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Multivacinação

ATENÇÃO:Dia D da multivacinação 20 imunizantes na lista neste sábado, veja

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Dia D multivacinação Mato Grosso

Cuiabá mobiliza as 72 Unidades de Saúde da Família e Várzea Grande abre 25 postos das 8h às 16h45

Crianças e adolescentes menores de 15 anos podem atualizar a caderneta de vacinação neste sábado (22) em unidades de saúde de Mato Grosso, no Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação. Cuiabá abre as 72 Unidades de Saúde da Família, e Várzea Grande mobiliza 25 unidades das 8h às 16h45, sem intervalo para almoço. A campanha começou em 3 de agosto, vai até 1º de setembro e oferta 20 vacinas do Calendário Nacional.

Ao longo de 2026, o estado recebeu cerca de 3,4 milhões de doses, parte das mais de 180 milhões que o Ministério da Saúde distribuiu a estados e ao Distrito Federal. Influenza, tríplice viral e poliomielite lideram as aplicações no período. A vacinação é seletiva. A equipe confere o histórico de cada pessoa e aplica só o que estiver em atraso, o que torna a caderneta o documento decisivo do atendimento. Entra no público-alvo quem tem até 14 anos, 11 meses e 29 dias.

Pneumo 20 estreia na campanha

É a primeira multivacinação com a pneumocócica 20-valente, incorporada ao Calendário Nacional em junho. O imunizante amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, entre elas pneumonias e meningites, e é indicado a crianças menores de 5 anos.

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Outra mudança recente também vale para o Dia D: desde 3 de agosto, o esquema contra a poliomielite passou a prever segundo reforço da vacina inativada aos 4 anos de idade.

São 20 imunizantes na oferta do sábado: BCG, hepatite B recombinante, pentavalente, poliomielite inativada, rotavírus humano, pneumocócica 10-valente, pneumocócica 20-valente, pneumocócica 23-valente, meningocócica C, meningocócica ACWY, influenza, covid-19, febre amarela, tríplice viral, varicela, DTP, dupla adulto, hepatite A, HPV quadrivalente e dengue tetravalente.

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que “é fundamental manter a vacinação em dia” para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas no país, caso da poliomielite.

Capital abre as 72 unidades

Em Cuiabá, a mobilização alcança todas as Unidades de Saúde da Família das zonas Leste, Norte, Oeste, Sul e da área rural. O foco é a caderneta de crianças e adolescentes de zero a menores de 15 anos, embora outros públicos com indicação para os imunizantes ofertados também sejam atendidos. É preciso levar documento com foto, Cartão SUS e a caderneta.

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“É uma oportunidade para os pais e responsáveis conferirem a caderneta”, afirmou a secretária adjunta de Atenção Primária, Cinara Brito.

Gripe segue longe da meta na capital

Os números municipais de imunização contra a influenza, atualizados em 5 de agosto, mostram distância da meta federal de 90% para grupos prioritários. Entre crianças de 6 meses a menores de 6 anos, a cobertura estava em 37,72%, com 18.905 doses aplicadas para uma população estimada de 50.121. Idosos somavam 40,13%, com 39.354 doses num público de 98.078 pessoas. Gestantes apareciam com 61%, ou 4.143 doses. Nenhum grupo alcançou o índice recomendado.

O boletim epidemiológico de vírus respiratórios da capital contabilizou 2.348 casos de influenza A e B entre janeiro e julho na população-alvo da vacinação.

O outro ponto crítico está entre os adolescentes. No levantamento do projeto Vacinômetro, do Ministério Público de Mato Grosso, divulgado em maio, Cuiabá figura em 15 dos indicadores de pior cobertura no estado. Os piores resultados da capital envolvem a meningocócica ACWY aos 11, 13 e 14 anos, todos abaixo de 50%. É a vacina que protege contra quatro sorogrupos da bactéria causadora da meningite meningocócica.

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O quadro estadual é melhor nas vacinas de rotina do primeiro ano de vida. O painel de coberturas do Ministério da Saúde registrava, em maio, 93% para meningocócica C, 93% para a pentavalente e 94% para a pneumo 10 em Mato Grosso.

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Várzea Grande amplia gripe e HPV

Nas 25 unidades várzea-grandenses, dois grupos ganharam atenção específica. A vacina contra influenza passou a atender o público em geral, ampliando o alcance para além dos grupos prioritários. Adolescentes de 14 a 19 anos que nunca receberam dose contra o HPV podem iniciar o esquema até 31 de dezembro. As demais faixas etárias previstas no calendário seguem atendidas normalmente.

“Também fazemos um chamamento especial aos adolescentes de 14 a 19 anos”, disse a superintendente de Atenção Primária, Nathalia Rondon.

Sarampo entra na conta

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A tríplice viral pode ser atualizada em qualquer estado durante a campanha. A indicação de rotina alcança pessoas de 12 meses a 59 anos.

O Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo, e mantém esse status.

