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Marcha para Jesus

Arma de Ranalli na Marcha para Jesus expõe diferença entre porte de policial e porte do cidadão comum

A arma de fogo visível no cós da calça do vereador Rafael Ranalli (PL), policial federal, durante a 29ª Marcha para Jesus em Cuiabá gerou críticas nas redes. O vereador alega aparição incidental durante uma selfie. A regra que veda o porte ostensivo em aglomerações atinge o cidadão comum, não o policial.

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arma na Marcha para Jesus

Rafael Ranalli afirma que o armamento apareceu por acaso durante uma selfie; a regra que veda o porte em aglomerações vale para o cidadão comum, não para o agente de segurança

A imagem de uma arma na Marcha para Jesus, visível no cós da calça do vereador Rafael Ranalli (PL), policial federal de carreira, provocou críticas nas redes sociais e abriu discussão sobre o porte de armamento em eventos religiosos de grande público. A cena foi registrada no último sábado (20), durante a 29ª edição do evento em Cuiabá, enquanto ele fazia fotos para as redes. Ranalli sustenta que a arma apareceu de forma incidental, e não como demonstração.

A versão de aparição incidental

Para o vereador, não houve intenção de exibir o armamento. A arma teria ficado à mostra em um único instante, quando ele se inclinou para tirar uma selfie e a roupa subiu, deixando o coldre aparente entre participantes que tiravam fotos e conversavam. Como policial federal, ele porta a arma por prerrogativa da função e a conduzia como na rotina de trabalho, sem propósito de ostentação.

Em áudio, Ranalli afirmou que a cena é parte da rotina de qualquer agente de segurança:

“Vários policiais andam armados, mas eles não estão expostos. Se você ficar perseguindo um policial o dia inteiro, um momento ou outro você vai perceber a arma dele.”

O argumento separa dois verbos que costumam se confundir no debate público: aparecer a arma, situação involuntária, é diferente de exibir a arma, gesto deliberado.

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Um ato religioso com presença política

A 29ª Marcha para Jesus percorreu, no sábado, o trajeto entre a Orla do Porto e a Arena Pantanal, reunindo milhares de fiéis. A organização é do Conselho de Ministros Evangélicos Cristãos de Mato Grosso (Comec). Neste mês, o evento foi declarado Patrimônio Cultural Material e Imaterial do Município de Cuiabá pela Lei municipal nº 7.555, de 10 de junho de 2026.

A edição teve forte presença de lideranças políticas conservadoras, com destaque para o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foi nesse ambiente de aglomeração e descontração, sem registro de tensão ou ameaça no local, que a arma do vereador ficou visível.

A arma na Marcha para Jesus e a distinção entre os portes

O ponto jurídico central do caso é a diferença entre dois regimes de porte previstos no Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003). O artigo 6º, inciso II, assegura o porte de arma aos integrantes dos órgãos de segurança pública, entre eles os policiais federais, em razão das funções institucionais e com validade em todo o território nacional. É o chamado porte por prerrogativa de função, que dispensa o agente de comprovar os requisitos exigidos do cidadão comum, já atendidos no concurso e na formação.

O outro regime é o porte de defesa pessoal, concedido ao cidadão comum pelo artigo 10 da mesma lei, mediante autorização da Polícia Federal e comprovação de efetiva necessidade.

A distinção é decisiva. A regra que veda o porte ostensivo e a permanência armada em igrejas, escolas, estádios e locais de aglomeração, hoje prevista no artigo 51 do Decreto nº 11.615/2023, aplica-se apenas ao titular do porte de defesa pessoal. Ela não alcança o policial, cujo porte é regido pelo inciso II do artigo 6º e por normas próprias da instituição.

