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Calor e baixa umidade

Mato Grosso pode chegar a 41°C nesta quinta, com 76 cidades acima de 40°C;veja lista completa

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calor em Mato Grosso 41 graus

Dezesseis municípios de Mato Grosso podem alcançar 41°C nesta quinta-feira (27), a maior temperatura prevista para o estado, segundo a previsão municipal do Instituto Nacional de Meteorologia. Nesta quarta-feira (26), o mesmo teto aparece em cinco cidades. Nenhum ponto do território mato-grossense chega a 42°C ou 43°C na previsão do instituto para os dois dias.

O calor dobra de alcance

A diferença entre quarta e quinta não está no pico, e sim na área que ele ocupa. Nesta quarta, 35 municípios têm máxima prevista de 40°C ou mais. Na quinta, são 76. No patamar de 39°C, o salto vai de 66 para 115 cidades, oito em cada dez do estado.

Nesta quarta, os 41°C aparecem em Alta Floresta, Carlinda, Paranaíta, Querência e Ribeirão Cascalheira. Na quinta, entram na lista Cáceres, Rondonópolis, Sorriso, Santo Antônio de Leverger, Lucas do Rio Verde, Barão de Melgaço, Itiquira, Juara, Guarantã do Norte, Aripuanã, Apiacás, Castanheira e Salto do Céu. Alta Floresta, Carlinda e Paranaíta repetem o valor nos dois dias.

Cuiabá sai de 38°C na quarta para 40°C na quinta. Várzea Grande sobe de 37°C para os mesmos 40°C. Em Cáceres o avanço é maior, de quatro graus em um dia, de 37°C para 41°C.

Em escala regional, o boletim do instituto traça o mesmo movimento. As máximas sobem no noroeste mato-grossense e na região do Pantanal, onde os valores podem superar 40°C. A elevação acompanha a mudança do vento em superfície, que passa a soprar predominantemente do quadrante norte. As madrugadas também ficam mais quentes: as mínimas previstas para o Pantanal estão entre as mais altas do país.

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Umidade a 15%, e o leste sob alerta laranja

O centro de Mato Grosso deve registrar umidade relativa mínima em torno de 15% entre quarta e quinta. É o piso previsto para todo o território brasileiro no período, ao lado do oeste da Bahia, do centro de Goiás e do sul do Tocantins.

O leste e o nordeste do estado estão sob aviso laranja de perigo para baixa umidade, com índices entre 20% e 12%. O aviso desaconselha atividades físicas e lista risco de incêndios florestais e à saúde, com ressecamento da pele e desconforto nos olhos, boca e nariz. Nas demais áreas mato-grossenses vale o amarelo, de perigo potencial, com umidade entre 30% e 20%. Esse continua vigente na quinta-feira em grande parte do estado.

Entre os oito avisos meteorológicos que alcançavam Mato Grosso até o fechamento da matéria, nenhum era de onda de calor. Há ainda avisos de tempestade para quarta e para sábado (29), e de vendaval entre 40 e 60 quilômetros por hora para sexta-feira (28).

Chuva isolada não interrompe a sequência quente

Um cavado atua sobre a região e aumenta a nebulosidade. O sistema produz chuva isolada no noroeste e no oeste do estado na manhã desta quarta, e pancadas isoladas no sul durante a tarde. Na quinta, o oeste segue com muitas nuvens, enquanto o centro-leste tem sol e poucas nuvens.

Os volumes não interrompem a estiagem. Para o intervalo de 24 a 31 de agosto, o acumulado esperado no norte de Mato Grosso fica abaixo de 5 milímetros. A partir de sexta-feira, o tempo seco e estável volta a predominar até o fim do período.

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Pantanal soma calor a uma seca de década

Os 41°C previstos para Cáceres, Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger recaem sobre o Pantanal. Ali o calor se soma à seca acumulada na bacia do rio Paraguai. É a situação hidrológica mais crítica do país, com predomínio de seca entre severa e extrema, agravada por déficits sucessivos ao longo da última década. O diagnóstico está no segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, produzido em conjunto por sete órgãos federais.

O mesmo documento projeta expansão das áreas em alerta alto de risco de fogo sobre o Centro-Oeste entre agosto e outubro, com Mato Grosso em destaque, e prevê queimadas intensas no estado no trimestre. O uso do fogo em atividades rurais está proibido em território mato-grossense desde 1º de julho, com validade até 30 de novembro nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Quem descumpre responde por crime ambiental.

