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Denúncia

Ex-assessor denuncia deputado João por confisco de salários e funcionários fantasmas

Um ex-assessor parlamentar denunciou um esquema no gabinete do deputado João envolvendo o recolhimento de 50% dos salários dos funcionários, pagos em espécie, e a manutenção de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa.

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Ex-assessor denuncia deputado João por confisco de salários e funcionários fantasmas
Ex-assessor denuncia deputado João por confisco de salários e funcionários fantasmas.

Relato aponta exigência de 50% dos vencimentos em espécie; holerite atesta contratação de servidor que, segundo denúncia, atuava em salão de beleza. Parlamentar nega acusações.

Assista a entrevista no final da matéria.

Um ex-funcionário da Assembleia Legislativa, V.B de A., acusou o deputado João de exigir o repasse de metade do salário de seus assessores e de abrigar funcionários fantasmas em seu gabinete. O esquema de recolhimento dos valores ocorreria mensalmente, em espécie, logo após o pagamento oficial da folha salarial.

As acusações sugerem o desvio sistemático de dinheiro público. O relato expõe uma suposta rotina de saques em caixas eletrônicos da própria Assembleia para entregar o dinheiro diretamente nas mãos do parlamentar, prática que seria institucionalizada desde o seu primeiro mandato.

O esquema do confisco salarial

Segundo o denunciante, que trabalhou como assessor parlamentar no local entre 2018 e 2024, a devolução de metade dos vencimentos era acordada antes mesmo do início do trabalho. Ele relatou que a regra era de conhecimento de todos no gabinete.

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“O deputado sempre exigia de todos os funcionários, né, que repassasse metade do salário. Era de praxe quando ia contratar alguém, ele ter uma reunião com a pessoa e fazer esse combinado”, afirmou o ex-assessor na entrevista.

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A operacionalização do esquema ocorria no dia do pagamento. O ex-funcionário explicou que a maioria dos assessores descia até a agência bancária localizada na própria Assembleia, sacava o montante combinado e entregava fisicamente ao parlamentar. Apenas os servidores do “mais alto escalão” seriam poupados do repasse.

Funcionários fantasmas

Além do confisco salarial, a denúncia aponta a existência de servidores lotados no gabinete que não cumpriam expediente. O ex-assessor relatou que havia funcionários morando no interior que só apareciam no prédio do Legislativo para entregar a parte do dinheiro exigida pelo parlamentar.

O denunciante destacou um caso que classificou como escancarado: um assessor chamado W., que supostamente cumpria expediente em outro lugar privado enquanto recebia salário do Legislativo. “Eu sabia de um funcionário que trabalhava na assembleia e tava trabalhando num salão o período integral”, disse.

Dados de um holerite confirmam o vínculo de W. A. com a Assembleia. O documento registra a sua atuação como Assessor Parlamentar (nível AP-5), com carga horária exigida de 40 horas semanais e remuneração mensal de R$ 3.728,12. O registro aponta admissão em 14 de fevereiro de 2025 e desligamento formal em 1 de junho do mesmo ano.

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O outro lado

A redação tentou por diversos meios entrar em contato com o Sr. W. A. , mas não obteve resposta nenhuma. O espaço permanece aberto.

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O deputado Dr. João encaminhou a nota abaixo:

NOTA À IMPRENSA

O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Dr. João, esclarece que:

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Não tem e nunca teve conhecimento sobre os fatos citados, sendo infundadas quaisquer denúncias referentes ao seu nome.

Ao ser informado das supostas irregularidades, acionou os órgãos internos para fazer uma apuração e, se encontradas quaisquer irregularidades, os responsáveis serão penalizados no rigor da lei. 

Por fim, se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos.

Assessoria de Imprensa
Deputado Estadual Dr. João
25 de fevereiro de 2026

 

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Assista a entrevista:

 

 

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ALMT

Câmara de Cuiabá repudia fala de Valdir Barranco e defende direito de intervir em temas nacionais

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Presidente Paula Calil (PL) critica postura do deputado petista, que questionou conhecimento técnico de vereadores sobre indicação ao STF.

A Câmara Municipal de Cuiabá divulgou nota para rebater declarações do deputado estadual Valdir Barranco (PT), proferidas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Sob a presidência de Paula Calil (PL), o Legislativo municipal manifesta indignação contra a postura do parlamentar, que tentou desqualificar a atuação dos vereadores em pautas de repercussão nacional e direcionadas ao governo federal.

