Pesquisar
Close this search box.

Inteligência artificial e direito

Montagem falsa no BBB26 leva equipe de Juliano Floss à Justiça

Equipe de Juliano Floss aciona a Justiça após imagem falsa criada por IA viralizar nas redes. O caso expõe a ausência de legislação específica sobre deepfakes no Brasil e o estado atual dos projetos de lei em tramitação no Congresso.

Publicado em

Juliano Floss - foto:reprodução redes sociais.

A equipe do participante Juliano Floss, do BBB26, anunciou ação judicial após uma imagem forjada por inteligência artificial — que o mostrava beijando a confinada Chaiany — viralizar nas redes sociais no dia 18 de março de 2026. O caso escancarou um problema que o Brasil ainda não resolveu: não existe lei específica sobre deepfakes, e quem sofre esse tipo de ataque precisa juntar pedaços dispersos do Código Penal para tentar alguma resposta jurídica.

Duas notas, um processo e uma postagem apagada

No próprio dia 18, a equipe de Floss publicou duas notas no X — o ex-Twitter. A segunda foi a mais direta. “Está circulando uma imagem criada por inteligência artificial envolvendo Juliano e Chaiany, e isso é uma absoluta falta de respeito com os dois”, dizia o texto. E completava: “A divulgação de conteúdos manipulados, a distorção intencional dos fatos e o compartilhamento de fake news são condutas passíveis de responsabilização civil e criminal. As medidas cabíveis já foram tomadas.”

Um perfil apagou a postagem após o repúdio. Outros não. Até 20 de março de 2026, o andamento do processo não havia sido divulgado.

O que a montagem fez foi colocar duas pessoas em situações distintas, mas igualmente constrangedoras. Floss está em relacionamento com a cantora Marina Sena. Chaiany foi vinculada, sem seu consentimento, a uma cena que nunca aconteceu. A equipe deixou claro que a ofensa era dupla.

A imagem acima não deve ser reproduzida, ela foi incluída na matéria para fins jornalísticos.

Advertisement

O que cabe no Código Penal — por enquanto

Sem lei específica, a resposta penal depende do contexto. Uma deepfake que atribua crime falso a alguém pode ser calúnia (art. 138 do Código Penal): detenção de três meses a um ano mais multa. Se for só para estragar a reputação sem imputar crime, é difamação (art. 139): mesma pena. Se o alvo for a honra subjetiva da pessoa, injúria (art. 140): detenção de um a seis meses ou multa. Quando a montagem serve para obter vantagem financeira, aí entra o estelionato (art. 171), com reclusão de um a cinco anos.

Leia Também:  ATENÇÃO: 14 cidades com alerta de tempestade, granizo e ventos até 100km/h;veja lista completa de municípios

A Lei 12.737/2012 — a Lei Carolina Dieckmann, criada após o vazamento de fotos íntimas da atriz — também pode ser acionada em casos de invasão digital. E o Marco Civil da Internet permite pedir remoção judicial do conteúdo.

O problema é que esse conjunto de normas foi construído para outros contextos. Nenhuma dessas leis foi pensada para imagens geradas por algoritmo, distribuídas em segundos, por pessoas que talvez nem saibam que estão cometendo um crime.

O que o Congresso está tentando fazer

Em fevereiro de 2025, a Câmara aprovou o PL 3.821/2024, da deputada Amanda Gentil. O projeto cria crime específico para quem produz ou divulga deepfake com nudez ou ato sexual falso: reclusão de dois a seis anos e multa. A pena sobe de um terço a metade quando a vítima é mulher, idosa ou com deficiência. Em caso de disseminação em massa, pode dobrar. O texto aguarda votação no Senado.

Quatro meses depois, em abril de 2025, foi sancionada a Lei 15.123, que agrava de seis meses a dois anos a pena de violência psicológica contra mulheres praticada com IA ou tecnologia capaz de alterar imagem ou voz da vítima.

Advertisement

Há ainda o PL 146/2024, em análise no Senado, que propõe multiplicar por cinco as penas dos crimes contra a honra quando cometidos via deepfake em redes sociais.

Leia Também:  Suíte Penthouse: conheça o hotel de luxo citado por ex-sócio de Flávio Bolsonaro em mensagens sobre "festinhas"

O BBB26 entrou nesse debate por outro ângulo: especialistas consultados pela imprensa revelaram a existência de uma cláusula no contrato do reality sobre uso de inteligência artificial. O conteúdo exato da cláusula não está disponível nas fontes consultadas para esta reportagem, mas a discussão deu dimensão de como o setor de entretenimento também começa a se movimentar juridicamente diante do tema.

