Clima e Agricultura
Previsão do tempo para o verão em Mato Grosso: calor e chuvas irregulares
O verão começou neste domingo (21) com previsão de neutralidade climática. Mato Grosso terá calor acima da média e chuvas concentradas no oeste e norte, exigindo cautela do agronegócio.
Sem El Niño ou La Niña dominantes, neutralidade climática dita o ritmo da safra; estação começou oficialmente neste domingo (21) com alerta para evaporação acelerada nas lavouras.
O sol atingiu seu ponto mais alto no céu do Hemisfério Sul exatamente às 12h03 deste domingo, 21 de dezembro. Enquanto os relógios marcavam o início oficial do verão de 2025, os termômetros em Mato Grosso já sinalizavam o que vem pela frente: uma estação que promete testar a resiliência térmica de quem vive na cidade e a estratégia de quem produz no campo.
Diferente dos últimos anos, marcados por fenômenos globais intensos, este verão nasce sob o signo da neutralidade. O temido El Niño saiu de cena e o La Niña, aguardado por muitos, perdeu força. Segundo dados consolidados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e parceiros internacionais, há apenas 20% de chance de o La Niña se firmar. O cenário mais provável, com 74,5% de certeza, é a neutralidade climática.
Para o leigo, “neutralidade” pode soar como calmaria. Para o agronegócio mato-grossense, no entanto, é sinônimo de vigilância redobrada. Sem um regente global forte, o clima fica à mercê de sistemas regionais voláteis, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e frentes frias passageiras.
O mapa das águas em Mato Grosso
A distribuição das chuvas não será democrática neste verão. A nota técnica conjunta do Inmet, Inpe e Funceme traça uma linha divisória clara no estado.
Para os produtores do oeste e norte de Mato Grosso, a notícia é animadora. As projeções indicam chuvas acima da média histórica para o trimestre de janeiro a março de 2026. Essa “abundância” hídrica é crucial para a recomposição da umidade do solo, especialmente em fases decisivas para a soja e o milho.
Já no restante do estado (incluindo o leste e sul), a previsão é de normalidade pluviométrica. Historicamente, isso significa volumes superiores a 400 mm. Contudo, “normalidade” na média não garante regularidade no dia a dia. O produtor deve estar preparado para pancadas intensas intercaladas por dias de sol forte.
VERÃO 2026 EM MT
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Oeste e Norte: Chuvas acima da média; ideal para recomposição hídrica.
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Centro, Sul e Leste: Chuvas dentro da normalidade; atenção aos veranicos.
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Temperatura: Até 1°C acima da média em todo o estado.
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Principal Risco: Evapotranspiração acelerada pelo calor excessivo.
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Fenômeno: Neutralidade (74,5% de chance); La Niña fraco é improvável.
O perigo invisível: evapotranspiração
Se a chuva parece garantida para boa parte do estado, o calor chega para cobrar a conta. A previsão é de que as temperaturas fiquem até 1°C acima da média histórica em praticamente toda a região Centro-Oeste.
Pode parecer pouco num termômetro doméstico, mas na agricultura esse grau extra muda o jogo. O calor excessivo acelera a evapotranspiração — processo pelo qual a água do solo e das plantas evapora para a atmosfera.
Ou seja: mesmo que chova bem, o solo seca mais rápido.
Esse balanço hídrico delicado exige que o produtor monitore a lavoura dia a dia. A “gordura” de umidade acumulada pode desaparecer rapidamente em uma semana de sol a pino, criando um estresse térmico desnecessário para as culturas.
Divergências e correções
É preciso atenção aos detalhes que circulam nas redes. Algumas fontes chegaram a informar erroneamente que o verão começaria no sábado. O calendário astronômico, porém, é exato: o solstício ocorreu neste domingo, dia 21.
Além disso, embora se fale em “resfriamento” do Pacífico desde agosto, tecnicamente não configuramos um La Niña clássico. O oceano ensaiou uma mudança, registrando anomalias de -0,4°C, mas não sustentou o padrão necessário para alterar a circulação atmosférica global de forma consistente.
Para entender melhor: O que é ZCAS?