O embate expõe uma disputa sobre os limites de atuação parlamentar municipal. A reação ocorre após Barranco insinuar que os vereadores carecem de conhecimento técnico para opinar sobre temas externos, a exemplo da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Autonomia e prerrogativas

O documento oficial destaca que o município atua como ente federativo autônomo, amparado pelo artigo 18 da Constituição Federal. O texto argumenta que o mandato de um vereador incorpora a função de representação política e de manifestação institucional sobre assuntos que afetam a coletividade, extrapolando a produção legislativa estritamente local.

“A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada”, informa a nota. A Casa legislativa ressalta que o direito à manifestação encontra amparo nos princípios fundamentais da República e que o Regimento Interno assegura a apresentação de moções e requerimentos como instrumentos de expressão política. Desqualificar as opiniões dos vereadores alegando falta de eficácia jurídica direta configura, na visão da presidência, um desrespeito ao princípio democrático.

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Cobrança por respeito

A presidência da Câmara classifica o discurso de Barranco como incompatível com o decoro parlamentar. A manifestação cita que a Constituição do Estado de Mato Grosso veda práticas que atentem contra a independência e a harmonia entre as esferas de governo.

O Legislativo encerra o texto exigindo responsabilidade no trato público. A orientação institucional aponta que as divergências políticas precisam permanecer restritas ao debate qualificado, com a rejeição de ataques que atinjam a dignidade dos mandatos locais. O documento não registra posicionamento de Valdir Barranco sobre a reação dos vereadores.

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Leia a íntegra da nota:

A Câmara Municipal de Cuiabá, por intermédio de sua presidente Paula Calil (PL), vem a público manifestar profunda indignação diante das declarações, durante um pronunciamento na Assembleia Legislativa, feitas pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT) de forma desrespeitosa e incompatível com o decoro parlamentar esperado. Em sua fala, Barranco, em tom ‘inflamado’, tentou desqualificar a atuação institucional deste Poder Legislativo, especialmente no que se refere às manifestações dirigidas a temas de interesse nacional e ao governo federal.

A postura adotada por tal parlamentar, ao insinuar ausência de conhecimento técnico por parte dos vereadores da capital, quando da então indicação presidencial do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, não apenas afronta a honra dos agentes políticos legitimamente eleitos, como também revela desconhecimento acerca das bases constitucionais que regem a atuação do Poder Legislativo municipal.

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Nos termos da Constituição Federal, o município é um ente federativo autônomo (Art. 18 da CF/88), dotado de capacidade política, administrativa e normativa. A atuação parlamentar não se restringe à produção legislativa estritamente local, sendo também inerente ao mandato a função de representação política, de fiscalização e de manifestação institucional sobre temas de interesse da coletividade, inclusive aqueles de repercussão nacional.

O direito à manifestação política e institucional encontra amparo, ainda, nos princípios fundamentais da República (art. 1º, incisos II e V), que asseguram a cidadania e o pluralismo político como pilares do Estado Democrático de Direito. Nesse contexto, qualquer tentativa de cercear ou desqualificar o posicionamento de representantes legitimamente eleitos configura grave afronta a esses fundamentos.

No âmbito estadual, a Constituição do Estado de Mato Grosso igualmente reconhece a autonomia municipal e a harmonia entre os poderes, vedando práticas que atentem contra a independência e o respeito institucional entre as esferas de governo.

Ademais, o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá assegura aos vereadores o pleno exercício de suas prerrogativas parlamentares, incluindo a apresentação de moções, requerimentos e demais manifestações formais, instrumentos legítimos de expressão política e de posicionamento institucional do Poder Legislativo municipal.

Essas manifestações não se confundem com atos administrativos vinculantes, mas constituem expressão legítima da vontade política de representantes eleitos, refletindo demandas, opiniões e interesses da população cuiabana. Desqualificá-las sob o argumento de ausência de eficácia jurídica direta revela não apenas simplificação indevida do papel do Parlamento, mas também desrespeito ao princípio democrático.

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A Câmara Municipal de Cuiabá reafirma que seus vereadores exercem mandato conferido pelo voto popular, com legitimidade para se manifestar sobre quaisquer temas de interesse público, independentemente da esfera federativa envolvida. A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada.

Por fim, este Poder Legislativo exige respeito institucional e responsabilidade no discurso público, reiterando que divergências políticas devem ser tratadas no campo do debate qualificado, jamais por meio de ataques que desmereçam a dignidade do mandato parlamentar e, por consequência, da própria população representada.

 

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