Encerrado o Dia D, a campanha continua até 1º de setembro nas salas de vacina dos 142 municípios mato-grossenses, com horários definidos por cada secretaria municipal. A Caderneta Digital da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital, permite consultar o histórico de doses antes de procurar a unidade.

DESTAQUE

82% dos brasileiros veem benefício em religião na escola pública, aponta pesquisa

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religião na escola pública

Levantamento do Datafolha para a UFF ouviu 1.500 pessoas e mostra que o apoio ao Estado laico acompanha o sentido que o entrevistado dá à palavra laicidade.

82% dos brasileiros acham benéfico que as escolas públicas ensinem as crianças a rezar, a orar e a acreditar em Deus. O apoio à religião na escola pública consta do survey nacional da pesquisa “Religião, Política e Valores dos Brasileiros: Entre Extremismos e Mediações”, coordenada por Christina Vital da Cunha, da Universidade Federal Fluminense, e Doriam Borges, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com execução do Instituto Datafolha. Foram 1.500 entrevistas domiciliares em municípios com mais de 20 mil habitantes de todas as regiões do país, realizadas em julho e agosto de 2024, com margem de erro de 3,0 pontos percentuais.

O que a lei permite de religião na escola pública

A Constituição prevê religião na escola pública, em moldura estreita. O artigo 210, parágrafo 1º, estabelece que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Em 27 de setembro de 2017, o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4439 e assentou que esse ensino pode ter conteúdo confessional, desde que preservadas a matrícula facultativa e a igualdade de acesso e tratamento a todas as confissões religiosas. A decisão foi do Tribunal Pleno, e o acórdão saiu em 21 de junho de 2018.

O artigo 19, inciso I, fixa o outro lado da moldura. Ele veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

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O sumário apresenta o resultado dos 82% como percentual dos que acham benéfico que as escolas públicas ensinem as crianças a rezar, a orar e a acreditar em Deus. Não há, nessa formulação, menção a disciplina, a ensino fundamental ou a matrícula facultativa.

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A fé como critério, e o limite do púlpito

Os 82% não aparecem sozinhos, 74% dos brasileiros acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores, e 81% consideram importante que candidatos a cargos políticos acreditem em Deus.

Os três indicadores saem de um país de maioria religiosa em que, mesmo entre os autodeclarados sem religião, permanecem fortes as referências católicas, evangélicas, afro-religiosas e de tradições espiritualistas orientais ou xamânicas.

No mesmo bloco de perguntas, 83,5% dos brasileiros dizem confiar mais em Deus do que na ciência. E 93% consideram a ciência importante para o desenvolvimento da humanidade.

O questionário levou em média 30 minutos e cobriu experiência e identidade religiosa, valores sociais e morais, percepções sobre democracia e autoritarismo, questões de gênero, sexualidade, raça e violência, e atitudes políticas com posicionamento no espectro esquerda-direita. O trabalho é apresentado pela coordenação como o primeiro levantamento nacional sobre religião, política e valores a incorporar a orientação sexual entre as variáveis de análise.

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Outro item do levantamento mede o limite dessa aceitação. 74% dos brasileiros discordam que “líderes religiosos devem tentar influenciar a forma como as pessoas votam nas eleições”. Na pesquisa, esse item foi tratado como rejeição ao abuso de autoridade religiosa, entendido como o uso da projeção e da autoridade espiritual de um líder para influenciar politicamente seus seguidores.

Os dois percentuais convivem no mesmo questionário. Um mede a importância atribuída à fé de quem se candidata. O outro mede a rejeição a que líderes religiosos orientem o voto dos fiéis.

Laicidade: entendimento e apoio caminham juntos

Entre quem define laicidade como “garantia de direitos iguais para todas as religiões”, 86,3% são favoráveis ao Estado laico. Entre quem a define como “não misturar religião e política”, o apoio é de 58,6%, e 40% se declaram contra.

A distância entre os dois grupos é de 27,7 pontos percentuais, diferença calculada a partir dos dois percentuais de apoio registrados no levantamento.

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Quem adota a segunda definição não é minoria dispersa. Evangélicos pentecostais e católicos estão entre os que mais associam laicidade à ideia de que não pode misturar religião e política, com 69,7% e 71%, respectivamente.

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O que a pesquisa conclui

Para a coordenação da pesquisa, quem vê o Estado laico como garantia ativa de direitos tende a apoiar sua manutenção, enquanto quem associa laicidade a uma separação mais rígida se divide mais, o que pode refletir narrativas religiosas que denunciam a laicidade como tentativa de excluir a religião da vida pública.

Nas conclusões, o sumário afirma que a sociedade brasileira, em sua maioria, aceita a separação entre religião e Estado como princípio organizador da democracia, e que o peso da tradição religiosa cristã, sobretudo pentecostal e católica, introduz tensões nessa aceitação.

Em outra passagem, o documento distingue duas coisas. De um lado, a religião como força social produtora de sentidos de vida, que não trata como problema a ser combatido. De outro, formas de obscurantismo presentes em alguns coletivos político-religiosos, que descreve como ameaças reais a direitos garantidos por lei e ao avanço de direitos de minorias políticas.

 

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