O que vem a seguir

O processo da equipe de Juliano Floss não tem prazo definido. No Senado, o PL 3.821/2024 pode ser votado ao longo de 2026 — e, se aprovado, representará a primeira legislação brasileira dedicada exclusivamente a deepfakes com conteúdo sexual. Para o restante dos casos, incluindo o tipo de montagem que circulou no BBB26, a lei ainda depende de interpretação e de um Judiciário que aplica normas criadas em outra época para uma tecnologia que muda de semana para semana.

 

Leia também:

Advertisement

Nova ‘Lei Felca’ entra em vigor e obriga redes a verificar idade de menores

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Advertisement

DESTAQUE

Candidato a Delegado-Geral posta vídeo criticando Ministro do STF

Published

on

Delegado Sérgio Ribeiro, de barba e camisa rosa clara, fala à câmera diante de uma bandeira do Brasil

Candidato à lista tríplice da Polícia Civil publicou o vídeo neste sábado (03) em sua rede social.

O delegado Sérgio Ribeiro Araújo, candidato à lista tríplice para Delegado-Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, publicou neste sábado (3), no Instagram, um vídeo em que chama a candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) de “a candidata de Gilmar Mendes” e diz que ela está “em pré-campanha com Gilmar”. A reportagem não localizou declaração do ministro nem da candidata que confirme apoio eleitoral. O delegado não respondeu às perguntas enviadas até o fechamento da matéria, o espaço permanece aberto.

Assista ao vídeo no final da matéria.

A lista tríplice

A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso conduz a eleição interna que forma a lista tríplice para a escolha do Delegado-Geral, cargo cuja nomeação cabe ao governador. A Comissão Eleitoral deferiu quatro candidaturas: Rodrigo Bastos da Silva, Sergio Ribeiro Araújo, Claudemir Ribeiro de Souza e Jefferson Dias Chaves, listados na ordem em que as inscrições foram solicitadas. A campanha vai de 5 de outubro a 8 de novembro, a votação ocorre em 9 de novembro, das 8h às 17h, por sistema eletrônico, com voto uninominal, facultativo e secreto, e a formação da lista está prevista para 12 de novembro.

Segundo informações obtidas pela reportagem, o delegado Rodrigo Bastos da Silva, que atualmente é Secretário-adjunto de Segurança Pública, é franco favorito para ocupar a vaga.

Advertisement

O que o delegado Sérgio Ribeiro afirma no vídeo

O vídeo apresenta Janaína Riva a partir de uma ligação entre a família Riva e o ministro do Supremo que remontaria a 2015. A imagem em destaque no vídeo mostra Janaína abraçada ao ministro; Segundo apurou a redação do ConexaoMT, a imagem foi registrada no dia 30 de agosto de 2024, na Argentina e mostra o momento em que a deputada estadual de Mato Grosso, Janaína Riva, cumprimenta o ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O encontro ocorreu durante a cerimônia na qual o ministro recebeu o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade de Buenos Aires (UBA). Abaixo a montagem que aparece no vídeo, na sequência, a imagem original.

Imagem em destaque no vídeo postado.

Imagem original.

Na narrativa, um advogado pessoal de Gilmar Mendes passa a atuar para os Riva em casos que chegariam a ele; José Riva, pai da candidata, é preso três vezes e solto em todas pelo ministro; Janaína o homenageia com a medalha de honra do Estado e o acompanha ao exterior; e, meses depois, um jornalista que denunciava a família é censurado por ele. O post traz a legenda “Pensei bem! Vote 222. Vote 444!”.

As prisões e solturas de José Geraldo Riva

1️⃣ Maio de 2014 – Operação Ararath
    • A Prisão: Riva foi preso pela Polícia Federal em 20 de maio de 2014 durante a quinta fase da Operação Ararath, que investigava crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
    • A Soltura: Foi libertado apenas três dias depois, em 23 de maio de 2014, por uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli.
Leia Também:  ATENÇÃO:O que pode e o que não pode no dia da votação em Mato Grosso

2️⃣ Fevereiro de 2015 – Operação Imperador
    • A Prisão: Detido em 21 de fevereiro de 2015 na Operação Imperador, acusado de liderar um esquema que desviou mais de R$ 62 milhões da ALMT por meio de fraudes com empresas de fachada.
    • A Soltura: Permaneceu cerca de quatro meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá. Foi libertado em 23 de junho de 2015 após um julgamento empatado na Segunda Turma do STF.
        • Votaram a favor da soltura: ministros Gilmar Mendes (abriu a divergência) e Dias Toffoli.
        • Votaram pela manutenção da prisão: ministros Teori Zavascki e Cármen Lúcia.

