Alerta ao consumidor
Golpe do whisky falso: operação no Shopping Popular de Cuiabá prende quatro e apreende centenas de garrafas
Operação da Polícia Civil em Cuiabá apreende 444 garrafas de bebidas falsificadas no Shopping Popular. Quatro pessoas foram presas em flagrante por vender produtos que representam grave risco à saúde, como cegueira ou morte.
Bebidas eram vendidas em garrafas originais para enganar consumidores; produtos representam grave risco à saúde e poderiam causar cegueira ou até a morte.
Assista ao vídeo no final da matéria.
Uma operação conjunta da Polícia Civil, Procon e da indústria de bebidas desmantelou um esquema de venda de destilados falsificados no coração do comércio popular de Cuiabá na manhã desta sexta-feira (25). A ação resultou na prisão em flagrante de quatro comerciantes e na apreensão de 444 garrafas de whisky e outras bebidas com indícios de fraude ou importação ilegal, acendendo um alerta sobre os perigos ocultos em produtos aparentemente legítimos.
Aparência que engana
Nas prateleiras de quatro boxes do Shopping Popular, garrafas de whiskies famosos reluziam, prometendo qualidade a preços convidativos. O golpe era sutil e eficaz: a maioria dos produtos utilizava garrafas e rótulos originais, obtidos de forma indevida, para envasar um líquido de procedência desconhecida e potencialmente perigoso. Para um cliente desatento, a compra parecia legítima, mas uma inspeção mais cuidadosa, conduzida por peritos, revelou que os selos do IPI, as tampas e os invólucros plásticos não correspondiam ao padrão de autenticidade das marcas originais, entre outros indícios que denunciavam a fraude.
A sofisticação do esquema era tamanha que, aos olhos de uma pessoa leiga, os itens poderiam ser facilmente confundidos com as bebidas autênticas.
Risco no copo
Mas o que está por trás de um rótulo falsificado? O delegado da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), Rogério Ferreira, alerta para um perigo que vai muito além do prejuízo financeiro. A produção clandestina é uma bomba-relógio para a saúde pública.
“É um crime. Como muitos produtos apresentavam garrafas originais, o reenvase de bebidas alcoólicas falsificadas é normalmente realizado em condições sanitárias precárias para a saúde pública, podendo causar problemas graves de saúde como doenças estomacais, cegueira e até mesmo a morte de quem consome o produto”, afirmou o delegado. Essa realidade transforma cada dose de uma bebida adulterada em uma roleta-russa, com consequências imprevisíveis para o consumidor.
A origem da fraude
A ação não foi um acaso. A investigação da Decon teve início após uma denúncia formal da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), que apontou a comercialização suspeita no local. A partir daí, os investigadores identificaram as quatro empresas que se tornariam o alvo da operação.
Com o apoio de fiscais do Procon Estadual e de peritos da própria Abrabe, os policiais civis executaram a batida. O saldo final foi a apreensão de 444 garrafas ilegais, das quais 379 apresentavam claros indícios de falsificação e outras 65 eram produto de importação fraudulenta, configurando o crime de descaminho.
Os quatro proprietários dos estabelecimentos foram conduzidos à Decon, onde foram interrogados e autuados em flagrante. Eles responderão por crime contra a saúde pública, cuja pena pode chegar a oito anos de prisão e multa. Dois dos detidos também foram enquadrados por descaminho, um delito que pode render até quatro anos de reclusão.
Para entender melhor:
- Crime contra a saúde pública: Consiste em vender, expor à venda ou ter em depósito para vender, mercadoria em condições impróprias ao consumo, que possa causar dano à saúde de quem a utiliza. É considerado um crime grave pela ameaça direta ao bem-estar da população.
- Descaminho: Diferente do contrabando (que envolve produtos proibidos), o descaminho é um crime tributário. Ocorre quando se importa um produto permitido por lei, mas sem o pagamento dos devidos impostos de importação, lesando os cofres públicos e criando concorrência desleal.
Assista ao compilado dos vídeos feitos pela PJC durante a operação.
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CONSUMIDOR
Procon-MT apreende produtos vencidos em comércios de três cidades do interior
Operação fiscalizou supermercados e lojas agropecuárias em Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia; açougues foram autuados por carne moída irregular.
O Procon Estadual de Mato Grosso autuou e notificou nove estabelecimentos comerciais nos municípios de Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia durante uma operação realizada entre 29 de março e 10 de abril. A ação resultou na apreensão de produtos com prazo de validade vencido e na identificação de infrações graves, como a venda irregular de carne moída em açougues.
A iniciativa da Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT) verificou a adequação de supermercados e lojas agropecuárias às normas vigentes. Em Confresa, o cenário foi crítico: todos os cinco supermercados fiscalizados apresentaram irregularidades e tiveram mercadorias apreendidas por estarem impróprias para o consumo.
De acordo com o coordenador de Fiscalização do órgão, André Badini, os estabelecimentos autuados em Confresa enfrentam agora processos administrativos. O coordenador esclareceu que os supermercados podem ser multados, sendo garantido a eles o amplo direito de defesa.
Irregularidades em açougues e rótulos
A fiscalização detectou problemas na comercialização de alimentos que oferecem riscos à saúde. Em alguns açougues, foi encontrada carne previamente moída, prática que desobedece às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Além disso, produtos eram ofertados sem tabela nutricional, sem preços visíveis e sem informações essenciais em língua portuguesa.
Outro ponto de alerta foi a omissão de informações sobre a presença de glúten e a falta de destaque para a data de vencimento em itens em promoção com menos de 30 dias de validade. Segundo o órgão, os lojistas também falharam ao não informar de maneira clara o valor original e o promocional em produtos de liquidação, descumprindo a legislação estadual.
Orientações e prazos para adequação
Em Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia, as ações tiveram caráter orientativo, motivadas por denúncias. Os comércios foram notificados para corrigir falhas como a ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a falta de cartazes informativos sobre órgãos de defesa.
A secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, explicou que haverá retorno às localidades para conferência. Segundo a secretária, após o prazo fixado na primeira visita, uma nova fiscalização será realizada para verificar se os fornecedores realizaram as adequações solicitadas.
Infrações recorrentes encontradas:
Produtos com validade vencida;
Carne moída previamente (fora das normas do MAPA);
Ausência de preços e informações sobre glúten;
Falta de cartaz com contatos do Procon e dados de impostos;
Promoções sem indicação clara da data de vencimento.
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