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Combustíveis

ANP autua Vibra Energia por aumento do diesel 35 vezes acima do custo

A ANP autuou a Vibra Energia por elevar o preço de revenda do diesel em R$ 1,06 por litro enquanto o custo de aquisição subiu apenas R$ 0,03, uma diferença de 35 vezes. A fiscalização analisou notas fiscais em base paulista que movimenta 120 milhões de litros por mês. Em Mato Grosso, o diesel S10 chegou a R$ 9,99 em março de 2026.

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ANP autua Vibra Energia preço diesel
Vibra Energia foi autuada pela ANP por indícios de elevação abusiva do preço do diesel em base de São Paulo

Operação conjunta identificou elevação de R$ 1,06 por litro em base paulista enquanto o custo subiu R$ 0,03; em Mato Grosso, diesel já bate R$ 9,99

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) autuou a Vibra Energia, maior distribuidora de combustíveis do país, por indícios de elevação abusiva no preço do diesel. A fiscalização, feita em conjunto com a Senacon e a Polícia Federal, apurou que o preço de revenda do diesel na base da empresa em São Paulo subiu cerca de 35 vezes mais do que o custo de aquisição entre o fim de fevereiro e meados de março de 2026. A autuação acontece no momento em que Mato Grosso registra o litro do diesel S10 a R$ 9,99 em municípios do interior.

Custo estável, preço em disparada

A operação analisou notas fiscais de compra e venda entre 27 de fevereiro e 19 de março em uma base de distribuição no bairro Cidade Nova Heliópolis, zona sul de São Paulo. A instalação movimenta cerca de 120 milhões de litros de combustível por mês, abastecida por dutos e caminhões-tanque.

Os números extraídos do auto de infração, conforme publicado pela Folha de S.Paulo e reproduzido por veículos setoriais, mostram o seguinte: o custo médio do litro de diesel para a Vibra passou de aproximadamente R$ 4,81 para R$ 4,84 no período — uma alta de R$ 0,03, equivalente a 0,6%. O preço de revenda, porém, saltou de R$ 5,38 para R$ 6,45 — R$ 1,06 a mais por litro, alta de quase 20%.

No diesel S500, a diferença foi igualmente desproporcional. O custo ficou praticamente estável, mas o preço de venda avançou cerca de R$ 0,67 por litro. A fiscalização classificou a discrepância como um “descolamento significativo” entre custo e preço.

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Vibra contesta os critérios da autuação

A empresa, que detém cerca de 22% do mercado de distribuição de combustíveis e opera milhares de postos sob a bandeira Petrobras, afirma que a análise da ANP se baseou apenas em uma parcela dos componentes de preço — especificamente, o valor de venda da Petrobras.

A Vibra alega que a formação de preços no setor depende de variáveis que não teriam sido consideradas, como custos de importação, câmbio, logística e condições regionais. A empresa também informou que dobrou as importações de diesel previstas para abril, numa tentativa de sinalizar compromisso com o abastecimento.

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A distribuidora tem 15 dias para apresentar defesa administrativa. Até o fechamento da matéria não havia decisão final da ANP sobre valor de multa.

MP 1.340 e a ofensiva federal

A autuação é parte de uma operação mais ampla. Na primeira semana após a publicação da Medida Provisória 1.340, editada em 13 de março, a ANP autuou 11 empresas — dez distribuidoras e uma atacadista — por indícios de preços abusivos. Vibra, Raízen e Ipiranga estão entre as grandes alcançadas.

A MP ampliou a faixa de multas da Lei do Abastecimento de Combustíveis para valores entre R$ 50 mil e R$ 500 milhões, a depender da gravidade e do porte do infrator. Também zerou PIS/Cofins sobre o diesel e criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, condicionada ao repasse ao consumidor.

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Na prática, os preços na bomba continuaram subindo. Dados do IBPT indicam que o diesel S10 acumulou alta de 19,7% na primeira quinzena de março, com regiões como o Centro-Oeste registrando variações acima de 20%.

Mato Grosso: diesel perto de R$ 10

O estado aparece entre os que mais sofrem com a escalada. Em meados de março, o litro do diesel S10 chegou a R$ 9,99 em localidades do interior, e o diesel comum (S-500) alcançou R$ 9,89 em municípios do norte mato-grossense. Em Cuiabá, o S-500 foi encontrado por até R$ 7,49.

A média estadual do diesel S10 ficou em torno de R$ 6,72 por litro — acima da média nacional parcial de R$ 6,18 para o mesmo período. O S-500 variou em torno de R$ 6,57. Nos municípios mais distantes, o combustível chegou a custar 57,4% a mais do que a média do estado, conforme painéis de preço da ANP.

