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SEGURANÇA PÚBLICA

Polícia Penal tenta barrar projeto na ALMT que impõe jornada de 12 por 36

Servidores da Polícia Penal de Mato Grosso pressionam a Assembleia Legislativa para adiar a votação de um projeto do governo. A categoria tenta barrar a imposição da escala de 12 por 36 horas, alertando para o risco à saúde mental da tropa, além de cobrar a reposição de perdas salariais de 25% e a criação de uma diretoria própria.

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projeto Polícia Penal MT
A categoria da Polícia Penal de Mato Grosso articula nos bastidores da ALMT para suspender a votação do projeto que altera a escala de trabalho.

Categoria tenta adiar votação na ALMT para evitar jornada de 12 por 36 horas; servidores alertam para agravamento de saúde mental e cobram reposição salarial de 25%.

A Polícia Penal de Mato Grosso articula com deputados estaduais o adiamento da votação do projeto de lei do governo que altera a jornada de trabalho da categoria para o formato de 12 horas de serviço por 36 de descanso. A mobilização, detalhada por um membro da corporação que prefere não se identificar, busca suspender a tramitação na Assembleia Legislativa antes de 3 de abril, quando começam as vedações eleitorais, empurrando o debate para depois do pleito.

A aprovação da nova escala preocupa o setor pelo risco de colapso nas unidades prisionais, agravando o desgaste de uma tropa que já registra 20% de absenteísmo, com muitos profissionais afastados para tratamento psicológico. Além de endurecer a rotina sem contrapartidas, a proposta governamental frustra expectativas estruturais e financeiras de uma categoria que possui a menor tabela salarial da segurança pública no estado.

Pressão nas unidades e o “pior cenário”

O principal foco de insatisfação é a mudança na jornada laboral. Hoje, os policiais penais cumprem 40 horas semanais (200 horas mensais) em regime de 24 horas de trabalho por 72 horas de descanso, garantidos por uma instrução normativa de 2013 que concede uma folga extra mensal para evitar sobrecarga.

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A implementação legal da escala 12 por 36 é classificada pelo membro da corporação como o “pior cenário”. A nova regra forçaria o deslocamento diário aos presídios, intercalando plantões diurnos e noturnos de forma exaustiva. O arrocho na escala bateria de frente com a atual condição de saúde dos servidores, pressionados por superlotação, problemas de infraestrutura (como falta de energia) e o embate diário com facções criminosas.

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Articulação de risco no Legislativo

A estratégia atual do sindicato e das lideranças é retirar o projeto de pauta e forçar uma negociação direta com o Executivo para remover os pontos prejudiciais. Há um alerta interno de que, se os deputados alterarem o projeto sem o aval da Secretaria de Justiça e do governador, haverá veto. Mesmo se a ALMT derrubar um eventual veto, a avaliação é de que o governo judicializará o processo.

Estrutura e salário ignorados

A insatisfação vai além da escala. O projeto não prevê a criação da Diretoria Geral de Administração Penitenciária. A Polícia Penal, institucionalizada por emenda constitucional, defende a criação de um órgão de comando próprio, equiparando-se às estruturas já existentes na Polícia Civil, Polícia Militar, Politec e Corpo de Bombeiros. No momento, o governo não demonstra intenção de atender ao pedido.

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Financeiramente, a expectativa de recuperação salarial também foi frustrada. A categoria aguardava que o texto trouxesse a recomposição de 25% de perdas acumuladas, o que não foi incluído na proposta oficial.

 

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ALMT

Câmara de Cuiabá repudia fala de Valdir Barranco e defende direito de intervir em temas nacionais

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Presidente Paula Calil (PL) critica postura do deputado petista, que questionou conhecimento técnico de vereadores sobre indicação ao STF.

A Câmara Municipal de Cuiabá divulgou nota para rebater declarações do deputado estadual Valdir Barranco (PT), proferidas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Sob a presidência de Paula Calil (PL), o Legislativo municipal manifesta indignação contra a postura do parlamentar, que tentou desqualificar a atuação dos vereadores em pautas de repercussão nacional e direcionadas ao governo federal.

