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Diesel

Subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel pode baratear frete e alimentos em MT

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Governo federal propõe dividir custo com estados; prazo para resposta é segunda-feira, 30 de março

O preço do diesel pode cair até R$ 1,84 por litro nas bombas se os estados aderirem a uma subvenção emergencial proposta pelo governo federal em 24 de março. A medida prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, rachado meio a meio entre União e governos estaduais — R$ 0,60 de cada lado —, com vigência até 31 de maio de 2026 e custo total estimado em R$ 3 bilhões. Os estados tinham até a reunião do Confaz de 27 de março para se posicionar. A reunião acabou sem acordo, e o Ministério da Fazenda estendeu o prazo para segunda-feira, 30 de março.

Para quem mora em Mato Grosso e paga a conta da alta do combustível no supermercado, na feira e no frete, a decisão importa de forma direta. O diesel move a colheitadeira, o caminhão na BR-163, o ônibus intermunicipal, a geladeira do frigorífico. Quando o litro sobe, o preço se espalha por toda a cadeia até chegar à gôndola.

O que o governo federal já fez

Em 12 de março, a União zerou PIS e Cofins sobre o diesel e criou, por Medida Provisória, uma subvenção de R$ 0,32 por litro paga a produtores e importadores. Juntas, as duas medidas representam R$ 0,64 de alívio por litro, desde que o desconto chegue ao consumidor — a ANP e órgãos de defesa do consumidor foram acionados para fiscalizar o repasse.

O pacote inteiro soma R$ 30 bilhões: R$ 20 bilhões em renúncia de tributos e R$ 10 bilhões em subvenções. Parte desse custo será coberta por um novo Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo.

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A subvenção adicional de R$ 1,20 por litro, restrita ao diesel importado, é a segunda camada. O Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome, e a guerra no Oriente Médio — com o fechamento de rotas como o Estreito de Ormuz — encareceu justamente esse produto. Sem incentivo, importadores podem simplesmente parar de comprar, e aí o problema deixa de ser preço e vira falta de combustível.

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Os estados rachados

A proposta funciona assim: a União paga o valor cheio ao importador e depois desconta a parcela de cada estado no repasse do Fundo de Participação dos Estados. Cada governador precisa assinar um termo de adesão.

Bahia, Piauí e Ceará — os três governados pelo PT — apoiaram a medida na reunião do Comsefaz. Pará (MDB) e Maranhão (PSB) também se manifestaram a favor. Estados com peso forte do agronegócio sinalizaram interesse, já que o diesel é o insumo que mais pesa no custo da safra.

São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas, e o Distrito Federal, sob Ibaneis Rocha, puxaram a resistência. O argumento: a União é que deveria bancar o subsídio sozinha, sem dividir a conta. Outros estados alegaram falta de espaço no orçamento e dúvidas sobre a compatibilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, disse ao fim da reunião que um “conjunto significativo” de estados já concordara em pagar os R$ 0,60 por litro, mas não revelou quais. O Comsefaz também preferiu não abrir a lista.

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O que muda na vida de quem mora em Mato Grosso

Maior produtor de soja e milho do país, Mato Grosso queima diesel em cada etapa da cadeia: plantio, colheita, secagem, transporte. Um caminhão carregado de grãos percorre mais de 1.000 quilômetros pela BR-163 até os terminais de Miritituba, no Pará. Cada centavo a mais no litro de diesel se multiplica ao longo desse trajeto e volta na forma de frete mais caro, alimento mais caro e insumo mais caro.

Se o estado aderir à subvenção, o diesel importado que abastece distribuidoras locais chega com até R$ 1,84 a menos por litro — somando todas as camadas do pacote federal. Esse desconto não fica restrito ao posto de combustível. Ele reduz o custo do frete rodoviário, o preço do adubo que viaja de navio e caminhão, o valor da cesta básica nas cidades do interior.

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A contrapartida é fiscal. Mato Grosso não produz petróleo e, diferentemente de Rio de Janeiro ou Espírito Santo, não ganha receita extra quando o barril sobe no mercado internacional. Os R$ 0,60 por litro sairiam do repasse do FPE, o que significa menos dinheiro entrando no caixa do estado. O Ministério da Fazenda argumenta que a perda de caixa seria compensada, ao menos em parte, pela atividade econômica preservada — safra escoada, caminhão rodando, emprego mantido.

Se a adesão não sair

Sem a subvenção de R$ 1,20, o alívio nas bombas se limita aos R$ 0,64 já garantidos pela União. A Agência Brasil registra que, nesse cenário, importadores podem reduzir ou suspender compras externas por inviabilidade econômica. Falta de diesel no mercado interno, inflação de alimentos e risco de paralisação de caminhoneiros — como a de 2018 — passam a ser hipóteses concretas.

O que vem pela frente

Segunda-feira é o dia D. Se a adesão for parcial, o governo terá de decidir quem cobre a parcela dos estados que ficaram de fora. O ofício enviado aos secretários de Fazenda foi desenhado supondo que todos entrariam. Uma adesão incompleta pode obrigar a União a redesenhar o mecanismo ou a assumir o custo inteiro, o que aumentaria a pressão sobre as contas federais.