Advertisement
3️⃣ Julho de 2015 – Operação Ventríloquo
    • A Prisão: Preso preventivamente no início da manhã de 1º de julho de 2015 na Operação Ventríloquo, sob acusação de desvios através de um pagamento de dívida bancária simulada da ALMT.
    • A Soltura: Foi libertado na mesma noite do dia 1º de julho de 2015, passando menos de 24 horas preso. A soltura rápida ocorreu por meio de uma liminar concedida individualmente pelo ministro Gilmar Mendes, que entendeu que a nova ordem de prisão afrontava a autoridade da decisão recém-tomada pela Segunda Turma do STF.

4️⃣ Outubro de 2015 – Operação Metástase (Célula de Satélite)
  • A Prisão: Foi preso novamente em 13 de outubro de 2015 durante os desdobramentos da Operação Metástase, que apurava fraudes e desvios usando a chamada “verba de suprimento de fundos” da Assembleia Legislativa.
  • A Soltura: Riva passou quase seis meses na cadeia por este mandado. Ele obteve a liberdade definitiva em 8 de abril de 2016, novamente por decisão do ministro Gilmar Mendes, que estendeu os efeitos dos Habeas Corpus anteriores sob o argumento de que Riva já não ocupava cargo público e não poderia interferir nas investigações.

A liminar do TRE-MT sobre o vídeo de Medeiros

A suposta ligação entre Gilmar Mendes e a Deputada Janína Riva já foi motivo de apreciação judicial. Em 30 de setembro, o juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, Flávio Fraga e Silva, determinou em liminar que José Medeiros (PL) removesse em três horas um vídeo publicado em 28 de setembro no Instagram, que atribuía a candidatura de Janaína Riva a uma articulação de ministros do STF. A multa foi estipulada em R$ 5 mil por hora de atraso, limitada inicialmente a R$ 100 mil. O juiz também proibiu Medeiros de publicar, republicar ou impulsionar conteúdo que afirme ou sugira que a candidatura foi articulada ou patrocinada por ministros do STF, com citação expressa a Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, sob multa de R$ 30 mil por nova publicação.

O juiz anotou que a liberdade de manifestação política protege a crítica, ainda que dura, mas não alcança fatos sabidamente falsos ou gravemente manipulados que atinjam a honra de concorrentes. A defesa de Janaína alegou que as afirmações são inverídicas e que a candidatura foi definida em convenção do MDB, por consenso da coligação. O pedido de proibição genérica de manifestações futuras foi negado. 

Sérgio é apoiador declarado de Medeiros.

Imagem do instagram pessoal de Sérgio.

O Estatuto e o edital da PJC-MT

O estatuto da carreira, a Lei Complementar 407/2010, inclui entre os deveres do policial civil “proceder na vida pública e particular de modo a dignificar a função policial civil” (art. 219, XIV). A publicação de notícia aparentemente falsa pode ser escrutinada em procedimento próprio. A reportagem não busca atribuir valor para conduta do delegado, tampouco afirma que houve o cometimento de qualquer crime. Certo é que a mensagem do vídeo postado, acusando um Ministro da mais alta corte de favorecer um ou outro por interesses políticos pode gerar algum ruído nas tratativas institucionais entre a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso e o Judiciário caso o pleito de Sérgio ao cargo de Delegado-Geral seja concretizado.  

Perguntas sem resposta

A redação entrou em contato com o delegado Sérgio, enviando-lhe perguntas por mensagem sobre a origem das afirmações do vídeo e a manutenção da publicação. Não houve resposta até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto ao delegado, à campanha de Janaína Riva e ao gabinete do ministro Gilmar Mendes.

Advertisement

O primeiro turno das eleições gerais é amanhã (04). Na Polícia Judiciária Civil, a campanha da eleição interna vai de 5 de outubro a 8 de novembro, os delegados votam em 9 de novembro e a formação da lista tríplice está prevista para 12 de novembro.

Assista ao vídeo:

 

 

Advertisement
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA