taxa de homicídios inferior à das mulheres negras em 2023 (4,4 por 100 mil), revela uma deterioração alarmante em anos recentes. Foram 28 vítimas em 2023, um aumento de 21,7% em relação a 2022.

O dado mais chocante, contudo, emerge da análise dos últimos cinco anos: entre 2018 e 2023, a taxa de homicídios de mulheres não negras em Mato Grosso explodiu em 51,7%. Na última década (2013-2023), a taxa para este grupo havia caído 10,2%, o que torna o aumento recente ainda mais dramático e inexplicável sem uma análise profunda das causas e das falhas nas políticas de segurança e prevenção. Esta escalada de violência contra mulheres não negras é um fenômeno que exige investigação imediata e respostas contundentes.

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Para entender melhor: Decifrando o “risco relativo”

O “risco relativo” é outra métrica importante utilizada pelo Atlas da Violência. Ele compara a probabilidade de um evento (neste caso, ser vítima de homicídio) ocorrer em um grupo em relação a outro. Quando se trata de mulheres negras e não negras, ele quantifica quantas vezes mais uma mulher negra corre o risco de ser assassinada em comparação com uma mulher não negra. Em Mato Grosso, em 2023, com uma taxa de 6,4 para mulheres negras e 4,4 para não negras, o risco relativo foi de 1,45. Isso significa que uma mulher negra no estado teve 1,45 vezes mais chances de ser assassinada do que uma mulher não negra. Embora esse índice de desigualdade seja menor que a média nacional (onde o risco relativo foi de 1,7), ele não mascara o fato de que as taxas para ambos os grupos em Mato Grosso são preocupantes e, para as mulheres não negras, a situação piorou drasticamente nos últimos anos.

O lar como cenário de morte: Uma realidade nacional que ecoa em Mato Grosso

O Atlas da Violência 2025 reitera uma triste constatação nacional: para muitas mulheres, o lugar mais perigoso é o próprio lar. Em 2023, 35% dos homicídios de mulheres no Brasil ocorreram dentro de casa, um dado frequentemente usado como uma proxy (aproximação) para os casos de feminicídio, que são os assassinatos motivados pela condição de ser mulher, muitas vezes no contexto de violência doméstica e familiar.

O estudo não fornece um detalhamento dessa estatística por estado. No entanto, a persistência nacional desse padrão – onde a redução dos homicídios dentro de casa é mais lenta do que outros tipos de assassinato – sugere que a violência doméstica continua sendo um desafio gigantesco. É um tipo de crime que ocorre na esfera privada, muitas vezes invisível aos olhos do Estado até que o pior aconteça, e que exige estratégias de prevenção e intervenção muito específicas e capilarizadas, capazes de romper o ciclo de abuso antes que ele culmine na morte.

Raio-X da tragédia em Mato Grosso (2023)

  • Taxa de homicídios de mulheres em MT: 5,7 por 100 mil (Brasil: 3,5) – Inaceitáveis 62,8% superior à média nacional!
  • Agravamento recente (MT, 2018-2023): Aumento de 9,6% na taxa de homicídios de mulheres.
  • Taxa de homicídios de mulheres negras em MT: 6,4 por 100 mil (48,8% acima da taxa nacional para negras, que é de 4,3).
  • Taxa de homicídios de mulheres não negras em MT: 4,4 por 100 mil.
  • Explosão da violência (MT, não negras, 2018-2023): Aumento alarmante de +51,7% na taxa.
  • Fonte dos dados: Atlas da Violência 2025 (Ipea e FBSP).
  • Nota: Homicídios registrados (CID-10: X85-Y09 e Y35-Y36, ou seja, óbitos por agressão ou intervenção legal).

Um desafio urgente: Romper o ciclo de violência e desigualdade

Os números do “Atlas da Violência 2025” não são apenas estatísticas; são vidas ceifadas, famílias destruídas e um atestado da falência das estruturas de proteção às mulheres em Mato Grosso. A persistência de taxas elevadas, o aumento da violência contra certos grupos nos últimos anos e a disparidade racial acentuada exigem mais do que discursos ou medidas paliativas. É preciso um enfrentamento corajoso e efetivo, com políticas públicas robustas, investimento em prevenção, acolhimento qualificado às vítimas e, fundamentalmente, uma mudança cultural que desnaturalize a violência de gênero em todas as suas formas. Ignorar esses dados é ser cúmplice de um cenário onde ser mulher, especialmente mulher negra, continua a ser um fator de risco inaceitável em Mato Grosso.

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Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

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Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

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Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

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