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Fiscalização em Cuiabá

Moradores do Minha Casa, Minha Vida em Cuiabá são notificados por suspeita de fraude contratual

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Medida foi tomada após inquérito do MPF apontar irregularidades como imóveis vagos ou ocupados por terceiros nos residenciais Nico Baracat.

Moradores dos conjuntos habitacionais Nico Baracat I, II e III, em Cuiabá, estão na mira da Caixa Econômica Federal. A instituição financeira começou a notificar beneficiários do programa “Minha Casa, Minha Vida” suspeitos de não estarem cumprindo as regras do contrato, uma ação que se desenrola após o Ministério Público Federal (MPF) abrir uma investigação para apurar a situação dos imóveis. O fantasma da irregularidade, que incluía desde unidades completamente vazias até casas ocupadas por terceiros, colocou em xeque a fiscalização do programa.

 

O estopim da investigação

 

Tudo começou quando a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária de Cuiabá bateu à porta da Procuradoria da República. A pasta entregou relatórios de vistorias realizadas nos três residenciais, documentos que funcionaram como um mapa das irregularidades e foram o gatilho para a instauração de um Inquérito Civil pelo MPF. O objetivo era claro: verificar se a Caixa estava sendo omissa em seu papel de fiscalizar o destino dos imóveis que deveriam servir de moradia para famílias de baixa renda.

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A resposta do banco

 

Pressionada, a Caixa Econômica Federal informou ao MPF que já havia identificado os contratos problemáticos e dado início ao processo para enquadrar os responsáveis. O banco detalhou que o procedimento é um esforço conjunto, envolvendo a vistoria por órgãos públicos e o seguimento de normas específicas, como as previstas na Lei nº 11.977/2009. A instituição afirmou que uma parte dos casos já foi resolvida, com os beneficiários comprovando que, de fato, moravam no local. Outros, no entanto, continuam sob análise.

Essa movimentação foi suficiente para o Ministério Público Federal. Com a Caixa demonstrando que estava, enfim, tomando as providências necessárias para corrigir as distorções, o MPF decidiu arquivar o inquérito. A avaliação foi de que o propósito da investigação, que era apurar a inércia do banco, havia se esgotado. A instituição financeira provou estar cumprindo suas obrigações, afastando, por ora, a necessidade de medidas mais duras por parte da procuradoria

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DESTAQUE

Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

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Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

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Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

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