No campo, o tempo seco produz efeitos opostos. A colheita do milho segunda safra está praticamente concluída em Mato Grosso, com produtividades acima das estimativas iniciais, conforme o acompanhamento da Companhia Nacional de Abastecimento. Nas pastagens, a estiagem compromete a rebrota e a qualidade nutricional, reduz a forragem disponível e pode elevar a necessidade de suplementação. Para os rebanhos, as orientações são três: água limpa e fresca acima do volume habitual, sombreamento natural ou artificial, e nada de manejo com esforço físico nos horários de maior radiação solar.

El Niño caminha para intensidade histórica

Como ler o gráfico: cada barra mostra quanto a temperatura da superfície do mar ficou acima da média em uma das três faixas do Pacífico Equatorial usadas para monitorar o El Niño. Quanto mais longa a barra, mais quente está aquele trecho do oceano em relação ao normal para a época. Os valores são a média de julho de 2026. A faixa Niño 1+2 fica junto à costa oeste da América do Sul, e a Niño 3.4 se estende entre as longitudes 170°O e 120°O, no Pacífico central. A linha vermelha tracejada marca 2,0°C, o patamar a partir do qual o fenômeno é classificado como muito forte: em julho, apenas a região mais próxima da América do Sul havia ultrapassado essa marca.

Por que isso importa para Mato Grosso. Um oceano mais quente no Pacífico reorganiza a circulação da atmosfera e muda o regime de chuva e de temperatura a milhares de quilômetros dali. Para o trimestre de agosto a outubro, o prognóstico oficial aponta chuva abaixo da média em boa parte do Centro-Oeste e temperatura acima da normal em quase todo o país, combinação que favorece ondas de calor, baixa umidade e maior potencial para queimadas. Mato Grosso aparece nominalmente em duas projeções: é o estado onde mais se expandem as áreas em alerta alto de risco de fogo no período, e está entre os quatro apontados para queimadas intensas no trimestre. O fortalecimento do fenômeno também tende a atrasar o início da estação chuvosa no sul da Amazônia Legal, prolongando a seca pela primavera. 

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O pano de fundo é um El Niño em fortalecimento. Em 13 de agosto, o Climate Prediction Center calculou mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026 e 2027. Para o trimestre de outubro a dezembro, a chance de um evento histórico, mais intenso que qualquer El Niño registrado desde 1950, é de 69%.

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Em julho, as anomalias de temperatura da superfície do mar alcançaram 2,9°C na região Niño 1+2, junto à costa oeste da América do Sul, 1,7°C no Niño 3 e 1,4°C no Niño 3.4.

Para agosto, setembro e outubro, o prognóstico brasileiro indica temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuva abaixo da média no centro-norte. O próprio Painel El Niño pondera que modelos internacionais desenham cenário menos severo, com chuva acima da média no Centro-Oeste e risco de fogo menos crítico do que o projetado pelos modelos nacionais.

Previsão por município – lista completa de municípios de MT

Máximas e mínimas previstas para cada município de Mato Grosso nesta quarta-feira (26) e nesta quinta-feira (27), em graus Celsius, no formato máxima / mínima. Valores da previsão municipal do Instituto Nacional de Meteorologia, na rodada consultada às 8h43 de 26 de agosto de 2026. O instituto revisa os números a cada nova rodada dos modelos.