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Por que o policial anda armado fora de serviço

A legislação ainda ampara o porte permanente do agente, inclusive na folga. O artigo 13, parágrafo 2º, do Código Penal trata como penalmente relevante a omissão de quem tem o dever legal de cuidado, proteção ou vigilância, condição em que se enquadra o policial. Já o artigo 301 do Código de Processo Penal distingue a faculdade do cidadão, que poderá prender quem esteja em flagrante, do dever das autoridades policiais e seus agentes, que deverão fazê-lo.

Daí o conceito do policial 24 horas: o agente não deixa de ser policial quando está de folga, e o porte ininterrupto da arma é o instrumento desse dever contínuo. Há divergência doutrinária sobre o alcance da regra fora do expediente. Juristas como Nestor Távora sustentam que, longe do serviço, a obrigação de agir cede lugar a mera faculdade, equiparando o policial de folga ao cidadão comum, mas o entendimento majoritário é o do dever permanente.

Onde estaria o limite

A prerrogativa não é irrestrita. A exibição intencional da arma como demonstração de força pode configurar infração disciplinar, ainda que não seja crime, e disparos ou porte ostensivo deliberado podem ser comunicados à Polícia Federal por canal eletrônico específico, conforme o artigo 8º do Decreto nº 11.615/2023. A responsabilização depende sempre da intenção e do contexto concreto, o que mantém em aberto a controvérsia sobre se, na Marcha, houve demonstração proposital ou aparição involuntária.

O episódio de 2024

O caso atual chega depois de um precedente que tende a ser lembrado, embora seja distinto. Em agosto de 2024, durante uma convenção do PL em Cuiabá, então pré-candidato a vereador, Ranalli levantou a camisa e exibiu a arma na cintura ao gritar uma palavra de ordem de apoio ao partido. Na ocasião, a Corregedoria Regional da Polícia Federal em Mato Grosso anunciou a apuração disciplinar da conduta.

A diferença entre os dois momentos está na intenção. Em 2024, houve gesto deliberado de levantar a camisa. Em 2026, a versão é a de aparição involuntária durante uma selfie. São fatos separados, e tratar o episódio da Marcha como repetição do anterior desconsidera essa diferença.

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Eventual abertura de procedimento sobre a conduta na Marcha para Jesus caberá à Polícia Federal, responsável por avaliar caso a caso a intenção e o contexto da atuação de seus agentes.

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Suíte Penthouse: conheça o hotel de luxo citado por ex-sócio de Flávio Bolsonaro em mensagens sobre “festinhas”

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A reportagem não diz em qual apartamento do Grand Hyatt Rio ocorreram os encontros, e o candidato do PL à Presidência ignorou a pergunta de jornalistas sobre o caso.

Alexandre Santini, ex-sócio do senador Flávio Bolsonaro, guardou mensagens e fotos de festinhas com garotas de programa, algumas delas no Grand Hyatt Rio, hotel cinco estrelas da Barra da Tijuca, segundo reportagem publicada em 29 de setembro. O hotel tem uma suíte Penthouse de 195 metros quadrados com piscina privativa, mas a reportagem não afirma que os encontros ocorreram nela. Flávio, candidato do PL à Presidência, ignorou a pergunta de jornalistas sobre o caso.

Veja as fotos no final da matéria.

O que o ex-sócio guardou

Santini e Flávio se conheceram no começo dos anos 2000, no Rio de Janeiro, e foram sócios na Bolsotini Chocolates e Café, franquia da Kopenhagen num shopping da Barra da Tijuca. A loja foi fechada depois de investigada pelo Ministério Público do Rio no caso das rachadinhas, apuração arquivada por decisão do Judiciário.

Santini rompeu com o senador e passou a cobrar dinheiro. Em 28 de setembro de 2023, enviou ao gabinete de Flávio uma notificação extrajudicial de R$ 1,4 milhão, sob a alegação de prejuízo com o fechamento da loja. Flávio não respondeu à notificação.