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é, basicamente, um corredor de nuvens que corta o Brasil do Amazonas até o Sudeste. Ela é a principal responsável pelas chuvas longas e contínuas no verão. Em anos de “neutralidade” como este, a formação ou não desse corredor dita se teremos enchentes ou veranicos.
Perspectiva
O verão 2025/2026 não será uma estação para amadores. Sem a previsibilidade de fenômenos macroclimáticos, a meteorologia local ganha peso de ouro. Para a população urbana de Cuiabá e Várzea Grande, resta preparar o ar-condicionado e a hidratação: a chuva virá, mas o calor promete ser o protagonista indiscutível da temporada.
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CLIMA
Inmet aponta queda de até 12 graus nas máximas em Cuiabá entre sexta-feira e domingo
Boletim do Inmet aponta queda de até 12 graus nas máximas em Cuiabá entre sexta-feira e domingo, enquanto a chuva fica restrita ao noroeste do estado
Cuiabá tem máxima prevista de 36°C nesta sexta-feira (8) e mínima de 14°C no domingo (10), segundo o Informativo Meteorológico nº 18/2026, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A queda configura friagem amazônica, com mínimas inferiores a 15°C no sudeste e sul de Mato Grosso a partir do fim de semana. No restante do estado, predomina tempo seco entre 4 e 11 de maio, e a chuva fica restrita ao noroeste mato-grossense, com acumulados de até 40 mm em sete dias.
Calor até sexta, frio no domingo
Segundo o Inmet, os valores no Centro-Oeste vão de 28°C no Distrito Federal e norte de MT a 38°C no sul do estado e em Corumbá (MS) até o dia 8. Com o avanço da massa de ar frio, as mínimas no fim de semana caem abaixo de 10°C no sudoeste de Mato Grosso do Sul e ficam inferiores a 15°C no sudeste e sul de MT, faixa em que se insere Cuiabá. As maiores temperaturas máximas do país no período se concentram entre o sul mato-grossense e a região de Corumbá.
A frente fria entra pelo Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (7), provoca chuvas intensas no Sul, avança para Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul nos dias seguintes e leva o ar frio até Rondônia, Cuiabá, sul de Goiás, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais entre domingo e segunda-feira (11), conforme previsão do Inmet.
Para a capital, modelos privados de previsão chegam a números próximos. O OpenWeather projeta máximas de 35°C a 36°C e mínimas em torno de 22°C até o dia 8, com queda para 16°C de mínima e 24°C de máxima no sábado, e 14°C e 24°C no domingo. O Meteored projeta números próximos, com o pico do frio entre domingo e segunda e mínimas de 17°C a 18°C.
A amplitude térmica prevista entre o início e o fim do período altera dois marcadores cotidianos básicos em Cuiabá: a roupa adequada para sair de casa de manhã e o tipo de cobertura usada à noite. Em quatro dias, a mínima projetada cai de 22°C para 14°C, faixa que cobre o intervalo em que a maioria das casas troca o ventilador pelo cobertor.
Chuva no Norte, Nordeste e Sul; seca no Centro-Oeste
Segundo o Inmet, o Norte, o Nordeste e o Sul do país recebem chuvas significativas no período, com volumes que ultrapassam os 100 mm em sete dias em parcelas dessas regiões e ventos de até 90 km/h em áreas do Sul. No Centro-Oeste, predomina o tempo estável. A chuva fica restrita ao noroeste de Mato Grosso e ao sul de Mato Grosso do Sul, com acumulados de até 40 mm no período. O restante de MT segue com chances mínimas de chuva fraca e isolada.
No noroeste mato-grossense, a previsão de até 40 mm em sete dias mantém alguma umidade do solo na transição para a estação seca. Já no sul e no sudeste do estado, a semana termina sem chuva e com mínimas inferiores a 15°C. Em Pontes e Lacerda, a chuva observada entre 29 de abril e 3 de maio chegou a 22 mm, conforme dados do Inmet.
O que esperar nos próximos dias
Nos próximos cinco dias, o Inmet atualiza diariamente a previsão para Cuiabá, ajustando os valores de mínima e máxima. O boletim atual sustenta a janela de queda mais aguda entre sábado, domingo e segunda. O Informativo Meteorológico nº 19/2026 deve trazer a previsão atualizada para a semana entre 11 e 18 de maio.
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