Município Quarta-feira (26/8) Quinta-feira (27/8)
Acorizal 36°C / 23°C 40°C / 25°C
Água Boa 38°C / 25°C 38°C / 21°C
Alta Floresta 41°C / 24°C 41°C / 25°C
Alto Araguaia 33°C / 19°C 39°C / 18°C
Alto Boa Vista 40°C / 22°C 38°C / 23°C
Alto Garças 33°C / 20°C 36°C / 19°C
Alto Paraguai 37°C / 21°C 40°C / 25°C
Alto Taquari 29°C / 19°C 36°C / 17°C
Apiacás 40°C / 24°C 41°C / 25°C
Araguaiana 39°C / 24°C 40°C / 21°C
Araguainha 33°C / 21°C 36°C / 19°C
Araputanga 37°C / 21°C 40°C / 24°C
Arenápolis 36°C / 24°C 39°C / 25°C
Aripuanã 39°C / 23°C 41°C / 25°C
Barão de Melgaço 36°C / 21°C 41°C / 23°C
Barra do Bugres 37°C / 21°C 40°C / 23°C
Barra do Garças 37°C / 23°C 38°C / 20°C
Boa Esperança do Norte sem previsão publicada* sem previsão publicada*
Bom Jesus do Araguaia 40°C / 24°C 39°C / 22°C
Brasnorte 39°C / 25°C 40°C / 24°C
Cáceres 37°C / 20°C 41°C / 23°C
Campinápolis 36°C / 24°C 37°C / 20°C
Campo Novo do Parecis 39°C / 23°C 39°C / 24°C
Campo Verde 35°C / 24°C 38°C / 20°C
Campos de Júlio 38°C / 24°C 39°C / 24°C
Canabrava do Norte 39°C / 21°C 38°C / 22°C
Canarana 40°C / 24°C 39°C / 22°C
Carlinda 41°C / 23°C 41°C / 25°C
Castanheira 40°C / 25°C 41°C / 26°C
Chapada dos Guimarães 38°C / 23°C 39°C / 21°C
Cláudia 39°C / 24°C 40°C / 23°C
Cocalinho 39°C / 23°C 40°C / 22°C
Colíder 39°C / 24°C 40°C / 24°C
Colniza 40°C / 24°C 39°C / 25°C
Comodoro 39°C / 24°C 39°C / 23°C
Confresa 40°C / 22°C 39°C / 21°C
Conquista D’Oeste 38°C / 24°C 39°C / 22°C
Cotriguaçu 39°C / 24°C 40°C / 25°C
Cuiabá 38°C / 21°C 40°C / 23°C
Curvelândia 37°C / 23°C 40°C / 26°C
Denise 37°C / 23°C 40°C / 25°C
Diamantino 37°C / 23°C 40°C / 22°C
Dom Aquino 37°C / 23°C 39°C / 20°C
Feliz Natal 40°C / 22°C 40°C / 23°C
Figueirópolis D’Oeste 37°C / 21°C 40°C / 24°C
Gaúcha do Norte 40°C / 24°C 40°C / 22°C
General Carneiro 36°C / 22°C 38°C / 20°C
Glória D’Oeste 37°C / 21°C 39°C / 25°C
Guarantã do Norte 40°C / 22°C 41°C / 23°C
Guiratinga 37°C / 22°C 40°C / 19°C
Indiavaí 37°C / 21°C 40°C / 25°C
Ipiranga do Norte 40°C / 25°C 39°C / 24°C
Itanhangá 39°C / 25°C 39°C / 24°C
Itaúba 39°C / 24°C 40°C / 24°C
Itiquira 34°C / 20°C 41°C / 19°C
Jaciara 36°C / 23°C 39°C / 22°C
Jangada 36°C / 23°C 39°C / 25°C
Jauru 37°C / 22°C 39°C / 24°C
Juara 40°C / 25°C 41°C / 25°C
Juína 39°C / 24°C 40°C / 23°C
Juruena 39°C / 24°C 40°C / 25°C
Juscimeira 36°C / 23°C 40°C / 21°C
Lambari D’Oeste 37°C / 22°C 40°C / 25°C
Lucas do Rio Verde 40°C / 25°C 41°C / 25°C
Luciara 38°C / 22°C 38°C / 22°C
Marcelândia 40°C / 22°C 40°C / 23°C
Matupá 40°C / 22°C 40°C / 23°C
Mirassol d’Oeste 36°C / 21°C 40°C / 25°C
Nobres 38°C / 23°C 40°C / 22°C
Nortelândia 36°C / 24°C 39°C / 23°C
Nossa Senhora do Livramento 37°C / 21°C 40°C / 25°C
Nova Bandeirantes 39°C / 24°C 39°C / 25°C
Nova Brasilândia 37°C / 25°C 38°C / 20°C
Nova Canaã do Norte 39°C / 23°C 40°C / 24°C
Nova Guarita 39°C / 23°C 40°C / 25°C
Nova Lacerda 38°C / 24°C 39°C / 24°C
Nova Marilândia 36°C / 24°C 39°C / 25°C
Nova Maringá 40°C / 24°C 40°C / 24°C
Nova Monte Verde 40°C / 25°C 40°C / 26°C
Nova Mutum 40°C / 24°C 40°C / 22°C
Nova Nazaré 38°C / 25°C 38°C / 21°C
Nova Olímpia 36°C / 23°C 40°C / 26°C
Nova Santa Helena 39°C / 23°C 40°C / 24°C
Nova Ubiratã 40°C / 24°C 40°C / 23°C
Nova Xavantina 38°C / 24°C 38°C / 20°C
Novo Horizonte do Norte 39°C / 26°C 40°C / 26°C
Novo Mundo 40°C / 23°C 40°C / 24°C
Novo Santo Antônio 38°C / 23°C 38°C / 22°C
Novo São Joaquim 37°C / 23°C 39°C / 20°C
Paranaíta 41°C / 25°C 41°C / 26°C
Paranatinga 40°C / 23°C 40°C / 21°C
Pedra Preta 36°C / 22°C 40°C / 19°C
Peixoto de Azevedo 40°C / 22°C 40°C / 22°C
Planalto da Serra 37°C / 24°C 38°C / 21°C
Poconé 36°C / 20°C 40°C / 22°C
Pontal do Araguaia 37°C / 23°C 39°C / 20°C
Ponte Branca 33°C / 22°C 37°C / 19°C
Pontes e Lacerda 37°C / 23°C 39°C / 23°C
Porto Alegre do Norte 39°C / 21°C 38°C / 22°C
Porto dos Gaúchos 40°C / 25°C 40°C / 25°C
Porto Esperidião 37°C / 21°C 39°C / 24°C
Porto Estrela 36°C / 21°C 39°C / 26°C
Poxoréu 37°C / 22°C 40°C / 20°C
Primavera do Leste 36°C / 23°C 38°C / 20°C
Querência 41°C / 22°C 40°C / 22°C
Reserva do Cabaçal 35°C / 23°C 38°C / 23°C
Ribeirão Cascalheira 41°C / 24°C 39°C / 22°C
Ribeirãozinho 35°C / 23°C 37°C / 20°C
Rio Branco 37°C / 21°C 40°C / 26°C
Rondolândia 39°C / 24°C 40°C / 25°C
Rondonópolis 36°C / 22°C 41°C / 21°C
Rosário Oeste 38°C / 20°C 40°C / 21°C
Salto do Céu 38°C / 22°C 41°C / 24°C
Santa Carmem 39°C / 24°C 39°C / 23°C
Santa Cruz do Xingu 40°C / 22°C 39°C / 22°C
Santa Rita do Trivelato 39°C / 24°C 39°C / 22°C
Santa Terezinha 38°C / 22°C 38°C / 21°C
Santo Afonso 37°C / 24°C 39°C / 26°C
Santo Antônio de Leverger 39°C / 21°C 41°C / 22°C
Santo Antônio do Leste 37°C / 24°C 37°C / 21°C
São Félix do Araguaia 40°C / 22°C 40°C / 22°C
São José do Povo 36°C / 25°C 40°C / 21°C
São José do Rio Claro 39°C / 24°C 40°C / 23°C
São José do Xingu 40°C / 22°C 39°C / 22°C
São José dos Quatro Marcos 38°C / 21°C 40°C / 25°C
São Pedro da Cipa 36°C / 24°C 39°C / 22°C
Sapezal 39°C / 24°C 40°C / 24°C
Serra Nova Dourada 38°C / 23°C 37°C / 22°C
Sinop 39°C / 25°C 39°C / 24°C
Sorriso 40°C / 24°C 41°C / 23°C
Tabaporã 40°C / 25°C 40°C / 25°C
Tangará da Serra 37°C / 23°C 40°C / 22°C
Tapurah 39°C / 26°C 40°C / 24°C
Terra Nova do Norte 39°C / 23°C 40°C / 24°C
Tesouro 36°C / 22°C 37°C / 19°C
Torixoréu 36°C / 22°C 38°C / 19°C
União do Sul 39°C / 23°C 39°C / 23°C
Vale de São Domingos 38°C / 24°C 39°C / 22°C
Várzea Grande 37°C / 21°C 40°C / 26°C
Vera 40°C / 25°C 39°C / 24°C
Vila Bela da Santíssima Trindade 39°C / 24°C 40°C / 24°C
Vila Rica 40°C / 22°C 39°C / 22°C
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*Boa Esperança do Norte, cuja criação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, com território desmembrado de Nova Ubiratã e de Sorriso, consta no cadastro do instituto sem valores publicados. Nos dois municípios que cederam o território, a previsão é de 40°C nesta quarta-feira. Para quinta, Nova Ubiratã aparece com 40°C e Sorriso com 41°C.

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CLIMA

Mato Grosso soma 5,6 mil focos de fogo em 2026; Paranatinga lidera e agosto dispara

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FOCOS DE INCÊNDIO

Levantamento do Conexão MT sobre dados brutos do INPE mostra alta de 5,9% sobre o mesmo período de 2025; dez municípios concentram quase 43% das detecções e agosto já responde por um terço do total do ano

Mato Grosso registrou 5.596 focos de fogo ativo entre 1º de janeiro e 17 de agosto de 2026, segundo levantamento do Conexão MT realizado diretamente sobre os arquivos abertos do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número representa alta de aproximadamente 5,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram contabilizados 5.282 focos pelo mesmo satélite de referência.

O dado que mais chama atenção, porém, está em agosto. Somente nos primeiros 17 dias deste mês, o INPE registrou 1.852 focos em Mato Grosso. No mesmo período de agosto de 2025 haviam sido 727. O avanço é de aproximadamente 155%.

Agosto já concentra 33,1% de todos os focos registrados no estado em 2026, apesar de o mês ainda não ter terminado.

Paranatinga lidera ranking

A distribuição dos focos está longe de ser uniforme pelo território mato-grossense. Paranatinga aparece na primeira posição, com 427 detecções entre janeiro e 17 de agosto.

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Na sequência estão Nova Nazaré, com 298; Colniza, com 267; Campinápolis, com 257; e Marcelândia, com 252.

Os dez municípios com maior número de focos acumulam 2.388 registros, equivalentes a 42,7% de todas as detecções de Mato Grosso no período.

Municípios com mais focos em 2026

Posição Município Focos
Paranatinga 427
Nova Nazaré 298
Colniza 267
Campinápolis 257
Marcelândia 252
Nova Maringá 240
Tangará da Serra 205
São Félix do Araguaia 153
União do Sul 150
10º Nova Ubiratã 139
11º Brasnorte 137
12º Juara 134
13º Canarana 128
14º Gaúcha do Norte 125
15º Cláudia 119
16º Luciara 112
17º Porto dos Gaúchos 105
18º Aripuanã 103
19º Tabaporã 91
20º Alto Boa Vista 88

Fonte: levantamento do Conexão MT sobre arquivos de dados abertos do Programa Queimadas/INPE. Período: 1º de janeiro a 17 de agosto de 2026.

Os 20 primeiros municípios somam 3.530 focos, ou 63,1% do total estadual. Ao todo, 127 municípios mato-grossenses aparecem com pelo menos uma detecção na base analisada e 18 já ultrapassaram a marca de 100 focos em 2026.

Paranatinga quase dobra número de focos

A comparação municipal com o mesmo intervalo de 2025 mostra mudanças importantes no mapa do fogo.

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Paranatinga tinha 229 focos até 17 de agosto do ano passado. Em 2026 são 427, crescimento de aproximadamente 86,5%.

Em Nova Nazaré, o salto foi ainda mais expressivo: de 97 para 298 focos, avanço superior a 200%.

Campinápolis passou de 107 para 257, alta de cerca de 140%. União do Sul avançou de 59 para 150, aproximadamente 154%.

Nem todos os municípios líderes, entretanto, registraram crescimento. Colniza caiu de 371 focos no mesmo intervalo de 2025 para 267 neste ano, redução de 28%. Nova Maringá passou de 289 para 240, queda de 17%.

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A movimentação indica que, além da variação do número estadual, houve uma mudança espacial importante na concentração das detecções.

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Agosto muda a curva de 2026

Os registros mensais mostram uma aceleração abrupta a partir de maio, seguida por uma explosão das detecções em agosto.

Mato Grosso teve 245 focos em janeiro; 127 em fevereiro; 164 em março; e 191 em abril. Em maio, o número saltou para 831 e, em junho, alcançou 1.440.

O dado de junho é confirmado pelo Boletim Infoqueima do INPE. Naquele mês, Mato Grosso teve o maior número de focos entre os estados brasileiros, à frente de Tocantins e Bahia.

Julho terminou com 746 registros. Já entre 1º e 17 de agosto, foram 1.852.

Evolução mensal em 2026

Período Focos
Janeiro 245
Fevereiro 127
Março 164
Abril 191
Maio 831
Junho 1.440
Julho 746
1º a 17 de agosto 1.852
Total 5.596

Em apenas 17 dias, agosto já superou todo o mês de junho em 412 focos, aumento de 28,6% sobre aquele que, até então, era o mês com maior número de detecções em 2026.