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Santini guardou mensagens de texto, áudios, documentos e fotos e entregou parte do material a pessoas com influência em Brasília. Uma das conversas é com uma agenciadora de garotas de programa do Rio. Santini pediu a ela que marcasse outra festinha igual à do Grand Hyatt, com os mesmos amigos e com Flávio, a quem chamava de meu filho, de acordo com a reportagem de Rodrigo Rangel.

 

Reprodução:Platô

Na conversa, Santini exigiu sigilo por causa da época de eleição e pediu que as mulheres indicadas fossem novidade. O dinheiro dos encontros teria circulado entre os dois desde a sociedade na loja. Os encontros seriam coletivos e incluiriam, por vezes, outros amigos da dupla. Santini teria organizado vários deles.

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A suíte Penthouse e o apartamento das fotos

O Grand Hyatt Rio fica entre o mar e a Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca. Algumas das fotos mostradas por Santini à mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, teriam sido feitas no hotel, num dos apartamentos mais exclusivos, com diária de R$ 3 mil, ampla varanda e vista panorâmica. Uma foto da varanda, tirada por Santini no dia de um dos encontros, no começo de 2022, foi publicada na reportagem.

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A categoria desse apartamento não é informada. No site do hotel, a Penthouse aparece com 195 metros quadrados, terraço de área quase igual à da suíte, piscina privativa de borda infinita, dois closets no quarto principal, banheira de imersão com televisão, cozinha gourmet e mesa de jantar. A vista alcança a praia da Barra e a Lagoa de Marapendi.

As imagens que ilustram o texto mostram uma suíte de luxo, sem confirmação de que retratem o exato apartamento usado nos encontros.

A crise no casamento e a mensagem de Flávio

Santini mostrou fotos e mensagens a Fernanda Bolsonaro, o que abriu uma crise no casamento do senador. A crise durou semanas, e Fernanda acabou aceitando as desculpas de Flávio.

Flávio escreveu a Santini por WhatsApp. Pediu que ele se afastasse definitivamente de Fernanda e o mandou embora de Brasília. Na mesma mensagem, disse que se arrependeu de muitas escolhas erradas e que não voltaria a errar com a família. Escreveu também que Deus usou Santini para fazer dele um pai, um marido e uma pessoa melhor, e que não imaginava receber justamente dele um tiro nas costas. Santini respondeu que acreditava que Flávio havia enviado a mensagem à pessoa errada.

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Rolex, academia e o gabinete de Kassio

A nota fiscal de um Rolex Submariner Date de ouro branco, comprado em 10 de fevereiro de 2022 por R$ 305 mil, está em nome do advogado Alan Belaciano. Registros guardados por Santini, incluindo mensagens, indicariam que o relógio era para Flávio. Belaciano também teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia para a casa que Flávio comprou em Brasília, por R$ 5,9 milhões declarados.

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Reprodução:Platô

Quando as primeiras notas fiscais dos equipamentos vieram a público, Flávio afirmou que um amigo de longa data comprou os itens como empréstimo pessoal, que estaria sendo pago.

No fim de 2023, Santini escreveu a Flávio que ele teria tratado diretamente com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, de interesses de um cliente com processo no gabinete do ministro. O gabinete respondeu que é praxe atender parlamentares de todos os partidos, sem responder especificamente sobre pedidos de Flávio.

Flávio marcou uma conversa numa terça-feira, às 15h, no gabinete dele. Santini avisou depois aos contatos que o assunto estava encerrado, sem que se saiba o que foi acertado.

A reação de Flávio Bolsonaro

Em declaração anterior sobre o ex-sócio, Flávio disse que Santini lhe mandava recados esquisitos, que pediu dinheiro e não recebeu, e que ele não pretendia dar importância a quem chamou de maluco.

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Em 29 de setembro, numa agenda em São Paulo, Flávio ignorou a pergunta de jornalistas sobre a reportagem. A campanha de Flávio não quis se manifestar.

O espaço segue aberto para manifestação de Flávio Bolsonaro, de Alexandre Santini e de Alan Belaciano.

 

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