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CONSUMIDOR

App da ANP para postos dá nota de 0 a 5 e recebe denúncia de preço abusivo

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app da ANP para postos

Ferramenta gratuita já lista estabelecimentos autorizados em Mato Grosso; a parte da nota ligada ao monitoramento de qualidade no estado ainda depende de licitação

Cards com passo a passo no final da matéria.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lançou em 13 de julho o app da ANP para postos, chamado ANP com VC – Postos, que exibe uma nota de 0 a 5 para cada estabelecimento e abre canal direto de denúncia, inclusive por preço abusivo. A ferramenta é gratuita, roda em celular e computador e já lista postos autorizados em cidades de Mato Grosso. A nota não é dada pelo consumidor: sai de um cálculo da própria agência, feito com o histórico de fiscalização e o monitoramento de qualidade dos combustíveis.

Quem dá a nota

O nome sugere participação do público, e é aí que mora a confusão. O “VC” não quer dizer que o motorista atribui estrelas ao posto. A classificação exibida na tela é administrativa: nasce do histórico de qualidade de cada estabelecimento nos últimos cinco anos, com base nos resultados das ações de fiscalização e do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC). Punições mais recentes pesam mais na conta.

Os dois componentes têm naturezas diferentes. O PMQC dá um retrato amplo da qualidade do combustível no mercado e não gera autuação. Já a fiscalização mira estabelecimentos com indício de irregularidade e pode terminar em multa e outras sanções. A nota junta esse histórico em um número só.

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No mapa, cada posto ganha uma cor conforme a nota, do vermelho, na pontuação zero, ao verde, na pontuação cinco. Quem abre o aplicativo libera a localização ou digita a cidade e vê os postos próximos em lista ou em mapa. Também dá para procurar um endereço específico pelo CNPJ.

O que o app da ANP para postos exibe de cada estabelecimento

Ao clicar em um posto, o usuário encontra os resultados das fiscalizações dos últimos cinco anos, que medem a qualidade do combustível e a exatidão do volume entregue pelas bombas, além das análises do PMQC, dos dados cadastrais e da situação da autorização. A página informa ainda a origem do combustível vendido, a empresa que de fato abasteceu aquele posto.

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Esse último dado costuma passar despercebido pelo consumidor. Segundo a ANP, ele aumenta a transparência, porque “mesmo postos que exibem marca comercial de uma distribuidora podem vender produto de outro fornecedor, como de uma usina de etanol, de transportador-revendedor-retalhista (TRR) ou mesmo de outra distribuidora, desde que informado de forma clara ao consumidor”.

A denúncia fica em dois botões dentro do próprio aplicativo, um para preço abusivo e outro para irregularidades em geral. O que o cidadão registra pode alimentar as ações de fiscalização seguintes. A instalação acontece pelo endereço oficial do serviço, com um botão que adiciona o aplicativo ao celular ou ao computador, e a agência publicou um vídeo com o tutorial de navegação.

Cobertura em MT

Em Mato Grosso, a camada mais simples do aplicativo já responde: os postos autorizados aparecem na busca, e a base cadastral de revendedores em operação, mantida pela agência, é pública e pode ser exportada. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Primavera do Leste estão entre as cidades que já constam nesse cadastro.

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O ponto sensível é o PMQC. O novo modelo do programa, em que os próprios agentes regulados pagam pelas análises de laboratório, começou por Goiás e pelo Distrito Federal. A expansão para Mato Grosso e Tocantins foi aprovada pela diretoria da ANP em dezembro de 2024 e ficou condicionada a uma licitação para credenciar os laboratórios. Em maio de 2026, a agência conduzia essa licitação para Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins. Na prática, a fatia da nota que depende do monitoramento de qualidade tende a chegar mais rala nos postos mato-grossenses do que nos estados onde o programa já roda há mais tempo.

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Há também um limite jurídico que o próprio dado de fiscalização carrega. Quem foi autuado tem direito ao contraditório e à ampla defesa, e só o julgamento definitivo do processo confirma se a infração de fato ocorreu. A nota serve como sinal regulatório para orientar a escolha, não como condenação do posto.

Lançamento no aperto contra a fraude

O aplicativo estreou um dia antes de o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar, em 14 de julho, uma resolução que endurece o combate à adulteração de combustíveis. A norma foi apresentada como resposta ao avanço de esquemas de adulteração e lavagem de dinheiro no setor. Entre as exigências estão a escrituração eletrônica certificada das operações de compra, venda e estoque nos postos, mais rastreabilidade da cadeia e atuação coordenada entre ANP, Ministérios Públicos, Procons, polícias, órgãos fazendários e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

A ANP divulgou a lógica geral da nota e informou que infrações recentes pesam mais no resultado. A fórmula detalhada e os pesos aplicados no cálculo não foram publicados.

A conclusão da licitação dos laboratórios do PMQC deve definir quando o componente de qualidade do programa passará a pesar por inteiro nas notas dos postos de Mato Grosso. Até o fechamento desta reportagem, o aplicativo era distribuído apenas pelo site oficial da agência, sem versão publicada nas lojas de aplicativos.

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