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A comparação com agosto de 2025 também mostra a dimensão da mudança. Nos primeiros 17 dias daquele mês foram 727 focos; neste ano, 1.852.

Cerrado cresce; Pantanal mais que dobra

A divisão dos registros por bioma mostra que a Amazônia ainda concentra a maior quantidade absoluta de focos dentro de Mato Grosso, com 3.075 detecções, equivalentes a 54,9% do total estadual.

O Cerrado aparece com 2.425 focos, ou 43,3%, enquanto o Pantanal contabiliza 96, equivalente a 1,7%.

Quando a comparação é feita com o mesmo período de 2025, entretanto, o comportamento é diferente entre os três biomas.

Na Amazônia mato-grossense, os focos recuaram de 3.334 para 3.075, queda de aproximadamente 7,8%.

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No Cerrado, houve movimento inverso: passaram de 1.907 para 2.425, crescimento de 27,2%.

No Pantanal, apesar do número absoluto ser muito menor, as detecções passaram de 41 para 96 — aumento de aproximadamente 134%.

O que é um foco de fogo?

O número de focos não pode ser interpretado como quantidade equivalente de incêndios.

O próprio INPE ressalta que a relação entre um foco detectado pelo satélite e uma queimada ou incêndio não é direta.

Um foco representa um pixel no qual o sensor identificou fogo ativo. Uma grande frente de incêndio pode ocupar vários pixels e, consequentemente, gerar vários focos. No sentido inverso, diferentes pequenas frentes de fogo existentes dentro do mesmo pixel podem resultar em uma única detecção.

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Além disso, o sistema identifica a presença de fogo, mas a contagem de focos, isoladamente, não informa a extensão da área queimada. Por isso, o indicador é especialmente útil para acompanhar tendências espaciais e temporais quando se utiliza o mesmo satélite e períodos comparáveis.

Essa distinção também impede tratar automaticamente cada foco como uma ocorrência criminosa. A detecção via satélite identifica fogo na vegetação; a definição da origem, da legalidade e das circunstâncias depende de fiscalização e investigação em campo.

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Próximos meses exigem atenção

A aceleração ocorre justamente quando os órgãos federais projetam aumento do risco de fogo no Centro-Oeste.

O segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, produzido por órgãos federais e divulgado pelo INPE, prevê para o trimestre agosto-setembro-outubro uma intensificação significativa do risco de fogo no interior do Brasil. O documento aponta expansão das áreas classificadas como “Alerta Alto” principalmente sobre o Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, e recomenda intensificação do monitoramento, da prevenção e da preparação operacional.

Para a Amazônia Legal, o mesmo documento aponta perspectiva de queimadas intensas no trimestre em estados que incluem Mato Grosso.

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A situação levou o Governo de Mato Grosso a declarar estado de emergência ambiental entre abril e dezembro de 2026, por meio do Decreto nº 2.015, de 28 de abril.

Desde 1º de julho também está em vigor o período proibitivo de uso do fogo. A restrição alcança áreas rurais dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal e segue até 30 de novembro. Durante esse intervalo, está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais.

BOX — Os números de 2026

5.596 focos em Mato Grosso até 17 de agosto
+5,9% em relação ao mesmo período de 2025
1.852 focos somente nos primeiros 17 dias de agosto
+155% em agosto na comparação anual
427 focos em Paranatinga, líder estadual
42,7% dos focos estão concentrados nos dez municípios líderes
54,9% das detecções estão no bioma Amazônia
43,3% estão no Cerrado
1,7% estão no Pantanal

Os números ainda são parciais. O Programa Queimadas atualiza suas bases continuamente, e agosto deverá terminar com resultado diferente do retratado nesta reportagem. A evolução durante as próximas semanas será decisiva para indicar se o salto observado na primeira metade do mês será pontual ou marcará uma mudança mais duradoura na temporada de fogo de 2026.

Metodologia: o Conexão MT processou os arquivos mensais oficiais de focos disponibilizados pelo Programa Queimadas/INPE para 2025 e 2026, filtrando os registros do Estado de Mato Grosso e exclusivamente o satélite de referência AQUA_M-T. Para garantir comparabilidade, os dois anos foram recortados entre 1º de janeiro e 17 de agosto. O INPE disponibiliza publicamente os dados em CSV e recomenda o satélite de referência para análises temporais.

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