O embate expõe uma disputa sobre os limites de atuação parlamentar municipal. A reação ocorre após Barranco insinuar que os vereadores carecem de conhecimento técnico para opinar sobre temas externos, a exemplo da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Autonomia e prerrogativas

O documento oficial destaca que o município atua como ente federativo autônomo, amparado pelo artigo 18 da Constituição Federal. O texto argumenta que o mandato de um vereador incorpora a função de representação política e de manifestação institucional sobre assuntos que afetam a coletividade, extrapolando a produção legislativa estritamente local.

“A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada”, informa a nota. A Casa legislativa ressalta que o direito à manifestação encontra amparo nos princípios fundamentais da República e que o Regimento Interno assegura a apresentação de moções e requerimentos como instrumentos de expressão política. Desqualificar as opiniões dos vereadores alegando falta de eficácia jurídica direta configura, na visão da presidência, um desrespeito ao princípio democrático.

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Cobrança por respeito

A presidência da Câmara classifica o discurso de Barranco como incompatível com o decoro parlamentar. A manifestação cita que a Constituição do Estado de Mato Grosso veda práticas que atentem contra a independência e a harmonia entre as esferas de governo.

O Legislativo encerra o texto exigindo responsabilidade no trato público. A orientação institucional aponta que as divergências políticas precisam permanecer restritas ao debate qualificado, com a rejeição de ataques que atinjam a dignidade dos mandatos locais. O documento não registra posicionamento de Valdir Barranco sobre a reação dos vereadores.

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Leia a íntegra da nota:

A Câmara Municipal de Cuiabá, por intermédio de sua presidente Paula Calil (PL), vem a público manifestar profunda indignação diante das declarações, durante um pronunciamento na Assembleia Legislativa, feitas pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT) de forma desrespeitosa e incompatível com o decoro parlamentar esperado. Em sua fala, Barranco, em tom ‘inflamado’, tentou desqualificar a atuação institucional deste Poder Legislativo, especialmente no que se refere às manifestações dirigidas a temas de interesse nacional e ao governo federal.

A postura adotada por tal parlamentar, ao insinuar ausência de conhecimento técnico por parte dos vereadores da capital, quando da então indicação presidencial do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, não apenas afronta a honra dos agentes políticos legitimamente eleitos, como também revela desconhecimento acerca das bases constitucionais que regem a atuação do Poder Legislativo municipal.

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Nos termos da Constituição Federal, o município é um ente federativo autônomo (Art. 18 da CF/88), dotado de capacidade política, administrativa e normativa. A atuação parlamentar não se restringe à produção legislativa estritamente local, sendo também inerente ao mandato a função de representação política, de fiscalização e de manifestação institucional sobre temas de interesse da coletividade, inclusive aqueles de repercussão nacional.

O direito à manifestação política e institucional encontra amparo, ainda, nos princípios fundamentais da República (art. 1º, incisos II e V), que asseguram a cidadania e o pluralismo político como pilares do Estado Democrático de Direito. Nesse contexto, qualquer tentativa de cercear ou desqualificar o posicionamento de representantes legitimamente eleitos configura grave afronta a esses fundamentos.

No âmbito estadual, a Constituição do Estado de Mato Grosso igualmente reconhece a autonomia municipal e a harmonia entre os poderes, vedando práticas que atentem contra a independência e o respeito institucional entre as esferas de governo.

Ademais, o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá assegura aos vereadores o pleno exercício de suas prerrogativas parlamentares, incluindo a apresentação de moções, requerimentos e demais manifestações formais, instrumentos legítimos de expressão política e de posicionamento institucional do Poder Legislativo municipal.

Essas manifestações não se confundem com atos administrativos vinculantes, mas constituem expressão legítima da vontade política de representantes eleitos, refletindo demandas, opiniões e interesses da população cuiabana. Desqualificá-las sob o argumento de ausência de eficácia jurídica direta revela não apenas simplificação indevida do papel do Parlamento, mas também desrespeito ao princípio democrático.

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A Câmara Municipal de Cuiabá reafirma que seus vereadores exercem mandato conferido pelo voto popular, com legitimidade para se manifestar sobre quaisquer temas de interesse público, independentemente da esfera federativa envolvida. A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada.

Por fim, este Poder Legislativo exige respeito institucional e responsabilidade no discurso público, reiterando que divergências políticas devem ser tratadas no campo do debate qualificado, jamais por meio de ataques que desmereçam a dignidade do mandato parlamentar e, por consequência, da própria população representada.

 

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