Peso sobre o agronegócio

Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, depende de longas rotas rodoviárias para escoar soja, milho, algodão e carnes até portos e centros consumidores. O diesel é componente direto do custo de frete e, por extensão, do custo de produção agrícola.

A própria Vibra investiu R$ 500 milhões a partir de 2024 para avançar no segmento agro, incluindo o desenvolvimento de um diesel de alta performance testado em Mato Grosso e no Sul do país. A presença forte da empresa na região amplia sua exposição a questionamentos regulatórios — ainda que a autuação de março tenha se baseado exclusivamente em dados da base paulista.

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Operações em MT

Em 16 de março de 2026, a ANP iniciou uma operação conjunta com Senacon, Procons e Polícia Federal em 9 estados, incluindo Mato Grosso, fiscalizando 42 postos e 1 distribuidora em 22 cidades para coletar dados de preços e verificar abusos, resultando em 13 autos de infração por motivos diversos. De 16 a 20 de março, a agência expandiu para 154 agentes econômicos nacionais (128 postos, 24 distribuidoras), com 41 autos de infração, sendo 11 por indícios de preços abusivos, e 9 interdições; MT foi explicitamente incluído na lista inicial. No início de março, fiscais da ANP atuaram em 9 postos, 1 distribuidora e 1 TRR em Alto Boa Vista, Jaraguari e Terenos (MT), coletando 19 amostras de combustível e apreendendo 29 litros de diesel.

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O que vem agora

A Vibra deve apresentar defesa administrativa até o início de abril. A ANP ainda não definiu valor de multa. A agência notificou as 11 distribuidoras autuadas a fornecer dados detalhados de custos e margens, e Mato Grosso está entre os nove estados incluídos na operação nacional de fiscalização, com coleta de preços em postos locais em andamento. A depender das conclusões dos processos administrativos, as penalidades podem variar de R$ 50 mil a R$ 500 milhões por infrator.

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CONSUMIDOR

Greve da Caixa continua após rejeição da proposta final do banco

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Cartazes vermelhos de bancários anunciam a greve da Caixa na porta de vidro de agência fechada no Distrito Federal

Plano de saúde dos empregados concentra o impasse, e a Caixa avalia recorrer à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional iniciada na quinta-feira (10). Até o fechamento desta reportagem, a greve da Caixa seguia por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais tentavam retomar as negociações. O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h de sexta-feira (11). O texto apresentado pela instituição previa mudanças no modelo de custeio do plano de saúde e nas regras de coparticipação.

Caixa avalia dissídio coletivo

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada. O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho estabelece condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

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Como a greve da Caixa começou

A paralisação começou na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado aquele texto.

Em São Paulo, no Paraná e em outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis.

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O que a Caixa ofereceu

A proposta rejeitada tinha validade até sexta-feira (11). Ela reunia um prêmio de R$ 3 mil por empregado e o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do próprio prêmio.

No plano de saúde, o banco oferecia elevar de 6,5% para 8% o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, antecipar a parcela da empresa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030 e pagar valores relativos ao PAMS a partir de 2027. O pacote incluía ainda R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

As regras propostas para o Saúde Caixa

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. A contribuição dos empregados ficaria entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, com cobrança por dependente entre R$ 480 e R$ 660, a depender da idade. O teto anual de coparticipação subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar, com limite de 9% para o grupo familiar e piso de R$ 50 por beneficiário.

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A proposta previa também a cobrança de 13 mensalidades, o aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto, a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina e o recadastramento anual obrigatório.

Titulares que atualmente estão fora do plano teriam uma janela de 90 dias para aderir. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao Saúde Caixa.

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Atendimento durante a paralisação

A Caixa orienta os clientes a priorizar os canais digitais e remotos enquanto durar a greve: o aplicativo Caixa, o internet banking, o WhatsApp Caixa, o Caixa Tem e os aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS. Também seguem disponíveis os caixas eletrônicos, a rede Banco24Horas, as lotéricas e os correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico permanece disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.

Banco do Brasil

A situação é diferente no Banco do Brasil. Na maior parte dos sindicatos, a categoria aprovou uma proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira (11). A paralisação permanece em 18 bases sindicais, onde os trabalhadores não encerraram o movimento.

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Os próximos desdobramentos dependem da decisão da Caixa sobre o ingresso do dissídio coletivo na Justiça do Trabalho e da tentativa das entidades sindicais de retomar as negociações. Enquanto isso, a greve segue por tempo indeterminado.

 

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